paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

137

distúrbio

Queria ter com quem desabafar 
Dizer o que se passa na minha mente 
No meu coração 
A confusão que me consome 
As paranóias que surgem
E não vão embora 
Queria dizer que te admiro 
De alguma forma prendeu a minha atenção 
Como posso te desconhecer?
273

empobrecida

aos poucos 
estou parando de buscar 
tem sido difícil sonhar
a fertilidade passou
hoje sou terra árida 
nenhuma semente cria raiz 
ainda assim 
não deixei de existir
300

paranóia

Pra escrever coisas bonitas tenho feito uso de subterfúgios…
...filmes

Através deles consigo sentir parte daquele frenesi.

Só assim consigo lembrar que ainda existe aquela coisa sentimental, aquela subjetividade…

Há tempos não perco o fôlego, não sinto minha barriga estremecer, aquela ânsia por ver, tocar, beijar, como se aquele fosse o meu único instante, como se o tempo simplesmente parasse por uma fração de segundo.

Me sinto tola por agir assim

Como se fosse uma adolescente

Infelizmente não tenho com quem compartilhar

Os conhecidos diriam que endoidei - talvez estejam certos

Parece uma sede insaciável, busco, miseravelmente, por algum oásis, algum porto, qualquer coisa que me dê conforto.
268

faz de conta

vou me aceitar 
sou assim 
aérea 
sempre flutuando 
1000 roteiros
que não acompanham meus desejos 
sempre florindo 
pra suportar que existo
fugindo da realidade 
na qual faço parte 
decidi:
vou transformar isso em arte!
299

abstinência

ainda busco aquela fluidez 
você começava 
eu terminava 
tudo se entrelaçava
a gente continuava 
de onde parava 
mais eu almejava 
aí foi a minha falha
depois de um tempo 
tudo destoara
ninguém se falava 
ainda ansiava 
pela sua fala
tola!
o ciclo foi cumprido 
e voltamos a ficar perdidos
248

teimosia

Você se aproximava
E já se desculpava 
Por tanto contratempo 
E ressentimento 
Parecia verdadeiro
Aquele cumprimento 
Abaixava a cabeça
Esperando alguma certeza
Erguia meu queixo
Já sabia o desfecho
Foi intenso
Mais do que era esperado
Podia ser foto de retrato 
Boba!
Era apenas um sonho…
...apenas uma bolha
237

impermanência

Em 4 meses perdi duas pessoas que estavam me ajudando no processo de autoconhecimento. A minha primeira perda significativa foi a morte do meu pai, e até hoje não me reergui completamente. Mas naquela época tinha 19 anos, sem o menor senso do que era viver, ainda estava naquela fase juvenil, onde é natural imaginarmos que as coisas são assim ou assado, e pronto, não se pensa no fim. 

Desde então tenho colecionado perdas quase que sucessivas, tento não me apegar, justamente pra não sofrer quando findar, logo, não aproveito o percurso. 

Me falta compreensão
Esta é a razão!

Nos últimos tempos parece que isso tem se intensificado: 
já não espero pela permanência 
já aceito a ausência...   

340

desvalia

por que alguém me procuraria?
não tenho nada pra oferecer 
logo, faz todo sentido ser ignorada quando se é invisível, 
sem importância…
insignificante...
sou um problema ambulante 
as pessoas que procuro são educadas 
mas dificilmente me procuram 
e tudo bem!
escolhemos pessoas que nos deixam alegres 
que temos alguma sintonia 
e não àquelas que exalam melancolia
420

doente

Estava olhando seus detalhes
Engraçado que não tenho motivos pra isso 
Quer dizer
Minha mente está sempre no alto
Sempre flutuando
E não consigo pensar de outra forma
Parece que estás me servindo de inspiração 
Talvez isso seja bom
Ainda não sei
Mas não quero me enganar
Sei que este meu defeito
Vai me atrapalhar
363

humano

Enquanto o motorista esperava o sinal verde 
ela percebeu alguém prostrado
era um senhor, provavelmente mais de 70 anos
perguntou a sua mãe:
- O que ele tá fazendo?
- Olhando o movimento dos carros
continuou:
- Ele tá sozinho?
- Sim, está…
- Não tem ninguém pra cuidar dele? a mãe, o pai, o irmão…
A mãe não acreditou na pergunta, e pediu para que repetisse, e assim ela fez
- Não sei, L… 
Os olhos da sua mãe nesse momento se encheram
mas se segurou
não caiu nenhuma lágrima
Lembrou-se de alguém 
próximo, querido, que já havia partido
431

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!