paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

Perfil
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oco

estou sumida

quem sabe um pouco perdida

levando a vida de forma distraída

mesmo em completa delusão

não ouso uma ação 

que me traga alguma satisfação

até meu piscar 

tem um certo demorar 

sempre torcendo 

pra nunca mais acordar
Ler poema completo

Poemas

137

quarentena

a cada caminhada
te via na lagoa
sentava na grama
respirava fundo
sentia o sol
mesmo nos dias nublados
precisava ir no meu quintal
mas agora está tudo diferente 
o sol está limitado 
num espaço 4x4
223

simulacro

É interessante como não se pode fingir por muito tempo. A escorregada é inevitável, e aquela imagem criada simplesmente se despedaça. E pensamos: como não percebi?
Parece que a ideia que fazemos sobre alguém prejudica, em parte, nosso discernimento. 
Não passando apenas duma fantasia…
Fantasias mexem conosco, despertam aquilo que nem sabíamos que existia, conseguem estremecer, arrepiar…
Desculpa pela viagem, mas durante esse efeito não consigo enxergar defeitos.
186

embotar

Não bebo
Não fumo
A cama e o travesseiro 
São as únicas coisas que uso

Sempre que preciso fugir
Por alguns instantes
É como se deixasse de existir
Minha mente se desprende
Tornando tudo mais dormente

Nada dói
A lágrima não corrói
Pareço livre e normal
E não um completo caos

Quanto mais durmo
Mais entorpecida fico
Meus olhos vivem pesados
Parece que estão sempre dopados

Minha mãe sente pena
Queria lhe dar orgulho
Ter algum futuro
Encontrar alguma luz no fim do túnel


210

irresolúvel

Fico esperando um retorno seu
Zero notificações
Mesmo fazendo algo
Minha mente não aprende as lições

No fundo sei
Não tem importância 
Mas insisto em dar relevância 
Antes, tentava fugir
Da minha própria mente
Loucura!
Policiar é em vão 
Sempre traio a mim mesma
Me nego perdão

Já tentei mudar
Usando da resiliência 
Contra essa dependência 
Mas quando percebo
Estou no mesmo vício 
Parece um ciclo infinito
200

pasta

Acordava, ia no banheiro, olhava no espelho, nada de novo, pegava aquela pasta, de tubo metálico, tampa verde bandeira e amarelo feito áurea, espremia ao máximo, já estava no final, era aí que eu lembrava daquela pasta que tinha na casa da minha tia: vermelha, diferente, e brilhosa...
O resultado era o mesmo mas achava aquilo tão original.
Aos 7 anos tudo que é do outro sempre parece mais legal.
Hoje em dia, eventualmente, compro essa mesma pasta, e minha mente que não falha, trás tudo à baila...
199

arraigado

Caí no mesmo ciclo
Naquele velho vício
De procurar aquilo que não é da minha conta
Apenas para alimentar
Aquilo que me faz chorar

Insegurança e paranóia
Sempre me impediram
De enxergar além
Enxergar que não posso controlar 
Pra onde vais olhar 

E o tempo me ensinou
Os anos ampliaram a minha visão
E deixei de dar solidez àquilo que é apenas ilusão
195

sinuca

tenho sérias dificuldades em lidar com términos e com o desconhecido
isso é diário…
chega a ser incapacitante, e acabo me sentindo uma bosta completa justamente por não conseguir conduzir minha vida e ter domínio sobre ela
vínculos são prejudicados e dificilmente consigo reatar aquele efeito inicial
e sempre que me vejo diante disso - términos e/ou o desconhecido - meu único desejo é de sumir, pra não ter que encarar aquilo que evito…
216

armadilha

a sensação do toque
enquanto envolve minha cintura devagar
é inominável 
enquanto olha nos meus olhos 
sinto meu rosto queimar 
impossível te evitar 
estou sem graça 
o ar me falta...
...é aí que tudo falha
e você me larga
203

libido

Hoje esbarrei numa nova amizade
Totalmente aleatória
Minha energia está fluida 
Isso é bom!
Tô buscando ter uma mente mais aberta
Ficar mais desperta 
Quem sabe menos séria
198

recaída

é isso, quero morrer
não tenho o que fazer aqui
já conheci
provei
tentei
algumas coisas dessa vida 
e já está bom 
não aguento ter mais nenhuma desilusão
212

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!