Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

114

Sociedade Cruel


Mergulhado num ninho de vespas estou,
Aterrorizado com todas as gentes fico,
Sob o peso do mundo minha alma vergou,
O semblante do meu ser desiste pacífico.

As ruas exalam carências sencientes,
Amor gratuito demora a encontrar-se,
Os corações resistem deprimentes,
E a sua jovialidade volátil esvai-se.

Como fantoches pavoneiam-se enfim,
Como bonecos com a corda partida,
Como escravos vagueiam até ao fim,
Até quando rastejar sob gente pervertida.

Lx, 5-11-1994
667

Sono Eterno


Deixai-me a dormir sozinho,
Um sono eterno e profundo,
Não me deixem sonhar mesquinho,
Na solidão imensa deste mundo.

Lx, 23-3-1995
683

Uma Deusa Menor


No calor do teu regaço só quero descansar,
Ser afagado por cabelos longos perfumados,
Imergir no azul profundo dos teus olhos,
Como num lago espelhado onde me lançar,
Aveludada a tua pele em tons bronzeados,
Com travos florais onde percorro atalhos,
Apelas-me com tuas mãos para amar,
Sob o céu estrelado juntos pernoitados,
Afagos, caricias e beijinhos aos molhos,
Odes e cantigas de amor te quero rogar,
Largos sorrisos soltas dos teus lábios molhados,
O vento testemunha é um para o outro talhado.

Lx, 28-3-1995
701

Noctívago


Acordo prostrado como um mal nascido,
Escondo-me nos livros da minha estante,
Acalmo os meus soluços com música perdido,
Estático vegeto consumido e irrelevante,

Só com a noite instalada consigo enfrentar,
A sociedade comigo impiedosa e contrastante,
Do chão mal consigo os olhos levantar,
Sob o luar pálido curo minha dor lancinante.

Lx, 23-3-1995
683

A Alguém Querido


Agrada-me o teu largo sorriso gratuito,
Capaz de quebrar o coração mais duro,
Acompanhado dum meigo olhar fortuito,
Faz exalar mil Primaveras de ar puro.

Quando entristeces o Sol encobre-se,
Faz-se sombra e as cores esvaem-se,
As andorinhas vão como de Outono se tratasse,
As flores morrem como se o Inverno chegasse,

Continua a cantarolar músicas de Verão,
Quentes e românticos fados de Amor,
As tuas palavras inocentes perdurarão,
Nos meus ouvidos em momentos de dor.

Que prazer me dás ao saíres desoprimida,
Ver-te libertina depois de enclausurada,
Esvoaçares bem alto como ave de rapina,
Planando lá longe pelo vento libertada.

Ao mesmo tempo que pena te ver partir,
Deixar de te poder contemplar enamorado,
Nunca mais irá meu penoso coração florir,
Com saudades do teu olhar servil encantado.

Lx, 4-8-1996
755

Sonho Benigno


Pelo campo andavas a deambular,
Esquiva pelos beirais em devaneio,
Dei por ti um dia assim ao sonhar,
E logo me ficou o coração cheio.

Cheio com a presença do teu olhar,
Perdido no perfume do teu cabelo,
Louco e apaixonado pelo teu pensar,
Fazes-me viver em tons d'amarelo.

Estou bem quando encantado por ti,
Amanso quando a tua boca sorri,
Só para mim, enfim só por mim.

Deleito-me com a tua contemplação,
Tão servil e pura na minha imaginação,
Tão-somente e sempre, até ao fim.

Lx, 25-1-1994
706

Uma Gota de


Uma gota de chuva,
Caída do Céu,
Em Liberdade,
Chorava,
Desencantada.

Uma gota de Luz,
Caída das Estrelas,
Ofuscada,
Vagueava,
Perdida.

Uma gota de mel,
Caída da flor,
Cheia de amor,
Desamparada,
Sonhava,
Angustiada.

Uma gota de fel,
Caída da Alma,
Magoada,
Cansada,
E só.

Lx, 10-11-2007
764

Opacidade Emocional

A monotonia de existir,
Logo ao acordar se instala,
O tédio não me deixa dormir,
E já é de madrugada.

A dor abrigou-se na minha alma,
E o silêncio preencheu a minha vida,
Devagarinho e com muita calma,
Sussurrou-me a morte ao ouvido.

Tão cansado de olhar,
Sentir e pensar,
Sonhar acordado,
Em tudo dar,
Como acabado.

Tão abalado fiquei,
Ao persistir e tentar,
Em vão testemunhei,
Sem nunca ter achado,
O segredo maior,
Tão bem guardado,
O céu à noite,
Estrelado.
Lx, 16-7-2004
774

Canta Para Mim

Canta só mais uma vez,
Antes que tombe na valeta,
Quando nascer o Sol talvez,
Quando te der na veneta.

Uma vez mais somente,
Já só ouço o troar lá fora,
Tem piedade de mim doente,
Porque a Lua já cá não mora.

Canta e assobia também,
Não há mais ninguém a ouvir,
Já não enxergo o além,
Para onde hei-de eu partir.

Canta passarinho canta,
Só uma vez mais sem falta,
Sabes que o teu piar encanta,
E a noite já vai longa.

Porque me abandonaste?
É só uma tempestade,
Não me achaste?
E a chuva cai sem piedade.

Lx, 10-10-2003

726

Dunas


Dunas douradas esquecidas,
De areias mil,
A brilhar ao Sol perdidas,
Com o Mar de perfil.

Recebes a teus pés as ondas,
Coroadas de puro branco,
Trazem com elas as conchas,
Que te dão tanto encanto.

Deixas-te pelo vento acariciar,
Quando te sussurra paixão,
Vergas-te à nortada polar,
Quando cometes traição.

E de noite ao luar,
Com o céu iluminado,
De mil estrelas a brilhar,
Recebeste meu corpo inanimado.

Cansado de tanto esperar,
Tão frio e desencantado,
Que até a dor fez chorar,
No meu coração desvanecido.

Lx, 28-6-2005
669

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