parente22

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Um homem, na sombra, que escreve na medida em que sofre.

n. 1991-01-00

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00:28:11:02:26

Tenho vontade de escrever,
Como se fosse preciso registar
Que não estou triste.
E dá para ver.
Dá-se-me para isso, 
Muito pouco, 
Se estou assim.
Alheado.
E eu estou apaixonado. 
Julgo sabê-lo,
Porque tenho esperança, 
Confiança, 
E acalento
Vontades, 
Desejos
Alimento, sonhos,
De me entregar,
A quem apareceu,
Do breu 
Finalmente capaz,
De me dar paz.

Hoje só quero registar,
Que se nunca mais escrever, 
É porque na medida do que sofro,
Escrevi.

Ler poema completo

Poemas

13

03:02:23:01:24

Confesso,
Meti uma mulher na minha casa.
Um abecesso. 
Na esperança do desconhecido, 
Na vontade de mudança.
Esperança, efémera. 

Não querendo, procurei te.
O toque, o cheiro, 
Nada se assemelhou.
Fechei os olhos e desejei te, 
E não eras tu, 
E nunca serás.
Ou, 
O barco passou e partiu
E fico a ver da costa, 
Na esperança ténue, 
Vã, 
Que um dia volte.
Ou 
Reclamo da sorte 
E vivo esta vida de desnorte.

São ambas a mesma coisa, 
Ei, que corte.
Que morte.
Não sei como te aborte.
47

03:42:06:01:24

Bah,
Como eu te amo.
Como tenho saudades tuas.
De te tocar,
Te cheirar,
De ver o teu sorriso.
De fazer amor contigo.
Era bem capaz, de trocar,
Seja qual for o tempo que me reste
Por um dia inteiro contigo
Simples,
Livre,
Banal,
Completamente ordinário.
Um abraço longo no sofá 
E uma sesta.
E o descanso eterno.
Está bom para mim.
Ah, como te invejo
Que imagino
Que não seja uma janela de pop up na tua mente
Como tu és na minha cabeça
Diariamente
Dezenamente
Obstinadamente.
Tenho uma memória boa demais
Lembro dos detalhes
Dos momentos
Fotográficos,
Mas também do que senti
Da intensidade que sorri
Do que vivi
Quero apagar tudo, 
Sem esquecer nada.
Desejo substití, 
Pela regra que instituí, 
De tentar não lembrar de ti. 
Mas o alzheimer não funciona a pedido
E continuo a pressionar a mesma tecla
Over and over again
"Onde foi, 
Onde foi que te perdi." 
Falo e grito daqui, 
E não me ouves. 
Anseio por um sinal que não virá, 
Enquanto me atesto
Que estou cada mais adaptado... 
Mas cada dia manifesto, 
Periclitantes desejos que não contesto,
Por manifesta incompetência, o que será... 
Num sopro, 
Num segundo.
Sinto me tão só,
Vai qualquer inteligência, 
Sou nada, 
Somos nada. 
Oh.

94

21:21:02:01:24

Já não escrevo linhas destas,
Desde os meus 18 anos não as via. 
Sofri o meu primeiro desgosto de amor,
E achei que faleceria.
Não levaram a nada,
Mas a esse amor as entreguei.
Disse me que as queimou,
E nessa altura eu chorei.
O tempo passou e fui me dando conta,
Que continuava vivo no entretanto.
Voltei a apaixonar me e a acreditar,
E não voltei a escrever a este santo. 
14 anos depois aqui chegar, 
Desilude. 
Por não ter aprendido.
Por não praticar a solicitude.
Bate me na cara com toda a força,
O impacto que provocaste em mim,
Achei que tinha crescido,
Mas sou o mesmo benjamim:
Frágil, 
Inocente, 
Pouco confiante. 
Tomei muitas decisões erradas, 
Acabo a pagá-las a jusante.
Porém por ter quase a certeza, 
Que no fim disto também não devo falecer... 
Pois bem, 
Continuo a escrever.
Porque uma parte de mim
Dava tudo para te ver, 
E a outra,
Te esquecer.
Uma dicotomia, 
Constante. 
Que me impede de viver.
62

