Lista de Poemas

Memorias de curto prazo

Ocupam sua calçada
Sua rua, sua vida,
Escondidos pela mídia
Ignorados pelos que podem ver.

Não estão nos jornais
Em nenhum programa na tv,
Não tem dinheiro
Agua ou pão pra comer.

Mas sentem fome de tudo
Atenção, dignidade, afeto e carinho,
Excluídos por entre sombras
Vivem de sobras de um rebanho mesquinho.

Falsas ideologias postas por políticos
Abraçados por demagogias (demagogos) dilaceradas (dilacerados),
Memórias desumanas de curto prazo
Que se preocupam apenas com o futuro do umbigo.
271

Marcas

Que pés são esses
Que deixam marcas tão profundas,
De escolhas e histórias.
Que olhos são esses
Que penetram na alma,
Mesmo quando estão fechados.
Que mão são essas
Que calejadas insistem em acariciar,
O rosto do teu amor, do teu inimigo, do teu intimo.
Que voz é essa
Que penetra e ecoa,
No vazio da alma, na mente perturbada.
Porque insistes em lutar?
Porque insistes em viver?
Porque insistes em chorar?
Não basta que teu corpo seja a prova do tempo?
Tão pouco as cicatrizes de teus erros e de teus acertos.
Que sobras desejam ter
Se somente o pó vai sobrar,
O silencio ensurdecedor
Ira dilacerar os desejos mais íntimos,
Mesmo o de vida e o que tiver em morte.
320

Noites e dias

Por mais
Que se insista
Em sentir as noites,
Como se fossem as últimas
Da sua vida.
O amanhecer sempre vem
Com suas agonias e alegrias,
Lembrando-nos que depois de uma noite
Sempre existirá um novo dia.
290

Linhas infinitas

Linhas infinitas
Sentimentos inacabados
Figuras abstratas,
Um trago, mais um trago!
Corpos atraídos, copos virados.
A putrefação sentida na sua essência
Decadência, desrespeito, negligência.
Mais um trago, mais um trago!
A trilha sonora que se segue
É o silencio que rompe o escuro,
Noticias de ultima hora
Amaram-se em demasia,
Beberam de mais!
Sonhos e fantasias
Acabaram como tristes,
Mas quase sempre esperadas
Manchetes de jornais!
Enquanto amigos para reverenciar
Imbecilmente conclamam,
Mais um trago, mais um trago!
300

Desejo comum


Desolado coração
Mutilado pela sociedade,
Insano por cultivar esperanças!
Dor que exala pelos teus tristes olhos.
Somente mais um momento
De angustia, dor, de morte,
Caminhas sem saber o por quê?
Viver sem saber para que!
Medo de falar, medo de ouvir, medo de olhar,
Medo apenas de ser notado
Com mais um, ser comum!
Fracassado por não ter o sorriso
Perdedor por não olhar o próprio umbigo.
Revela teus desejos ao mundo
Expõe tua fraqueza diante do inevitável,
Destino comum!
Ser mais que uma sombra
Estar presente e não ausente,
Ser gente, ao invés de indigente!
288

Trapos

Agressão
Distorção, subversão!
Realidade
Descaso, trapos!
Eis o futuro da nação!
301

Estrutura

Domínio publico
Letras, palavras,
Pensamentos proibidos!
Diante dos olhos vendados
Chove realidade em forma de caos.
No sistema de faz de contas
Tanto o povo, quanto a estrutura,
Não conseguem esconder a rachadura.
Que existe na mente, na sociedade que finge,
Na realidade coexistente.
325

Intimo

De repente do olhar
Surgiu a duvida,
E da duvida a certeza
De que sua vida precisava mudar.
Não só de amores e estações
Mas o que possuía
No coração.
308

Meretriz caída


A figura afoita
Caminha manca,
Em meio a solidão!

Olha besta com chifres
Raivosa, com a cara manchada,
Á escoria, desiludida, pavão!

Toca com seu saltitar
O som da ruína,
Melodia da sociedade corrompida.

Cega pelo vil metal
Por desejos além do pão!

Suga toda a esperança
Vinda das veias rasgadas
Da vida, que ao lado da indiferença,
Pergunta! insistentemente?

Quem em meio a cobiça
Não merce morrer?
Se não se valoriza a vida!

Filho da ferida
Que nunca cicatriza,
Meretriz caída
Amor, desilusão.
276

Outros

Outras ruas
Outros ecos,
Outras vozes
Outras mortes.

Entre tantos passos vazios
Sombras, formas deformadas,
Vidas, entre abismos!
Escolhas que se dizem,
Ser em algum momento sorte.

Desejou um sol
Cobiçou uma lua,
Dormiu com pedidos
Amanheceu de mãos vazias.

Entre uma folha
E outra história,
Contos sem fim
Sem final feliz.

Sede de amor
Fome de palavras!

Quer que um estranho lhe diga
Quer que um qualquer lhe toque,
Quer que a morte não lhe encontre
Mesmo que seja entre um copo e outro
Da mais cobiçada face.

Escancara as cicatrizes
Esconde os defeitos
Marcas de uma guerra,
Com falsos vencedores.

Não ha propaganda que sacie
Tão pouco sombra que refresque,
Valor tão barato de um sentimento
Que por hora é apenas lamento.

Azar daqueles que não brindam
Sorte daqueles que não vem,
Entre uma volta e outra da vida
O mundo parece te olhar com um certo desdém.
369

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Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.

Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.

Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.

Links: 

Link para o livro:

http://www.editoraalcance.com.br/loja/ver_todos_produtos_ind.php?id=391

Paginas na internet:

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=68323
https://www.facebook.com/pages/Pablo-Danielli/135413313230522
http://pablodanielli.blogspot.com.br/