Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Ela tem um ferro de passar Enferrujado, que nunca usou, Volta e meia visita suas lembranças Mesmo aquelas, que nunca sonhou.
Usa lagrimas que não tem E sorrisos que não conhece, Que poderia fazer brotar vida Ao invés de se perder no vazio do corpo.
Mundo estranho esse, não? Aonde pessoas querem certezas E usam desejos com certo rancor.
Memorias quentes, de um mundo frio, Com palavras soltas que não amarram um sentimento Mesmo aquele quase impossível, que acontece com certos olhares, Que costumamos gentilmente chamar de amor.
278
Vida inteira
Começa com uma letra, uma palavra Uma frase e quem sabe virgulas e exclamação! Um sorriso, uma lagrima, um momento e pensamentos, E quando se percebe,ao piscar olhos Alguns poucos suspiros e brincadeiras Sem saber,la se foi a vida inteira!
326
Em algum lugar
Nas ruas Nas calçadas, Nas pessoas. Dentro de algum alma Ou em um pequeno jardim, O amor está Aonde se deixa Ele entrar!
321
Sapatos soltos
Os sapatos Com as solas gastas, Ficaram pelo caminho. As palavras vazias Não resistiram à força do vento. Apenas alguns calos Apenas alguma duvida. Tempo que sobra A cada volta do dia, Preenchido com tristezas ou alegrias. E a duvida que não deixa O corpo e perturba a mente. Será tudo em vão Ou a sorte lhe dará, Mais um dia de respiros vãos.
320
Em silencio
E você esperando a violência acontecer O próximo tiro, o próximo grito! Brincando de adivinhar, Qual será o beco escuro Que um politico vai se corromper.
Feridas que nunca cicatrizam De uma sociedade corrompida, Aonde impera o caos, corrupção!
Roleta russa com o cidadão Dia sim, dia não, no circo da civilização, Mais um corpo que cai ao chão.
As manchas de sangue, são Capas de jornais, Garantia de ibope na televisão A festa acontece no nosso quintal Em quanto você se prepara pro jantar!
Fingindo que não tem mais medo Rezando em silencio, chorando em segredo, Para que sua família não vire vitima Da sua omissão, falta de expressão!
307
Perfeição
O que é perfeição? Um olhar, por do sol, Quem sabe a frase certa Os lábios doces! Ou uma briga por motivos bobos. As mãos que se encaixam Uma noite de estrelas, A água lavando a alma. O que é perfeição? A dor, a lagrima e o sorriso, Não saber o que fazer Quando se esta frente a frente Com o amor, a paixão, indecisão. O que é perfeição? O dia após dia Conflitos e duvidas da vida, A incerteza do futuro A convicção no presente, O que é perfeição?
382
Vida
E diante da imensidão da vida O mar se apequenou com seus desejos, é tanta vontade que surge Que nem ao menos o vento contra Consegue lhe impedir de sonhar.
318
Linhas infinitas
Linhas infinitas Sentimentos inacabados Figuras abstratas, Um trago, mais um trago! Corpos atraídos, copos virados. A putrefação sentida na sua essência Decadência, desrespeito, negligência. Mais um trago, mais um trago! A trilha sonora que se segue É o silencio que rompe o escuro, Noticias de ultima hora Amaram-se em demasia, Beberam de mais! Sonhos e fantasias Acabaram como tristes, Mas quase sempre esperadas Manchetes de jornais! Enquanto amigos para reverenciar Imbecilmente conclamam, Mais um trago, mais um trago!
305
Mulher
Que direitos são estes que ferem Não só o corpo, mas a alma, Que luta é essa que maltrata Dilacera a coragem, faz crescer o medo?
Que culpa tão grande é essa Que faz desejar não viver, É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador? Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!
Um silencio, que fere! Dilacera e maltrata. Mas os olhares tão tristes Com esses dias tão incompreensíveis Não fingem.
Existe vida além-mar? Existe esperança além da dor? Existe força aonde só há terror?
Tantas perguntas em um corpo tão frágil Capaz de fazer surgir à vida, Mas ainda incapaz De viver com a dor.
Não é pela violência sofrida Não é pelo desespero nela contida, Não é pelas marcas que não cicatrizam!
É pela alma ferida Pela pureza perdida Pelo corpo que deveria receber Somente o calor E sentir apenas o amor.
É o direito de viver De ser feliz, Que alguns ainda não conseguem Se permitir.
323
Desejo comum
Desolado coração Mutilado pela sociedade, Insano por cultivar esperanças! Dor que exala pelos teus tristes olhos. Somente mais um momento De angustia, dor, de morte, Caminhas sem saber o por quê? Viver sem saber para que! Medo de falar, medo de ouvir, medo de olhar, Medo apenas de ser notado Com mais um, ser comum! Fracassado por não ter o sorriso Perdedor por não olhar o próprio umbigo. Revela teus desejos ao mundo Expõe tua fraqueza diante do inevitável, Destino comum! Ser mais que uma sombra Estar presente e não ausente, Ser gente, ao invés de indigente!