Negação
A cada passo que dou na terra
Ouço seus suspiros na guerra
Ao tentar me esconder na caverna,
Chegas com milhares de sóis e lanternas.
Por que tem que ser assim?
Vem sempre atrás de mim.
Nego tua existência e toda materialidade,
Inevitavelmente me faz ver mais da tua fidelidade.
Que fidelidade é essa que me atormenta?
Que arrasta o corpo morto pelo verde pasto,
Parecendo sutil, mas ainda violenta.
Que posso diante de ti argumentar
Se todos meus tremores tornam meu corpo nefasto
E não posso ainda sentir como é te amar?
Por você, lesma
Ian, doce Ian
Fico estarrecida com tua beleza,
Penso em ti, e me torno uma lesma,
Leve-me, Lieutenant.
Ian, doce Ian,
Há poucas rimas para encontrar
Com esse teu nome singular,
Resta-me buscar na pátria alemã.
Em palavras tentarei dizer
O amargo futuro
Em que não poderei te ver.
De vista perderei teus olhos puros
E terei que lembrar, diariamente,
De ti, amargamente.
Infantilidade
Me nego, me nego a acreditar
Naquele que vejo ainda caminhar.
Insisto, persisto em não ver
Ainda que a imensidão azul emane você.
Não quero falar, nem respirar
Tendo ciência de que você está por aí
Me esperando para tudo acertar,
E me lembrar de tudo que te traí.
O amanhã é uma tragédia,
Nem mesmo a merda de uma comédia,
Exala sujeira e muita asneira.
Como posso eu profetizar?
Nem me venha com tuas profecias "verdadeiras"
Se nem do meu lugar posso me levantar.
Decisão?
Para onde ir?
Me abrigar num ninho de ignorância
Ou buscar em chaves sua confiança?
O que acudir? O que abolir?
Não me venha com vãs filosofias,
Ou com palavras que levem ao céu,
Sei como termina cada rima,
Só preciso que me entregue o réu.
Dá me uma casa, um lar,
Aonde posso contigo me encontrar,
Em que a dor não vai mais importar.
Por um tempo, irei me afastar,
Ver o que decide ficar,
E o que decide levar.
Eu e o lagar
Não sei que pedir,
Nem imaginar,
Nesse presente amargo,
Espremida nesse lagar.
Quando eu penso em sonhar,
Logo vem a fenda,
Me mostrar a lenda,
E me colocar em meu lugar.
Ainda assim, espero o dia
Em que poderei cantar
A doce sinfonia.
Sem instrumentos, nem lugar,
Nem regras para estragar.
Só eu e o lagar.
Beulá ao Luar
Cenas noturnas que me invadem a mente,
Que tiram até o jeito de Selene,
Que parou suas perfeitas sonatas ao luar,
E acordou Beethoven, ao nos ver passar.
Mordeu os lábios e se debruçou
Em nuvens aniladas, vários tons,
Ao contemplar os gracejos que me cantava,
Ao sentir a pureza da tua imaculada alma.
Porém, a deusa se embraveceu,
Pois, a noite que dantes era toda umbrosa,
Do teu vigor tomou, depois de muito cortejo teu.
Sem tua conceição, trouxe-me flóreas brisas,
Suave e fino vento,
Que nunca se desfia.
Ósculo do Santo Espírito
O beijo que desperta
Beijo que transforma
Que me carrega
E que me traz a forma.
Toque que acalma
Que derrete a alma,
Segredo que se esconde
No coração de cada brutamonte.
Maciez que desatina,
Destrói, com sopro suave,
Toda areia movediça.
Sim, acalma toda tempestade,
Protege da tirania,
E cobre o coração de Maria.
O SIGNIFICADO DA CONTEMPLAÇÃO
Em meio a sinos e serpentinas,
Orarei sempre, na matina
A Deus e os santos que tanto confio
Que eu nunca me esqueça do flóreo arrepio.
Do cheiro que me impregnou a alma,
Do calor que agitava minha praia,
Da suave brisa de sua presença,
E do corpo, que me parecia a antiga Florença.
Recheada de artistas e de vigor criativo,
Me recordo de ti por muitos motivos.
Por mais que seja única a emoção que a alma sinta,
Como quadro em processo, teu cheiro emana várias tintas.
Obra de arte, consagrada a ser amada
Com teu simples andar, me deixa encantada,
Me torno finalmente enamorada da contemplação!
Depois de te ver, me encontro são.