Comprei duas pulseiras Para amigas especiais Cada uma diferente Mas o sentimento era igual A primeira ficou feliz Recebeu com satisfação Fiquei comovida Lembrando fico até lívida A segunda nem tive chance Antes mesmo de marcar o dia Ela já tinha saído da minha vida Sem aviso Sem por que Até hoje não consigo entender Tive que ficar com a pulseira Sempre que a olhava Brotava uma sensação de desgosto Chegou a gerar até desconforto Mas aquela primeira tinha florescido Tanto que a segunda ficou esquecida Já não doía a partida Foram meses muito bons Ouvia mas também falava Era uma troca Não tinha como ter falha Ela me deu um par de brincos Eram argolas Com purpurina prata Que com o reflexo da luz brilhava Mas isso mudou Assim como a segunda A primeira também sumiu Sem dizer o que fiz O que aconteceu Não sei o que se deu com a primeira pulseira Depois de um tempo Me desfiz dos brincos Pra quê continuar existindo? Cansei! Não vou mais buscar Algo que não foi feito pra mim Talvez esse seja o momento de parar E respirar Quem sabe me isolar E chorar Até não ter mais o que lamentar
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diário I
Descobri que posso alimentar meu vício em paixões por meio dos livros: parece que minha mente é inundada por ocitocina, mesmo com histórias tão clichês.
Talvez essa seja a saída que procurava, não precisar buscar paixões pra sentir aquele flutuar.
Parece que artificialmente estou conseguindo a mesma sensação, a diferença é que não é com alguém real, não há reciprocidade, nem expectativa, o roteiro vem pronto, logo, a chance de decepção é muito pouca, me arrisco a dizer que seria inexistente.
Demorei pra perceber que esse romantismo está apenas na minha mente fora dela não existe mais nada, apenas lágrimas, sofrimento e desapontamento.
Vou tentar aprender a amar aquilo que me faz bem!
Até escrevendo estas linhas sinto que estou aérea, é como se durante a escrita vivesse em outro mundo, capaz de me transportar pra qualquer lugar…
Isso não é normal, acho que isso explica esse sentimento de inadequação permanente que carrego desde sempre.
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diário II
Hoje, não tenho motivos pra estar triste, mas estou…
É um torpor que não passa
Meus olhos pesam, como se tentassem me obrigar a fechá-los, e deixar o sono me pegar.
Na maioria das vezes cedo, durmo por um período de horas, geralmente a tarde, e esse é o único momento que não penso, nada dói, seria como um efeito analgésico.
Agora mesmo, estou sonolenta, sinto vergonha, por ver pessoas normais tocarem suas vidas, seus objetivos, e eu? Vegeto, apenas isso.
Chego a pensar que estou ocupando o lugar de alguém, que queria viver verdadeiramente mas não teve chance.
Sou um desperdício ambulante.
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desembuchar
Acho que minha vida sempre foi pautada em uma fantasia é triste constatar isso. Estou alguns meses sem fazer análise, então ainda não sei como estou lidando com esse presente que de presente não tem nada.
Aquele que vive de forma semelhante vai se identificar: um pequeno sinal - mesmo irrelevante - já é capaz de fazer minha mente girar. É como se minha mente fosse uma terra fértil, propício a esse tipo de situação.
Tento fugir, mas quando percebo já estou repetindo o mesmo ciclo, as mesma atitudes, nesse momento me sinto fracassada…
Deixo de iniciar conversas por receio de perceberem minha condição, então, prefiro permanecer na minha insignificância, invisível, passando vontades, não estabelecendo pontes.
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familiar
estou ansiosa sedenta por sentimentos onde buscar? não há lugar nem pessoa que possa me dar meus olhos estão cansados meu ser esgotado tento ficar em pé mas meu corpo já acostumou a sentir o chão e permanecer em completa solidão
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toada
não tinha percebido que há muito tempo usava melodias como conexão até sentir os sintomas de privação
Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.