paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

137

vaporosa

Têm vezes que me sinto uma adolescente de 15 anos
Sempre que vejo os clichês românticos dos filmes 
É como se pudesse sentir a sensação de desejar e ser desejada
Torcer para que os personagens se entendam 
Que seja recíproco 
Me pego perdendo o fôlego com cenas prontas
Roteiro manjado 
Tudo ensaiado 
Mas a sensação sempre brota
Acho que sou terra fértil 
Ou teria uma mente débil?
211

faz de conta

vou me aceitar 
sou assim 
aérea 
sempre flutuando 
1000 roteiros
que não acompanham meus desejos 
sempre florindo 
pra suportar que existo
fugindo da realidade 
na qual faço parte 
decidi:
vou transformar isso em arte!
291

dermatilomania

mais uma casca cicatrizada
me pego olhando pra ela
a vontade começa a aumentar 
passo os dedos 
e sinto que a casca está no ‘ponto’
sei que não é sadio 
e por alguns instantes hesito
quando lembro das marcas 
nas pernas 
nos braços 
no rosto 
até desanimo 
mas é difícil lutar 
com aquilo que não se entende 
tenho vergonha! 
tento esconder 
me cobrir 
mas isso não me impede 
em continuar a me ferir
213

empobrecida

aos poucos 
estou parando de buscar 
tem sido difícil sonhar
a fertilidade passou
hoje sou terra árida 
nenhuma semente cria raiz 
ainda assim 
não deixei de existir
293

abstinência

ainda busco aquela fluidez 
você começava 
eu terminava 
tudo se entrelaçava
a gente continuava 
de onde parava 
mais eu almejava 
aí foi a minha falha
depois de um tempo 
tudo destoara
ninguém se falava 
ainda ansiava 
pela sua fala
tola!
o ciclo foi cumprido 
e voltamos a ficar perdidos
244

doente

Estava olhando seus detalhes
Engraçado que não tenho motivos pra isso 
Quer dizer
Minha mente está sempre no alto
Sempre flutuando
E não consigo pensar de outra forma
Parece que estás me servindo de inspiração 
Talvez isso seja bom
Ainda não sei
Mas não quero me enganar
Sei que este meu defeito
Vai me atrapalhar
358

teimosia

Você se aproximava
E já se desculpava 
Por tanto contratempo 
E ressentimento 
Parecia verdadeiro
Aquele cumprimento 
Abaixava a cabeça
Esperando alguma certeza
Erguia meu queixo
Já sabia o desfecho
Foi intenso
Mais do que era esperado
Podia ser foto de retrato 
Boba!
Era apenas um sonho…
...apenas uma bolha
233

impermanência

Em 4 meses perdi duas pessoas que estavam me ajudando no processo de autoconhecimento. A minha primeira perda significativa foi a morte do meu pai, e até hoje não me reergui completamente. Mas naquela época tinha 19 anos, sem o menor senso do que era viver, ainda estava naquela fase juvenil, onde é natural imaginarmos que as coisas são assim ou assado, e pronto, não se pensa no fim. 

Desde então tenho colecionado perdas quase que sucessivas, tento não me apegar, justamente pra não sofrer quando findar, logo, não aproveito o percurso. 

Me falta compreensão
Esta é a razão!

Nos últimos tempos parece que isso tem se intensificado: 
já não espero pela permanência 
já aceito a ausência...   

334

desvalia

por que alguém me procuraria?
não tenho nada pra oferecer 
logo, faz todo sentido ser ignorada quando se é invisível, 
sem importância…
insignificante...
sou um problema ambulante 
as pessoas que procuro são educadas 
mas dificilmente me procuram 
e tudo bem!
escolhemos pessoas que nos deixam alegres 
que temos alguma sintonia 
e não àquelas que exalam melancolia
412

ocirtíc

Ontem um menininho entre 08 e 10 anos me abordou na feira, a princípio pensei que queria pedir algo, comida, algum trocado, ajuda, enfim, mas ele perguntou:

- Moça, você quer comprar limões? Essa bacia é R$3,00
Não tinha planos de comprar limões mas lembrei que realmente precisava, mas não é isso que importa, quis partilhar isso porque é algo que me tocou na verdade a condição humana sempre me interessou. 

E, sendo uma criança, fiquei tocada…

Fitei seu rosto, e pude notar que apesar da pouca idade aparentava ter uma maturidade que eu mesma não tinha com a mesma idade, enquanto tentava separar o dinheiro:

- Quero sim, essa bacia aqui, por favor…
- Essa daqui é R$5,00…
- Ah sim, então pode ser essa que você me mostrou
- Tá ok...e essa aqui vai de brinde - e sorriu
- Obrigada
Peguei a sacolinha e segui meu caminho e o menininho guardou seus trocados no bolso. 

Benditos limões!
357

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!