Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Escrevo com os meus dedos Em teu suave corpo, Sobre desejos que minha mente cria. Deslizo lentamente meus olhos Pelas palavras imaginarias, Que minha boca não ousa dizer. Apenas beijo tuas costas nuas Aproveitando o silencio, Que teu sorriso, insiste em se desfazer.
313
Memorias de curto prazo
Ocupam sua calçada Sua rua, sua vida, Escondidos pela mídia Ignorados pelos que podem ver.
Não estão nos jornais Em nenhum programa na tv, Não tem dinheiro Agua ou pão pra comer.
Mas sentem fome de tudo Atenção, dignidade, afeto e carinho, Excluídos por entre sombras Vivem de sobras de um rebanho mesquinho.
Falsas ideologias postas por políticos Abraçados por demagogias (demagogos) dilaceradas (dilacerados), Memórias desumanas de curto prazo Que se preocupam apenas com o futuro do umbigo.
278
Trapos
Agressão Distorção, subversão! Realidade Descaso, trapos! Eis o futuro da nação!
306
Sensibilidade bruta
Chora pobre miserável Por sua pouca sorte de nascer condenado, Se não por correntes, por mãos que se dizem justas. Por migalhas de sentimentos, Por um luxo chamado vida. Reclama sobre o jornal úmido Declamando seus gruídos. Esquece-se do gosto do pão Perde teu desejo por água, Mendiga olhares tristes De poucas almas cinza, Que insistem em não lhe ajudar. Não sabe mais, qual é tua imagem? Não sabe mais, o que significam tuas palavras? Perdeu o tato e a sensibilidade bruta que te doma, É desespero de não poder mais sentir, a flor! Em forma de esperança que como pétalas Arrancaram antes mesmo de brotar, dentro de ti.
353
Mulher
Que direitos são estes que ferem Não só o corpo, mas a alma, Que luta é essa que maltrata Dilacera a coragem, faz crescer o medo?
Que culpa tão grande é essa Que faz desejar não viver, É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador? Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!
Um silencio, que fere! Dilacera e maltrata. Mas os olhares tão tristes Com esses dias tão incompreensíveis Não fingem.
Existe vida além-mar? Existe esperança além da dor? Existe força aonde só há terror?
Tantas perguntas em um corpo tão frágil Capaz de fazer surgir à vida, Mas ainda incapaz De viver com a dor.
Não é pela violência sofrida Não é pelo desespero nela contida, Não é pelas marcas que não cicatrizam!
É pela alma ferida Pela pureza perdida Pelo corpo que deveria receber Somente o calor E sentir apenas o amor.
É o direito de viver De ser feliz, Que alguns ainda não conseguem Se permitir.
323
Vida
Foi o café que não tomou O sonho que não sonhou, O beijo que não deu! O sorriso que não apareceu Foi a sorte que não sorriu, A lagrima que não caiu! O sentimento que nunca existiu A vida que não viveu!
325
Marcas
Que pés são esses Que deixam marcas tão profundas, De escolhas e histórias. Que olhos são esses Que penetram na alma, Mesmo quando estão fechados. Que mão são essas Que calejadas insistem em acariciar, O rosto do teu amor, do teu inimigo, do teu intimo. Que voz é essa Que penetra e ecoa, No vazio da alma, na mente perturbada. Porque insistes em lutar? Porque insistes em viver? Porque insistes em chorar? Não basta que teu corpo seja a prova do tempo? Tão pouco as cicatrizes de teus erros e de teus acertos. Que sobras desejam ter Se somente o pó vai sobrar, O silencio ensurdecedor Ira dilacerar os desejos mais íntimos, Mesmo o de vida e o que tiver em morte.
327
Romper
Infinitos pensamentos Oceanos de palavras, A pureza rompida Pelos olhos curiosos da mente. Depois do primeiro passo, incertezas! Depois da primeira curva A duvida além da própria natureza. Rasgar o senso comum Para se tornar extraordinário! A mente que não mente De forma latente, é um presente.
321
Noites e dias
Por mais Que se insista Em sentir as noites, Como se fossem as últimas Da sua vida. O amanhecer sempre vem Com suas agonias e alegrias, Lembrando-nos que depois de uma noite Sempre existirá um novo dia.
297
Memorias
Ela tem um ferro de passar Enferrujado, que nunca usou, Volta e meia visita suas lembranças Mesmo aquelas, que nunca sonhou.
Usa lagrimas que não tem E sorrisos que não conhece, Que poderia fazer brotar vida Ao invés de se perder no vazio do corpo.
Mundo estranho esse, não? Aonde pessoas querem certezas E usam desejos com certo rancor.
Memorias quentes, de um mundo frio, Com palavras soltas que não amarram um sentimento Mesmo aquele quase impossível, que acontece com certos olhares, Que costumamos gentilmente chamar de amor.