Lista de Poemas

TRATADO SOBRE A AMIZADE

Por não haver receita
Nem fórmula pronta
Para amizade perfeita
Ser amigo é um perigo

Poderá virar vício
Até parecer permissivo
Tão saboroso estarmos juntos

Às vezes serei remissivo
Transparecerei insano
Imprevisível
Evasivo

- Coisas de humano
Mas amizade é isso

Amigo
Escolherei esses dias claros
E também os dias tristes
Para estar contigo
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POR ISSO TE AMO

A ponto de achar
Que não mereço
Por não caber em mim
Por ser assim imenso
Penso ser tão intenso
Que não seja meu esse amor

Mas ah que loucura desesperada 
Pensar nisso

O amor não se mede por princípios

Por isso te amo
Desde o começo
Desde o início
Desde o nada
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APENAS

Pensas que te escrevo
Imagino que me leias

Na verdade és tu quem me dita
Poemas
Poemas 
E mais poemas!

Acredita
Eu te transcrevo
Apenas
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SORRATEIRO

Dizem que o céu é o destino
De toda alma que se dá ao beijo
Mas se nossos lábios não se propõem tocar 
Lança os teus olhos nos meus olhos
E beija-me de intenso olhar

O olhar tem essa densa força
De entender qualquer mistério
Desvendar a presença do óbvio
Inventar devaneios da língua
O que nem a boca consegue falar

Acolher anseios mesmo que proibidos
Enxergar a si mesmo no outro
Como num espelho sorrateiro

E se esse gosto de profano for etéreo
Todo o humano eximirá qualquer culpa
Donde flui enfim esse desejo tão divino
Em meio ao que houver em nós de verdadeiro
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PARA EVITAR PARTIR

Construa tua casa
Num lugar de bem saber
Para não precisar muros
Evita cercar escuros
Para nada reluzir

Erga paredes com silêncios
Nas janelas cortinas de mistérios
Para ninguém espiar teus hábitos

Por móveis usa os sonhos
Tecidos com fios de ilusão
Cada cômodo faz um encanto
Assim nada terá pressa em passar
Nem mesmo a sina

Não me ensina o endereço
Tenta morar oculto
Dentro das indizíveis paredes
Encontra a paz que almejar

Caso eu venha descobrir
Não me peça para entrar
Posso me acomodar
Posso não querer sair
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A FACE DO AMOR

Pensei ter visto a face do amor
Apenas onde morasse o beneplácito
Gravada nas estampas que gostasse
Onde houvesse a beleza da cor
Nos gestos plenos de felicidade
No apogeu da alegria sem maldades
Em botões e pétalas de rosas abertas
No acolhimento das bênçãos e orações
Na candura e inocência das verdades

Não
O amor mora também detrás do escuro
Debaixo da abrupta tempestade
Brota do absurdo cruel da dor
Reside nas facetas desprezíveis do cotidiano
Onde menos imaginamos há o amor

Na lágrima que cai em silêncio só
No abraço apertado que cura o aflito
No sorriso frágil diante da adversidade
No perdão que transcende vaidades

Revela-se entre os nós e entrelinhas da vida
Nos momentos que parecem fugir da medida
Habita nos gestos simples mais singelos
Nos olhares sinceros e profundos dos elos
Encontra morada no calor do abrigo
Na paciência que acalma conflitos
Na compreensão que brota do compartilhar
Na entrega e comunhão do perdoar

O amor não se limita a estampas perfeitas
Ele se desvela em todas as facetas feitas
Onde menos esperamos

O amor está presente no além do que amamos
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LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE

No emaranhado de fios que nos prendem
Em meio amarras do viver
Emergem asas que nos pertencem
São respiros guardados que teimam em florescer
Liberdade de vasto horizonte
Que se agita no peito como pássaro cantor
Entre muros erguidos clama seu monte
Desfaz fronteiras semeia caminhos a percorrer

Não é só rompimento nem só voar
É a imensidão que nos invade vital
De um labirinto a desvendar

Liberdade das múltiplas faces a dançar entre limites
Desafiando prisões e o conformismo assim
Que ao abrir portas revela belezas

És suspiro na alma brisa na pele
És a fagulha que impele e acende a chama do ser
Nas escolhas que fazemos no que se revela
És o encontro conosco és o direito de ser
És tesouro impalpável que se sente e se vive
Mas não se pode prender

És o próprio pulsar o sopro invencível
O fio de esperança que nunca se rende

Que os passos sejam gritos de liberdade
Nossos versos sejam sopro de ar
Que a vida seja a busca incessante por verdade
Nesse eterno balanço entre o ser e o se encontrar
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ENQUANTO TE PROCURO

Todavia essa alma minha
Aninha-me ao colo insípido da terra 
E se faz de mim contumaz peregrino
Ela comigo pela terra peregrina

A minha alma apreenderá o infinito
Que ao contrário do chão frio barrento
Entre pedras arraigado ao solo
Entenderá que a carne deteriora e erra

Mas eu procuro-te agora enquanto pulsa
Pois é da terra que me vem o alimento
A persistente sobrevida dessa teimosia
Que é da terra que me vem em fantasia
No momento em que a alma distancia
Certezas de que serei terra evidente
E dúvidas se a alma também morre-me um dia

Por isso lanço as mãos em meus apelos
Como fosse um tango descuidado
Tocado de ouvidos mais estranhos
Bailando como se eterno seria

Eis o tanto que me apega as tantas alças
Se os meus lábios se iludem com falácias
Eu recolho-me à pequenez de criatura
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O GUARDIÃO

Eu fui guardião de um rei
Que eu mesmo inventei antes de crescer
E enquanto eu crescia meu monarca partia
Ampliando seu reino pela cercania

Conquistou outras terras
Ganhou tantas guerras
Domou bestas feras
Que as façanhas repercutiam
Repercutiam
Repercutiam

Foi então que me apaixonei
E todo o reino se enfraquecia e desfez
Pois enquanto ardia em paixão
Meu soberano fingia me desconhecer
Mas era eu quem não me conhecia

Somente quando a ilusão se ia
Voltava eu a ser escudeiro protetor
Das cidadelas que havia dentro do meu ser

Enfim eu nunca sabia se sofria ou não sofria
Por tanto amar o que não sei se amei

E se até ontem eu não sabia
Ainda hoje não mais saberia
Por onde andará meu rei
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MINHA SOLIDÃO

            Paulo Sérgio Rosseto

Minha solidão se prende a cidades diferentes
Que não pertencem a nenhum país
Nem nação nem continentes

Minha solidão habita nuvens elevadas pelos ventos
Pintadas do branco em cinzas entravadas em julgamentos
Longe da contagem do tempo
Sem linguagem nem religiosidade nem argumentos

Não tem copas suas árvores
Não tem árvores nem há sonhos de subir por entre as folhas
Ir trepado pelos galhos atrás de frutos estranhos
Que dependuram no alto e caem quando maduros
Não tem pássaros repousando nem casas de marimbondos
Não tem formigas nem besouros flutuando pelo escuro

Minha solidão mantém portas atentas às esperas
Porém certas de que não vem

Mas sou eu quem cerca em muros as beiras das minhas nuvens
Sou eu quem as seguro e as retém

Minha solidão é pavão com asas de olhos molhados
E pés sem chão

psrosseto.webnode.com

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Comentários (2)

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Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques

quantas verdades com perfeição!

Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. 
      A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
      Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
      Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE. 

LIVROS RECENTES: 

CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021

Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.