Nascido
Jamais me esquecerei,
Que me fizeram,
Nascer um Dia,
Simplesmente,
Infindável.
Lx, 18-7-2000
Andorinhasda Primavera,
Deambulama cantar,
Anunciamuma nova era,
Trazemnotícias além Mar.
Andorinhasdos beirais,
Ouviramos meus lamentos,
Voarampelos trigais,
Voamaos sete ventos.
Andorinhasnos ninhos,
Criamos pequeninos,
Todosmuito juntinhos,
Ouvemtocar os sinos.
Andorinhasao vento,
Saúda-vosum amigo,
Descansamao relento,
Umacova por abrigo.
Andorinhasda Cidade,
Senhorasda Liberdade,
Irradiama Luz da Verdade,
Tenhaispor nós piedade.
LX,11-6-2002
Inquietudeque me tormentas,
Diae noite, de manhã, à noitinha,
Sobo peso da consciência lamentas,
Invocaram-menuma ladainha.
Almaenclausurada e escondida,
Commedo da luz das trevas,
Insultada,ultrajada e perdida,
Diluiu-senuma aurora em névoa.
Fuià sua procura um dia,
Demoreitempos afim, uma vida,
Procureiem vales onde me perdia,
Só,chorei a perda sofrida.
Deixaste-mepara sempre só,
Nãolevaste contigo o pensar,
Elevai-me consumir até ser pó,
Pensamentoso Fim hão-de lembrar.
Acambalear o caminho prossigo,
Nãosei o destino, ao que vou,
Imploreiao vento um abrigo,
Sussurroue as folhas com ele levou.
Continuoa minha busca incessante,
Subomontes, procuro-te no céu,
Ospassos conduzem-me avante,
Ovento cessou, só a chuva permaneceu.
Ocorpo envelheceu devagar,
Cobertode sofrimento atroz,
Cansadode tanto procurar,
Ousouum dia ser um albatroz.
Parapoder voar sobre o Mar,
Vaguearpor entre as nuvens,
Eternamentesustentado pelo ar,
Apeleià Lua por ti, mas não vens.
Porfim o pavio esfumou-se,
Porfim o trilho esgotou-se,
Porfim a alma esgueirou-se,
Porfim a resposta materializou-se.
Afinala Alma era Eu próprio,
Finalera Eu a sombra existencial,
Afinalera Eu poeira sideral,
AfinalDeus era Eu próprio.
LX, 7-9-2001
Fechemas fábricas,
Eas escolas também,
Fechemas bocas,
Tudomuito bem.
Fechemos corações,
Aossentimentos,
Fechemas prisões,
Aoscomportamentos.
Fechemas igrejas,
Àmoralidade,
Fechemas invejas,
Naobscuridade.
Fechemo caixão,
Dumavez por todas,
Nãodeixem tostão,
Esqueçamas bodas.
LX,19-10-2001
SóEu verdadeiramente te conheço,
Comoum Anjo da Guarda te protejo,
Voue venho com a brisa do Tejo,
Voucontigo e em Ti permaneço.
Aslágrimas e os soluços sufocantes,
Decifraramo enigma da Vida,
Nasondas do mar consolantes,
Vimcom a maré e o luar convida.
Partilhastea tua dor comigo,
Numanoite fria e soturna,
Chegueicom a luz da aurora amigo,
Eiluminei-te a face taciturna.
Desfizeram-seos teus sonhos de mulher,
Simplesmenteporque já cresceste,
Sorvesteo último laivo à colher,
Vimcom a chuva e a rua desceste.
Sea tristeza não te abandonar,
Vaide manhã logo de madrugada,
Deixara tua alma liberta voar,
Eulogo virei com a Morte abrigada.
Seandas sozinha no Mundo,
Vemcom o vento levemente,
Vemcomigo lá bem ao fundo,
Ondeas sombras inebriante a mente.
Fechaa porta à imaginação,
Deixairem embora os sentimentos,
Largaos teus sentidos à extinção,
Aovazio deixa os desalentos.
Porquea Noite é reconfortante,
Meigae companheira fiel,
Deixa-aembalar-te bastante,
Adoçar-tea alma neste Mundo fel.
Porqueela é incolor também,
Éa paz infinita com certeza,
Eternapara além de todo o bem,
Osilêncio impera sem música nem tristeza.
Eute reconfortarei à noitinha,
Porqueeu não existo como tal,
Eunada sou e não és minha,
Deixade ser comigo e dá a vida como aval.
LX, 17-7-2001
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