Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... não há amor sem sonhos, fantasias ___ e desejos,
posto que ele tem que ultrapassar ___ todo humano;
quando falta alguma dessas ___coisas.
é apenas um capricho do ego a tentar reluzir com a força de um ___incêndio!
245
O JOGO DO AMOR
Sei que não conviria dizer isso, sobretudo nessa hora de inquietante indecisão à nuvem:
mas o amor é como uma mesa de apostas, onde se flerta com um ou outro jogador dissimulados;
onde se blefa, ou não, com cartas escondidas às mãos,
até que elas sejam expostas em vitórias extaticamente regozijadas ou em dramáticas derrotas.
Um pouco depois, renovam-se os personagens e se começam novas partidas em incautos e viciosos ciclos.
196
ERA
... tinha os cabelos compridos e lisos, negros como o breu mais profundo,
e no meio deles tinha um rosto angelicamente lindo, que se parecia como um linda lua;
tinha um corpo perfeito, geralmente maqueada, arrumada como uma linda e pura princesa
e, por baixo dessa máscara, tinha a alma da mesma cor dos seus nigérrimos cabelos!
186
ONDE MORA O AZUL?
Noite fria de inverno, mais uma, e eu a andar pela rua arrebatado pelo silêncio e pela solidão da madrugada:
ainda perdido, como quando era criança em outras noites frias, em outras ruas vazias,
tentando descobrir quem sou, tentando me situar no mundo.
168
QUEREM SABER DE UMA COISA?
Em certas horas, à merda com essa tal senciente razão do sapiens:
ela é tudo que não pode justificar as guerras, as mortandades, as fomes, as opressões e os estupros às virgindades das coisas naturais.
Querem saber?
Hoje vi uma criança à rua, imunda e com a roupa rasgada; e o pior, com a alma arregaçada,
a mendigar um pouco de comida.
Sem mais adelongas, que há muito tempo estou puto com isso, vocês querem mesmo saber de uma coisa?
À puta que pariu os menestréis e intelectuais de terno, os políticos da figa, e todo tipo de tentilhão soberbo ,
que tomam vinhos importados, comem suas putas e puristas de mesma laia, regadas a granas e a prazeres concupiscentes,
e depois vão se escorrer defecando merdas com seus verbos voláteis por aí:
exatamente, e muito bem claro fica dito: à puta que vos pariu, isso sim!
167
EXISTIMOS?
Somente agora, depois de tantos anos e enganos,
posso dizer realmente que nada sei e que não existe o que vejo:
apenas me invento de meu abnormal advento: o espúrio, vão e passageiro momento.
181
POR UMA NOITE
Não fales alto: depois de tanto tempo em chuvas, acabamos de fazer amor
- se olhares pela janela, verás que as estrelas ainda estão gozando,
tremeluzidamente -
e necessitamos paz, pelo menos nesta noite;
deixa, pois, todo o resto, e sussurremos somente coisas que nos alivie a dor.
124
INCERTEZAS
... não ligo mais para elas, aliás passarei, com minha última ___ viagem delas:
é-me comunicado ___ um óbito dia 17, sábado,
e recebo uma mensagem perguntando se estou aqui da pessoa, de quem dizemter falecido, ___ no dia 19,
exatamente na hora do programa ___ do pe. Marcelo;
bem, não importa quando,
mesmo eu pedindo para evitá-lo, na verdade, tudo já nos era ___ tarde demais!
167
ANDARILHO ALUCINADO
... incauto transeunte a sonhar com moças lindas de corpos gostosos e de almas limpas,
louco como o vento corre volvendo folhas, pedras e outras coisas fabulosas para chegarem à presa.
e como o vento, pobre coitado, sempre morre em algum redemoinho escuro, tênebro e frio!
185
A SURPRESA
Ontem à noite, ela se vestiu lindamente, maquiou-se como há muito não fazia e veio, toda feliz e sorridente,
convidando-me para sairmos sozinhos - sem nossos filhos -, o que, de tão raro, deixou-me deveras com a pulga atrás da orelha.
Depois de uns goles vinho e de algumas lembranças quase perdidas, que ela invocara propositadamente, chamou-me para dançar quando tocava "The power of love", com Céline Dion;
e sussurrou-me ao ouvido se eu sabia que dia era aquele: forcei a memória fragmentada, estiquei-me todo para lembrar algo, e só então percebi que fazia exatamente vinte anos de nosso casamento.
Percebendo que eu não conseguia me dissimular na inesperada situação, em vez de ficar chateada com minha displicência insípida
- o que lhe era de pleno direito -, ela deu-me um abraço e um beijo demorados, afagou-me os cabelos pardos e disse que sempre houvera me amado;
e eu ali perante a mulher que, em toda sua vida, foi tocada só por mim, e a única a quem, em toda minha vida, sincera e verdadeiramente amei;
a me perguntar, diante daquele clarão de realidade, como - mesmo assim - fui capaz de me voar, canina e escondidamente, por céus tantos terreiros encharcadose por tantos céus contaminados.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*