Lista de Poemas

Empatia







Só Eu verdadeiramente te conheço,

Como um Anjo da Guarda te protejo,

Vou e venho com a brisa do Tejo,

Vou contigo e em Ti permaneço.

As lágrimas e os soluços sufocantes,

Decifraram o enigma da Vida,

Nas ondas do mar consolantes,

Vim com a maré e o luar convida.

Partilhaste a tua dor comigo,

Numa noite fria e soturna,

Cheguei com a luz da aurora amigo,

E iluminei-te a face taciturna.

Desfizeram-se os teus sonhos de mulher,

Simplesmente porque já cresceste,

Sorveste o último laivo à colher,

Vim com a chuva e a rua desceste.

Se a tristeza não te abandonar,

Vai de manhã logo de madrugada,

Deixar a tua alma liberta voar,

Eu logo virei com a Morte abrigada.

Se andas sozinha no Mundo,

Vem com o vento levemente,

Vem comigo lá bem ao fundo,

Onde as sombras inebriante a mente.

Fecha a porta à imaginação,

Deixa irem embora os sentimentos,

Larga os teus sentidos à extinção,

Ao vazio deixa os desalentos.

Porque a Noite é reconfortante,

Meiga e companheira fiel,

Deixa-a embalar-te bastante,

Adoçar-te a alma neste Mundo fel.

Porque ela é incolor também,

É a paz infinita com certeza,

Eterna para além de todo o bem,

O silêncio impera sem música nem tristeza.

Eu te reconfortarei à noitinha,

Porque eu não existo como tal,

Eu nada sou e não és minha,

Deixa de ser comigo e dá a vida como aval.

LX, 17-7-2001

818

Encerrado



Fechem as fábricas,

E as escolas também,

Fechem as bocas,

Tudo muito bem.

Fechem os corações,

Aos sentimentos,

Fechem as prisões,

Aos comportamentos.

Fechem as igrejas,

À moralidade,

Fechem as invejas,

Na obscuridade.

Fechem o caixão,

Duma vez por todas,

Não deixem tostão,

Esqueçam as bodas.

LX, 19-10-2001

816

Andorinhas



Andorinhas da Primavera,

Deambulam a cantar,

Anunciam uma nova era,

Trazem notícias além Mar.

Andorinhas dos beirais,

Ouviram os meus lamentos,

Voaram pelos trigais,

Voam aos sete ventos.

Andorinhas nos ninhos,

Criam os pequeninos,

Todos muito juntinhos,

Ouvem tocar os sinos.

Andorinhas ao vento,

Saúda-vos um amigo,

Descansam ao relento,

Uma cova por abrigo.

Andorinhas da Cidade,

Senhoras da Liberdade,

Irradiam a Luz da Verdade,

Tenhais por nós piedade.

LX, 11-6-2002

841

Lá longe em casa

Dos confins do Universo,

Ouço um ligeiro fervilhar,

Gerou-se um dia adverso,

Ousou o horizonte perfilhar.

Matéria incandescente por moldar,

A eternidade dos elementos sós,

Energia em rodos por soltar,

Perdeu-se algures o feiticeiro de Oz.

Os Planetas rodopiam sem cessar,

Em redor do Sol tão iluminados,

Sabem o caminho a tomar,

Até que de Luz fiquem inundados.

Sistemas bi-Solares,

Luas prateadas,

Ou de cor grená,

Ventos solares,

Montanhas paradas,

Calotes Polares,

Por Mar cercadas,

Florestas ancestrais,

Coros angelicais,

Não reparais.

LX, 19-3-2002

762

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António Azevedo - Vila do Conde
António Azevedo - Vila do Conde

Escreveu no jornal ou revista Alma Nova de Espinho em 1919 e 1920 com José Maria dos Reis Pereira que depois iria adoptar o pseudónimo José Régio.

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“ Poesia Eterna Parte I”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1208142122416

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.