Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

114

Alienados


Jantares corridos,
Sob silêncios enaltecidos,
Encarcerados para sempre,
Cativos pelo Luar,
Vozes ecoam a soar,
Fora de abrigos,
São chilreios entristecidos.


Acordo embriagado,
Pela cabeça pendurado,
Degolado para sempre,
Puzzle dum último patamar,
Esquecido para amar,
Desprotegido sem afago,
Vestiram-me de camuflado.


Sons dum rio a chapinhar,
Avivam-me como um troar,
Por mim desfalecido chamam,
Andorinhas vagueiam nas margens,
Os campos parem verdes vagens,
Dissolvo-me em fétido ar,
A Natureza insiste em me purificar.

Lx, 13-4-1995
681

A Alguém Querido


Agrada-me o teu largo sorriso gratuito,
Capaz de quebrar o coração mais duro,
Acompanhado dum meigo olhar fortuito,
Faz exalar mil Primaveras de ar puro.

Quando entristeces o Sol encobre-se,
Faz-se sombra e as cores esvaem-se,
As andorinhas vão como de Outono se tratasse,
As flores morrem como se o Inverno chegasse,

Continua a cantarolar músicas de Verão,
Quentes e românticos fados de Amor,
As tuas palavras inocentes perdurarão,
Nos meus ouvidos em momentos de dor.

Que prazer me dás ao saíres desoprimida,
Ver-te libertina depois de enclausurada,
Esvoaçares bem alto como ave de rapina,
Planando lá longe pelo vento libertada.

Ao mesmo tempo que pena te ver partir,
Deixar de te poder contemplar enamorado,
Nunca mais irá meu penoso coração florir,
Com saudades do teu olhar servil encantado.

Lx, 4-8-1996
755

A Vida Por Um Fio


Ansioso por ver o tempo escoar,
Desconfiado por ele me vir a faltar,
Desconheço o meu futuro próximo,
Sei que não darei o meu máximo.

A vida desvanece corporeamente,
Concisa, lenta e impiedosamente,
Não tenho saudades para reter,
Mas choros ébrios latentes a tecer.

Deixei passar tudo ao meu lado,
Dei o destino como um achado,
Porfiarei só a caminho do eterno,
Não cobiçarei um só coração terno.

Sons ecoam na mente inebriante,
Delicados e suaves com semblante,
Estonteiam-me a alma fugaz e vil,
Enlouquecem-me o espírito senil.

Deixei o tempo correr impiedoso,
Já se cumpriu o meu ser lastimoso,
Sentado na tumba espero recolher,
À noite a espera fez-me entristecer.

Lx, 20-6-1999
651

Musa Divina


Musa divina envolvente e pura,
Inclui-me nos teus sonhos de mulher,
Luxúria de perfumes e carne prematura,
Do teu regaço brotem rosas para só eu colher.

Desejo saborear teus lábios maduros,
Pelo Sol radioso de mil Primaveras,
O vento trespassa teus cabelos dourados,
Desnudando teu rosto de mil quimeras.

Teus olhos de verde-esmeralda,
Enfeitiçaram-me eternamente,
Meu coração está cativo minha fada,
Liberta-me e recebe meu fogo envolvente.

Deleito-me com a tua figura esbelta,
Recortada onde quer que passes serena,
Curvilínea com formas de mulher feita,
Desejar-te-ei continuamente minha pequena.

Deixa-me desflorar-te todos os dias meu amor,
Embalar-te em meus braços até dormires,
Partilhar contigo todo o teu fervor,
Idolatrar-te para sempre até partires.

Lx, 16-5-1995
693

Vales Encantados


Vales verdes tão férteis e húmidos,
Recebeis todas as lágrimas vertidas,
De todos os cumes dos Mundos,
Tão enriquecidos de terras ávidas.

São o Paraíso verde Terrestre,
De tempo ameno e odores frescos,
À custa do cume estéril campestre,
Tão agreste e pobre de ventos secos.

Piscinas de água cristalina azul clara,
Com relvados bem conservados e verdes,
Com gente de bem regateando e cara,
Tão egocêntrica de tantas ignobilidades.

Sugam o próximo lentamente até ao tutano,
Escravizam o semelhante até à exaustão,
Mas é nos cumes altos que durante o ano,
Ao Sol as neves eternas resistem à combustão.

Que asco as pessoas tão quotidianas e fúteis,
Tão despovoadas na sua desprezibilidade,
Que dor as pessoas tão puritanas e inúteis,
Tão hostis e carentes na sua sociabilidade.

Lx, 28-6-1995
634

Só Em corpo e Alma (2ª Parte)


II

Agradam-me os teus sorrisos em código,
Unicamente e só para mim decifráveis,
Quero despertar eternamente contigo,
Envelhecendo juntos por anos inviáveis,
Quero acompanhado por ti sonhar acordado,
Desejar-te platonicamente endiabrado,
Acaba com a minha ansiedade febril,
Preenche-me a vida estéril e senil,
Com os teus gestos meigos,
E lábios de mulher leigos,
Cativas meu coração comprometido,
Com a luz aureolar do teu corpo prometido,
Confessar-te-ei a essência do meu "Eu",
E tu acolher-me-ás, meu espírito renasceu,
E jurou amor eterno com fervor,
És a minha diva e meu mentor,
Seremos almas gémeas afortunadas,
Na paixão mútua enclausuradas,
Seremos somente nós dois apenas,
Guiados pelo vento como duas leves penas,
Partilharemos as dores e tormentos,
Pareceremos em prantos e lamentos.

Lx, 13-7-1995

654

Cidades


Florestas de cimento, encheis meu horizonte,
De um vazio estonteante, assimétrico,
Quero apenas cardos e giestas pela frente,
Banhar-me em água cristalina, frenético.

Porque tenho de viver acompanhado,
De mil figuras ridículas e mesquinhas,
Quem me dera andar por aí largado,
Correr por montados, campas minhas.

Coberto de sombras sem luz natural,
Definho encarcerado em quatro paredes,
Anseio por céus estrelados e odor natural,
Longe destes fétidos e repugnantes enredos.

Inalo o cheiro a terra molhada,
Como se fosse a última vez,
Aguardo a derradeira alvorada,
Em que me entregarei de vez.

Lx. 1-6-1995
685

Para Ti


Com um simples sorriso rasgado teu,
Afastas de mim o negrume mais denso,
Da noite soturna onde minha alma se perdeu,
Ao teu lado sonho estar num jardim suspenso.

Com um simples beijo adocicado teu,
Desabrochas a Primavera no meu coração,
Com um toque de mágica assim nasceu,
O nosso amor hipnótico tão intenso em vão.


Lx, 15-1-1996
649

Introspectivamente

Continuarei sempre a lamentar-me,
Culpando-me sempre do sucedido,
Jamais quererei lembrar-me,
Do tempo que passei entristecido.

As lembranças não me têm movido,
São vazias de poder sentimental,
Já me lembrei de ter morrido,
Mas era sonho de mente serviçal.

Lx, 7-10-1993
746

Indignas


Não sois dignas dos meus poemas finados sentidos,
Antes deixá-los amarelecer podres aos bichos-de-conta,
Afastai dos meus versos vossos corpos pervertidos,
Não quero vê-los cobiçados como roupa de montra,
São sublimes e luxuriantes como peles de lontra,

Eles são os tormentos pela minha alma auferidos,
Afogados em dor e solidão submergiram numa onda,
Senti-me só e os meus olhos choraram entristecidos,
Quem me dera ser eterno pastor de mitos antigos,
Abandonado ter só a chuva e o vento como abrigos.

Lx, 29-12-1994
694

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