Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

114

O Fogo e as Cinzas


Que agradável o cheiro a queimado,
Do fogo não conseguirei sair,
O vento quente a ele associado,
Não me deixará jamais fugir.

As labaredas deixaram-me cercado,
Condenado eu fiquei ao nascer,
Em ter de viver desamparado,
Sem lucidez que me fizesse florescer

Sentir-me sempre a viver ao lado,
E pensar ter já tudo dado,
Não é que me tivesse importado,
Por estes mares já eu tinha navegado.

Já me tinham perguntado,
Se me sentia aprisionado,
Eu respondi infortunado,
Ao mar as cinzas tinha lançado.


. Lx, 8-11-1993
692

Sonho Benigno


Pelo campo andavas a deambular,
Esquiva pelos beirais em devaneio,
Dei por ti um dia assim ao sonhar,
E logo me ficou o coração cheio.

Cheio com a presença do teu olhar,
Perdido no perfume do teu cabelo,
Louco e apaixonado pelo teu pensar,
Fazes-me viver em tons d'amarelo.

Estou bem quando encantado por ti,
Amanso quando a tua boca sorri,
Só para mim, enfim só por mim.

Deleito-me com a tua contemplação,
Tão servil e pura na minha imaginação,
Tão-somente e sempre, até ao fim.

Lx, 25-1-1994
711

Vento Amigo


No vento procuro consolo amigo,
Que ninguém mais me poderá dar,
Murmura-me onde encontrar abrigo,
Onde eu me possa lamentar.

Nas planícies embrumadas eu caminho,
Em busca dum destino meu e só,
Transtornado e em pleno desalinho,
Acabo apenas por lhes fazer sentir dó.

Deixem-me para lá das montanhas,
Sucumbir escoando-me pelo rio,
Construir pequeninas casinhas,
Rodeadas de tumbas em pousio.

Lx, 11-11-1993
747

Vida


Vida anunciada,
Por todos desejada,
Sorte almejada,
Nasceu amparada,
Cresce idolatrada,
Bem tratada,
Brinca endiabrada,
Bem acompanhada,
Sonha acordada,
Face dourada,
Acorda frustrada,
Consciencializada,
Dorme assustada,
Mente esvaziada,
Vida atormentada,
Chora cansada,
Raiva amargurada,
Grita silenciosa,
Alma viciada,
Trepidez idealizada,
Razão esgotada,
Saudade apagada,
Pele encrespada,
Esquecida ultrajada,
Mingua definhada,
Pelo mundo usada,
Por Deus enganada,
Padece angustiada,
Morte anunciada,
Por todos esperada,
Livre desencarcerada,
Vazia eternizada.

Lx, 19-9-1999
716

Incógnitas Viagens

Pela estrada fora meus olhos cintilam,
Em busca de paragens onde deambular,
À porta do céu azul em espanto ficam,
Esperando contemplar a minha alma voar.

Pelos montes irei sobrevoar emplumado,
Pelas pontes altas saltar até cair,
Jamais um dia me verão embarcado,
Em qualquer onda ao submergir.

Por velhas sombras eu me seguirei,
Estampadas em rostos de pedras graníticas,
Minhas preces pela serra proclamarei,
Aos ouvidos mudos d'almas paralíticas.
Lx, 8-11-1993
693

Monotonamente Escrevendo


Farto-me de Ser simplesmente,
De viver o que não quero ser,
De nascer tão fluentemente,
Para no fim morrer sem querer.

Ansioso por vida complexa e completa,
E vergando-me perante o seu peso,
Acabo por ser uma alma discreta,
Liberto-me gritando .

Nada me faz andar,
Nada me faz correr,
Continuarei até quando a pensar,
Se continua eternamente a chover.

Lx, 12-6-1994
640

Como Um Raio De Sol


Não sei se haverá poema capaz algum,
De mostrar o que na minha alma vêem,
Não sei se valerá apenas escrever um
Quando só nostalgia e solidão saem.

Brilham ao sol teus cabelos doirados,
Guiando-me por caminhos agrestes,
Consolam-me os lamentos irados,
O calor de mil estrelas ardentes.

Passeias-te como uma fresca brisa,
Deixas no ar cheiros de fantasia,
Refrescas-me a mente submissa,
Sonhos ao luar com maresia.

Bela e formosa de olhar apelativo,
Serei para sempre teu até ao fim,
Assim meu coração ficou cativo,
Perdurando a tua imagem em mim.

Encanta-me a tua jovialidade carnal,
Esteticamente pura e ilusória,
Deixa-me contemplar-te trivial,
Platonicamente desejar-te peremptória.

Como andorinha-do-mar te vi chegar,
Perdido no Oceano vieste-me encontrar,
Levaste-me para tua casa a pernoitar,
Como sereia aos meus braços vieste pousar.

Lx, 7-9-1994
713

Cidades


Florestas de cimento, encheis meu horizonte,
De um vazio estonteante, assimétrico,
Quero apenas cardos e giestas pela frente,
Banhar-me em água cristalina, frenético.

Porque tenho de viver acompanhado,
De mil figuras ridículas e mesquinhas,
Quem me dera andar por aí largado,
Correr por montados, campas minhas.

Coberto de sombras sem luz natural,
Definho encarcerado em quatro paredes,
Anseio por céus estrelados e odor natural,
Longe destes fétidos e repugnantes enredos.

Inalo o cheiro a terra molhada,
Como se fosse a última vez,
Aguardo a derradeira alvorada,
Em que me entregarei de vez.

Lx. 1-6-1995
687

O Último Baile


Tristes valsas dançantes,
Violinos tocam sonantes,
Bailarinos bailem, bailem,
A última dança, a do Além.

A sala do baile esvaziou,
O anfitrião sussurrou,
Violinos calaram-se roucos,
As portas fecharam-se aos poucos.

A festa acabou há muito tempo,
O salão arruinado com o tempo,
Os foliões finaram-se há tempos,
Esquecidos ao longo dos tempos.

Que bom saber ao nascer,
Saber-mos ir morrer,
Todos os dias um pouco mais,
E não haver excepção aos demais.

Lx, 22-10-1999
623

Musa Divina


Musa divina envolvente e pura,
Inclui-me nos teus sonhos de mulher,
Luxúria de perfumes e carne prematura,
Do teu regaço brotem rosas para só eu colher.

Desejo saborear teus lábios maduros,
Pelo Sol radioso de mil Primaveras,
O vento trespassa teus cabelos dourados,
Desnudando teu rosto de mil quimeras.

Teus olhos de verde-esmeralda,
Enfeitiçaram-me eternamente,
Meu coração está cativo minha fada,
Liberta-me e recebe meu fogo envolvente.

Deleito-me com a tua figura esbelta,
Recortada onde quer que passes serena,
Curvilínea com formas de mulher feita,
Desejar-te-ei continuamente minha pequena.

Deixa-me desflorar-te todos os dias meu amor,
Embalar-te em meus braços até dormires,
Partilhar contigo todo o teu fervor,
Idolatrar-te para sempre até partires.

Lx, 16-5-1995
697

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