02:00:02:01:24

Este é um fogo
Que arde descontrolado,
E que,
Continuo ainda,
A tentar apagar com gasolina.
Oxalá esta acabe,
E o fogo se pudesse extinguir. 
Pareço no entanto, 
Preferir,
Continuar neste processo
De auto flagelação. 
Uma perda de noção, 
Porque houve um retrocesso
E a vida paralela que intimamente, 
Secretamente, 
Gostaria de ter, 
Pressupõe uma pessoa, 
Que já não julgo haver. 
Tento esquecer te, 
Lembrando me de ti. 
Tento superar, 
Continuando a incendiar. 
Vai gasolina, vai! 
Continua a boicotar! 
Um viva a mim, 
Que Idiota, 
Sem conseguir ultrapassar. 

61

06:53:01:01:24

No final deste ano, obrigado.
Sofri, e sofro.
Hoje sofro muito,
Por tua culpa
Por minha culpa.
Mas no global 
Essêncial
Fundamental 
fiz e fui
Coisas e momentos
Felizes... 
Que nunca esperei.
Obrigado por
Teres estado aqui.
54

03:30:30:12:23

A carta final.
Proponho me a escrever,
Umas últimas linhas,
Antes de enlouquecer.
Tenho pensado demasiado,
E escrito para me entreter 
Mas decidi agora que é só este,
Que te vou deixar ler.
Na realidade não entretém,
Mas é como se falasse contigo,
Sinónimo de chanfradice,
Resultado do que não consigo:
Evitar reviver, escamotear.
Sinto a tua falta todos os dias,
Não me parece que vá passar. 
O som está em mono,
E para estereo não vai.
Eu questiono, 
Mas não sei como este vírus sai.
Acho que não me devo repetir.
Mas sinto me demasiado... 
Como um espumente sem ser gasificado,
Ou um comedor enfastiado. 
Na certeza que desististe, 
Angustiado, desaparado, triste.
Não há outra opção. 
"Ah faz assim faz assado."
Isto não foi uma banalidade!
Não tive quando te comecei a amar.
Oportunidade
Como nunca ninguém teve de tal verdade. 
Com todo o meu coração.
Assim, como também desisti.
Senti que não tinha opção. 
Se disseste que não valia a pena tentar, 
E que tinhas chegado ao teu limite, 
Os problemas não estavam a começar, 
Julguei nos para lá do que se permite...
E com a coragem que nunca mais senti. 
Quis te largar.
Sair do teu planeta. 
Hoje cortava um braço para te abraçar. 
E era feliz maneta. 
E a lição depois aparece, vejamos:
Quando achei que estava a ser, enfim, corajoso,
Afinal estava aos teus olhos malicioso
A não respeitar o que passamos.
Lamento.
Tentei ser bom, 
E dei o meu melhor. 
Mesmo sem me dares qualquer palavra de gratidão, 
Eu postro-me sem pudor e com satisfação.
E escrevo profundo e com certezas.
Faz te feliz Glória.
Foi incrível viver contigo enamorado. 
Serás para sempre o meu amor.
E o que vivemos
Para sempre vai ser recordado.
60

