Nascido
Jamais me esquecerei,
Que me fizeram,
Nascer um Dia,
Simplesmente,
Infindável.
Lx, 18-7-2000
Só
Eu verdadeiramente te conheço,
Como
um Anjo da Guarda te protejo,
Vou
e venho com a brisa do Tejo,
Vou
contigo e em Ti permaneço.
As
lágrimas e os soluços sufocantes,
Decifraram
o enigma da Vida,
Nas
ondas do mar consolantes,
Vim
com a maré e o luar convida.
Partilhaste
a tua dor comigo,
Numa
noite fria e soturna,
Cheguei
com a luz da aurora amigo,
E
iluminei-te a face taciturna.
Desfizeram-se
os teus sonhos de mulher,
Simplesmente
porque já cresceste,
Sorveste
o último laivo à colher,
Vim
com a chuva e a rua desceste.
Se
a tristeza não te abandonar,
Vai
de manhã logo de madrugada,
Deixar
a tua alma liberta voar,
Eu
logo virei com a Morte abrigada.
Se
andas sozinha no Mundo,
Vem
com o vento levemente,
Vem
comigo lá bem ao fundo,
Onde
as sombras inebriante a mente.
Fecha
a porta à imaginação,
Deixa
irem embora os sentimentos,
Larga
os teus sentidos à extinção,
Ao
vazio deixa os desalentos.
Porque
a Noite é reconfortante,
Meiga
e companheira fiel,
Deixa-a
embalar-te bastante,
Adoçar-te
a alma neste Mundo fel.
Porque
ela é incolor também,
É
a paz infinita com certeza,
Eterna
para além de todo o bem,
O
silêncio impera sem música nem tristeza.
Eu
te reconfortarei à noitinha,
Porque
eu não existo como tal,
Eu
nada sou e não és minha,
Deixa
de ser comigo e dá a vida como aval.
LX, 17-7-2001
Inquietude
que me tormentas,
Dia
e noite, de manhã, à noitinha,
Sob
o peso da consciência lamentas,
Invocaram-me
numa ladainha.
Alma
enclausurada e escondida,
Com
medo da luz das trevas,
Insultada,
ultrajada e perdida,
Diluiu-se
numa aurora em névoa.
Fui
à sua procura um dia,
Demorei
tempos afim, uma vida,
Procurei
em vales onde me perdia,
Só,
chorei a perda sofrida.
Deixaste-me
para sempre só,
Não
levaste contigo o pensar,
Ele
vai-me consumir até ser pó,
Pensamentos
o Fim hão-de lembrar.
A
cambalear o caminho prossigo,
Não
sei o destino, ao que vou,
Implorei
ao vento um abrigo,
Sussurrou
e as folhas com ele levou.
Continuo
a minha busca incessante,
Subo
montes, procuro-te no céu,
Os
passos conduzem-me avante,
O
vento cessou, só a chuva permaneceu.
O
corpo envelheceu devagar,
Coberto
de sofrimento atroz,
Cansado
de tanto procurar,
Ousou
um dia ser um albatroz.
Para
poder voar sobre o Mar,
Vaguear
por entre as nuvens,
Eternamente
sustentado pelo ar,
Apelei
à Lua por ti, mas não vens.
Por
fim o pavio esfumou-se,
Por
fim o trilho esgotou-se,
Por
fim a alma esgueirou-se,
Por
fim a resposta materializou-se.
Afinal
a Alma era Eu próprio,
Final
era Eu a sombra existencial,
Afinal
era Eu poeira sideral,
Afinal
Deus era Eu próprio.
LX, 7-9-2001
Fechem
as fábricas,
E
as escolas também,
Fechem
as bocas,
Tudo
muito bem.
Fechem
os corações,
Aos
sentimentos,
Fechem
as prisões,
Aos
comportamentos.
Fechem
as igrejas,
À
moralidade,
Fechem
as invejas,
Na
obscuridade.
Fechem
o caixão,
Duma
vez por todas,
Não
deixem tostão,
Esqueçam
as bodas.
LX,
19-10-2001
Um
certo dia nasceu a luz,
Antecedeu-lhe
a sua identidade,
Gerada
das trevas como pus,
Fez
jus à sua luminosidade.
Um
certo dia nasceu a música,
Desafiou
o silêncio instalado,
Ecoou
por aí evasiva e mítica,
Quebrou
o meu coração gelado.
Um
certo dia nasceu a consciência,
Ávida
por respostas a tudo,
Criou
o entendimento da aparência,
Vingou
o caos do existencialismo mudo.
A
vida não passa duma ilusão Universal,
Um
certo dia extinguir-se-á sozinha,
A
noite eterna virá silenciosa como tal,
O
sonho da criação desvanece e definha.
As
trevas instalar-se-ão devagar,
A
música deixará de se ouvir,
Os
músicos há muito deixaram de tocar,
E
a vela do candelabro deixou de luzir.
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