Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
70 700 Visualizações

Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
Ler poema completo
Biografia
Para Comprar:
http://www.lulu.com/shop/search.ep?type=&keyWords=paulo+gil&sitesearch=lulu.com&q=&x=8&y=9

Reservados Todos os Direitos de Autor

“ Poesia Eterna Parte I”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1208142122416

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

114

Empatia







Só Eu verdadeiramente te conheço,

Como um Anjo da Guarda te protejo,

Vou e venho com a brisa do Tejo,

Vou contigo e em Ti permaneço.

As lágrimas e os soluços sufocantes,

Decifraram o enigma da Vida,

Nas ondas do mar consolantes,

Vim com a maré e o luar convida.

Partilhaste a tua dor comigo,

Numa noite fria e soturna,

Cheguei com a luz da aurora amigo,

E iluminei-te a face taciturna.

Desfizeram-se os teus sonhos de mulher,

Simplesmente porque já cresceste,

Sorveste o último laivo à colher,

Vim com a chuva e a rua desceste.

Se a tristeza não te abandonar,

Vai de manhã logo de madrugada,

Deixar a tua alma liberta voar,

Eu logo virei com a Morte abrigada.

Se andas sozinha no Mundo,

Vem com o vento levemente,

Vem comigo lá bem ao fundo,

Onde as sombras inebriante a mente.

Fecha a porta à imaginação,

Deixa irem embora os sentimentos,

Larga os teus sentidos à extinção,

Ao vazio deixa os desalentos.

Porque a Noite é reconfortante,

Meiga e companheira fiel,

Deixa-a embalar-te bastante,

Adoçar-te a alma neste Mundo fel.

Porque ela é incolor também,

É a paz infinita com certeza,

Eterna para além de todo o bem,

O silêncio impera sem música nem tristeza.

Eu te reconfortarei à noitinha,

Porque eu não existo como tal,

Eu nada sou e não és minha,

Deixa de ser comigo e dá a vida como aval.

LX, 17-7-2001

825

Ser ou não Ser

Inquietude que me tormentas,

Dia e noite, de manhã, à noitinha,

Sob o peso da consciência lamentas,

Invocaram-me numa ladainha.

Alma enclausurada e escondida,

Com medo da luz das trevas,

Insultada, ultrajada e perdida,

Diluiu-se numa aurora em névoa.

Fui à sua procura um dia,

Demorei tempos afim, uma vida,

Procurei em vales onde me perdia,

Só, chorei a perda sofrida.

Deixaste-me para sempre só,

Não levaste contigo o pensar,

Ele vai-me consumir até ser pó,

Pensamentos o Fim hão-de lembrar.

A cambalear o caminho prossigo,

Não sei o destino, ao que vou,

Implorei ao vento um abrigo,

Sussurrou e as folhas com ele levou.

Continuo a minha busca incessante,

Subo montes, procuro-te no céu,

Os passos conduzem-me avante,

O vento cessou, só a chuva permaneceu.

O corpo envelheceu devagar,

Coberto de sofrimento atroz,

Cansado de tanto procurar,

Ousou um dia ser um albatroz.

Para poder voar sobre o Mar,

Vaguear por entre as nuvens,

Eternamente sustentado pelo ar,

Apelei à Lua por ti, mas não vens.

Por fim o pavio esfumou-se,

Por fim o trilho esgotou-se,

Por fim a alma esgueirou-se,

Por fim a resposta materializou-se.

Afinal a Alma era Eu próprio,

Final era Eu a sombra existencial,

Afinal era Eu poeira sideral,

Afinal Deus era Eu próprio.

LX, 7-9-2001

768

Encerrado



Fechem as fábricas,

E as escolas também,

Fechem as bocas,

Tudo muito bem.

Fechem os corações,

Aos sentimentos,

Fechem as prisões,

Aos comportamentos.

Fechem as igrejas,

À moralidade,

Fechem as invejas,

Na obscuridade.

Fechem o caixão,

Duma vez por todas,

Não deixem tostão,

Esqueçam as bodas.

LX, 19-10-2001

827

Antítese

Um certo dia nasceu a luz,

Antecedeu-lhe a sua identidade,

Gerada das trevas como pus,

Fez jus à sua luminosidade.

Um certo dia nasceu a música,

Desafiou o silêncio instalado,

Ecoou por aí evasiva e mítica,

Quebrou o meu coração gelado.

Um certo dia nasceu a consciência,

Ávida por respostas a tudo,

Criou o entendimento da aparência,

Vingou o caos do existencialismo mudo.

A vida não passa duma ilusão Universal,

Um certo dia extinguir-se-á sozinha,

A noite eterna virá silenciosa como tal,

O sonho da criação desvanece e definha.

As trevas instalar-se-ão devagar,

A música deixará de se ouvir,

Os músicos há muito deixaram de tocar,

E a vela do candelabro deixou de luzir.

LX, 17-11-2001
800

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.