paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

137

voluntariedade

ir é uma escolha
ficar também 
ainda numa transição 
acho que estou numa missão 
comigo mesma 
às vezes me sinto uma lesma
por demorar a entender 
aquilo que não posso resolver 
tentar segurar
quem não quer ficar 
e inevitavelmente me pôr a chorar
e assim ficar fora do ar
mas enxuguei as lágrimas 
estou aceitando aquilo que me atrapalha
e quem sabe assim diminuir algumas falhas
preciso deixar voar 
e assim sobrevoar 
401

desprotegida

Estou em pânico com a nova realidade que se aproxima

Sinto um mal-estar na barriga

Será uma forma de preparo pro futuro

Do qual sempre fujo? 

197

seca

Enquanto lia um livro
Contorcia meu corpo
Tentando disfarçar
Aquele pulsar 
Como satisfazer 
Sem soluçar?
Alguém iria reparar 

Olho para os lados
Está tudo escuro, 
Silêncio
Viagem cansativa 
Discretamente afasto minhas pernas
Deslizo uma das mãos 

Percebo aquela umidade
Olho ao redor
Preciso continuar
Meus dedos rapidamente buscam uma posição 
Tentando aliviar tamanho tesão 

O risco de ser descoberta 
Aumenta minha adrenalina 
Não posso gemer
Nem me contorcer 

De repente
Sinto alguém tocar meu ombro
...acordo 

Já era dia
Fico atordoada

É o motorista, avisando de mais uma parada 
215

inadaptada

Ficava tão ansiosa em receber músicas
Buscando alguma conexão emocional
Um laço excepcional 
Que causasse ventos interiores 
Brilhos oculares 
Triste!
Comecei nesse vício quando te conheci
E foi daí que tirei meu referencial 
Achando que era algo sem igual 
De tão amável
Parecia infindável 
Minha mente viajava numa velocidade 
Mas o coração atropelava toda e qualquer sanidade
Até hoje, não encontrei nada similar
Já não procuro com a mesma vivacidade 
Vivo em completa opacidade
188

esmorecida

Cansada de existir
Cansada de querer partir
Cansada de desejar sumir
Cansada de sempre desistir
Cansada de ainda me iludir
É tanto cansaço
É tanto fardo
É uma vida de arrasto
214

domingo

É o dia da semana que mais me sinto inútil, sem vontade, sem querer…
Inevitavelmente começo a me culpar
por deixar o tempo passar
e mais uma vez falhar.
Me pego olhando pela janela do quarto
um sol bonito, 
refletido na parede branca, 
é quase possível ver uma aura com tamanho brilho
que até me desvio.
Mas permaneço em meu quarto, 
ouvindo músicas, 
o vai e vem dos carros, 
os latidos dos cachorros, 
minha filha conversando com desenhos animados…
Coisas pequenas, 
que são capazes de me desviar
dessa melancolia que me é tão peculiar.
223

reserva

Estou deitada
Pensando 
Em mais um dia que terminou 
E não fiz nada de útil 
A vontade de te procurar só aumenta 
Mas não posso 
Não devo
Preciso esquecer que te conheci 
Afinal de contas qual é o meu problema?
Cada vez que sinto a sua presença me falta o ar
Evito te olhar 
Dizem que os olhos são o espelho da alma 
Tenho medo que consigas perceber 
Aquilo que me esforço pra esconder
216

fita k7

Era uma aventura, procurar filmes na locadora, andar entre os corredores, os minutos fluíam sem dificuldades. Não tive videocassete, nas poucas vezes que fui numa locadora foi na companhia de algum parente - era visita. 

Achava um máximo: pegar a fita, ver o filme, rebobinar, e devolver no prazo. 

Hoje, o acesso é um pouco melhor - digo isso com base na minha realidade - o catálogo de filmes está logo aí, na palma da mão.

É, deveria estar satisfeita por esse tempo que estou vivendo…...não, não estou 

Sinto um descontentamento voraz: olho a lista de filmes, pulo de uma seção para outra, e nada, nada é capaz de despertar meu interesse.

Chego a pensar que sou ingrata

Tantos outros querem e não podem ter - agora me refiro a qualquer outra situação genérica, além do acesso a filmes - sou um desperdício ambulante! 

273

distúrbio

Queria ter com quem desabafar 
Dizer o que se passa na minha mente 
No meu coração 
A confusão que me consome 
As paranóias que surgem
E não vão embora 
Queria dizer que te admiro 
De alguma forma prendeu a minha atenção 
Como posso te desconhecer?
269

paranóia

Pra escrever coisas bonitas tenho feito uso de subterfúgios…
...filmes

Através deles consigo sentir parte daquele frenesi.

Só assim consigo lembrar que ainda existe aquela coisa sentimental, aquela subjetividade…

Há tempos não perco o fôlego, não sinto minha barriga estremecer, aquela ânsia por ver, tocar, beijar, como se aquele fosse o meu único instante, como se o tempo simplesmente parasse por uma fração de segundo.

Me sinto tola por agir assim

Como se fosse uma adolescente

Infelizmente não tenho com quem compartilhar

Os conhecidos diriam que endoidei - talvez estejam certos

Parece uma sede insaciável, busco, miseravelmente, por algum oásis, algum porto, qualquer coisa que me dê conforto.
264

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!