Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
De repente do olhar Surgiu a duvida, E da duvida a certeza De que sua vida precisava mudar. Não só de amores e estações Mas o que possuía No coração.
315
Outros
Outras ruas Outros ecos, Outras vozes Outras mortes.
Entre tantos passos vazios Sombras, formas deformadas, Vidas, entre abismos! Escolhas que se dizem, Ser em algum momento sorte.
Desejou um sol Cobiçou uma lua, Dormiu com pedidos Amanheceu de mãos vazias.
Entre uma folha E outra história, Contos sem fim Sem final feliz.
Sede de amor Fome de palavras!
Quer que um estranho lhe diga Quer que um qualquer lhe toque, Quer que a morte não lhe encontre Mesmo que seja entre um copo e outro Da mais cobiçada face.
Escancara as cicatrizes Esconde os defeitos Marcas de uma guerra, Com falsos vencedores.
Não ha propaganda que sacie Tão pouco sombra que refresque, Valor tão barato de um sentimento Que por hora é apenas lamento.
Azar daqueles que não brindam Sorte daqueles que não vem, Entre uma volta e outra da vida O mundo parece te olhar com um certo desdém.
375
Noites e dias
Por mais Que se insista Em sentir as noites, Como se fossem as últimas Da sua vida. O amanhecer sempre vem Com suas agonias e alegrias, Lembrando-nos que depois de uma noite Sempre existirá um novo dia.
297
Lixo, vivo!
Lixo, Assim como á vida, Reciclável! Vida, Assim como lixo, Mal aproveitado! Ambos precisam Do homem, para ser, De sua vontade, para estar, Da sua atitude para melhorar! Lixo Somos todos lixos, Vida, Em busca de uma vida, Para reciclar, para recomeçar!
390
Memorias de curto prazo
Ocupam sua calçada Sua rua, sua vida, Escondidos pela mídia Ignorados pelos que podem ver.
Não estão nos jornais Em nenhum programa na tv, Não tem dinheiro Agua ou pão pra comer.
Mas sentem fome de tudo Atenção, dignidade, afeto e carinho, Excluídos por entre sombras Vivem de sobras de um rebanho mesquinho.
Falsas ideologias postas por políticos Abraçados por demagogias (demagogos) dilaceradas (dilacerados), Memórias desumanas de curto prazo Que se preocupam apenas com o futuro do umbigo.
278
Botão
Medíocre instante Do botão, explosão! Propagação da incerteza Duvida e escuridão. Dedos que condenam Sem saber, sem ter um porque, Justo sofrimento Por escolha da sorte? Ou da falta de saber! Em um piscar de olhos Uma caricatura bem apresentada, Do mal, em forma de fada. Auto, convencimento De que o melhor para você Talvez seja também para a nação! Leve instante de esperança Que se acabe a apreensão, Mesmo que seja nas mãos Manchadas de um duvidoso ser. O voto é a guilhotina do povo Que lentamente mata milhares Pelas desculpas esfarrapadas De homens que se dizem exemplares. Ao amanhecer restam apenas vestígios De mais uma fantasia, que esfarelou vidas, Em troca de um barato assistencialismo. Que começa no alento de uma urna E termina com a esperança em um caixão.
347
Por entre noites
Incógnita duvida Não me conhece além dos pecados, E tão pouco parece saber.
Mas é intima estranhamente Assim como o tempo, Inexplicavelmente desperdiçado.
Acompanha-me e dissipa-se nas duvidas Escondido por entre noites, É a sede pela luz que a torna tão intrusa.
E dança comigo! Como uma louca desconhecida, Testando meus limites Da dor, do prazer!
A cada vazio feito pelo medo A morte tão fria, que me cerca É o amor, que a vida Nunca vai ter!
358
Silencio
O silencio Gota a gota Entre uma xícara e outra De palavras solúveis.
Soltas como os pensamentos Presas na garganta, Pedindo liberdade Rasgando o intimo.
Momentos que persistem Entre olhares desviados De certos caminhos Imaginados.
Passos que te prendem Suspiros que machucam Leve toque Que não se sente.
Entre segundos Não vividos, Entre destinos repartidos Escolhas feitas pelo silencio.
Que deixam as janelas e portas Tão seladas quanto a mente Machucam o intimo e cegam sorrisos Dilacerando os ouvidos.
359
Será que sabem?
Será Que esse povo sabe, O que faz?
Será Que sabem O que sentem?
Imaginam o que é real? Eles pensam que vivem? Ou apenas passam os dias Simplesmente fingem saber.
Preenchendo lacunas Com falsos desejos Tentando não serem Carentes.
314
Epiderme
Se tens a boca nua Pelada de toda mentira Profana teus lábios, Com toda putaria Amanhece o dia Em Brasília!
Se tua pele Serve como pano Capa rala de feira! Limpa toda sujeira, Que deixa em teu caminho.
Não limpes apenas a epiderme Superficial como teu pensar! Não mira apenas o ouro Quando tuas mãos e braços Não aguentam o peso da idade Pura vaidade, escrota, Assim como tua imagem!
Leia tuas más escritas linhas Aonde conta tuas merdas Tua pobre e escrava vida.
E no lugar de teu musculo, chamado coração Coloca uma placa de manutenção, E que a sua falta, não tem feito falta não!
Pois para toda falta de emoção Não á razão que resolva os erros, Pedaços de tua falsa moral ao chão.
Morre na noite fria Criatura mesquinha, E renasce com o partilhar do pão!