02:35:29:12:23

Hoje passei mais de uma hora sem pensar em ti.
Foi bom.
Mas pensar em ti também é agradável,
Nunca omiti, 
Até que recordo
Que já não existes nem és afável.
Imagino onde estás,
Como estás,
Estás bem e feliz?
Como é a tua dimensão?
Te apraz? 
Já beijaste outro homem,
Já te tocaram ou não?
Curiosidade, não é.
Preocupação, talvez.
É inquietação e desespero ou irritação, 
Por não te ver outra vez.
Dantes escrevia textos,
Quando estavas na Índia ao deitar,
Contava as horas para te rever,
Agora conto os dias sem ti
Tentando te esquecer.
E é o que tinha para falar,
Estou um bocadinho melhor.
Não está a dar para desligar, 
Mas estou a dar o meu melhor. 
Já conclui porquê,
O amor ainda é maior do que pensei
Se calhar daí não se vê, 
Não me digas, eu já sei. 
Se calhar culpas me pelo que nos aconteceu, 
Para estarmos à parte, 
Mas eu vou sempre ser teu, 
Seja aqui ou em Marte.
Não quer dizer que me reclames,
Eu sei que não vais voltar atrás. 
Mas um dia que me chames, 
Pode ser que traga coisas não tão más.
Vá, não te vou mais perturbar
Obrigado por me teres ouvido. 
Se calhar ainda me vou masturbar, 
Merda, 
Vais voltar e não estava precavido. 

Só assim, 
Na minha imaginação. 
Fazemos amor. 
Um frenesim. 
Uma alucinação.
Adoro dor.
60

04:29:26:12:23

Tenho tantas saudades tuas.
Oxalá pudesse te dizer.
O quanto sinto a tua falta.
Mas não posso.
Não é suposto.
Mostraria o meu desequilíbrio, 
A quem me conhece nu 
Mas que não devo interpelar, 
Pois isso podia significar
Que queria batalhar
E na minha cabeça,
Não tenho a certeza.
Quer dizer, 
Tenho certeza que quero. 
Mas não se sou capaz de vencer.
Por isso, também, é que estou errado.
Mas, 
Como do teu lado está tudo silenciado,
Portanto até devo ter acertado. 
E é para esquecer. 

Momentos incríveis na gaveta de uma mesinha de cabeceira duma mulher que não sabe onde guardou nada, vão se perder com facilidade. Que merda.
57

03:39:26:12:23

Estou apavorado.
Que não ame mais ninguém,
Como a ti.
Estou angustiado,
Porque não consigo estar assim,
Não consigo respirar,
Não consigo tirar cor,
Seja do que for.
Estou zangado,
Por não ter aproveitado
Para te tocar uma vez mais. 
Estou desiludido, 
Que com esta idade, 
Ainda não tenha conseguido
Ter mais controlo sobre mim. 
Estou aqui. 
E tu em qualquer lado. 
Eu estou onde me aleijo
No lugar preciso e exato,
Onde demos o primeiro beijo.
E tu não sei, 
Mas se fechar os olhos, 
Imagino nos numa vida paralela, 
Onde ainda fazíamos par. 
E é por isso que sei, 
Que preciso de me tratar.
55

04:03:26:12:23

Um dia,
Disseste que chegaste ao teu limite. 
E eu concordei e anui. 
Devia ter dito
Que não posso viver sem ti. 
Disseste que já tentamos o que tínhamos a tentar.
Li decisão e derrota,
Fiz a minha revolta,
E quis precipitar.
Escrevi te uma carta de amor
E de despedida, 
E devia saber
Que quando a fosses ler, 
Seria com os teus olhos, 
Não os meus. 
Merda de coração e cabeça
De julgamento, de complicação
De pensamento infinito
Incontrolável.
Só devia ter,
Sei lá.
...
Levado as coisas com mais calma, 
Não é? 
Desde, sempre? 
Não atirar pedras se me sinto atacado, 
Não julgar se o teu pensamento é diferente... 
... 
Oxalá pudessemos um dia.
Voltarmos a nos encontrar. 
Se não acontecer, 
Que pelo menos sintas o carinho, Profundo, 
Que estas palavras
Significam para mim dar. 
Ou talvez este papel fique rasgado, 
Junto aos despojos do passado, 
Duma vida que foi ao ar, 
E nada tenhas ouvido. 
Mas para mim importa dizer,
Desabafar. 
Porque te amo,
Não o consigo dominar 
E apesar de nunca teres ligado muito,
És e serás a mulher da minha vida. 
Que podia muito bem ter sido.
Mas não foi.
64

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