QUEREM SABER DE UMA COISA?
Em certas horas, à merda com essa tal senciente razão do sapiens: ela é tudo que não pode justificar as guerras, as mortandades, as fomes, as opressões e os estupros às virgindades das coisas naturais. Querem saber? Hoje vi uma criança à rua, imunda e com a roupa rasgada; e o pior, com a alma arregaçada, a mendigar um pouco de comida. Sem mais adelongas, que há muito tempo estou puto com isso, vocês querem mesmo saber de uma coisa? À puta que pariu os menestréis e intelectuais de terno, os políticos da figa, e todo tipo de tentilhão soberbo , que tomam vinhos importados, comem suas putas e puristas de mesma laia, regadas a granas e a prazeres concupiscentes, e depois vão se escorrer defecando merdas com seus verbos voláteis por aí: exatamente, e muito bem claro fica dito: à puta que vos pariu, isso sim!
ONDE MORA O AZUL?
Noite fria de inverno, mais uma, e eu a andar pela rua arrebatado pelo silêncio e pela solidão da madrugada: ainda perdido, como quando era criança em outras noites frias, em outras ruas vazias, tentando descobrir quem sou, tentando me situar no mundo.
CAUSA MORTIS
Aquele anjo que morreu de efeitos colaterais noite passada, coitada pensou que, só porque amava, poderia aguentar as sombras de um deserto destroçado!
O JOGO DO AMOR
Sei que não conviria dizer isso, sobretudo nessa hora de inquietante indecisão à nuvem: mas o amor é como uma mesa de apostas, onde se flerta com um ou outro jogador dissimulados; onde se blefa, ou não, com cartas escondidas às mãos, até que elas sejam expostas em vitórias extaticamente regozijadas ou em dramáticas derrotas. Um pouco depois, renovam-se os personagens e se começam novas partidas em incautos e viciosos ciclos.
ÚLTIMO SUSPIRO
Por acaso, não percebeste ainda, que, pela primeira vez na vida, busco um amor tranquilo à nuvem, deixando todo o espetáculo a cargo dos demais personagens do grande teatro? Pois então guarda-te as chuvas e os verbos-navalha, e desperta-te comigo para o grande e iminente risco de nossas quedas, antes que o niilista - que contigo nunca o foi - se transforme novamente em cão a se alimentar de sombras sob postes neon, e passe o resto dos dias entre porcos e vermes puristas, a descortinar-lhes as máscaras vazias aos palcos e aos leitos, com admirável e entenebrecida soberbia.
MONTES E DESPENHADEIROS
... há quem vomite luzes sem ter combustível para sustenta-las por muito tempo, há quem tropece nos próprios sonhos, nas próprias ilusões quedadas em desenganos, há quem beije e afague, e chupe e fode; e depois cospe, escarra er, claro, esporra; há quem fale de honestidade, de moral er de lealdade escondento putos de pau duro no armário, há quem fale de Deus com o diabo enfiado na bolsa e, muitas vezes, usado como escapulário; há também os cãe, que faze tudo isso aí, assumindo como um vendaval indigente, com destinos finais sempre turbulentos!
A SAUDADE MAIS DOÍDA
... um dia fomos sonhos incautos, fantasias incandescentes e dádivas ___ subliminares; depois de um tempo, transformamo-nos em chuvas de fogo e nos escorremos em ___ turvas águas: hoje somos uma estória (de amor) mouca, prestes a sair deste minguante ___caminho e a ser lançada à silente e profunda ___ eternidade.
OBSCURAMENTE
Nunca mais seria pura, e nunca mais estaria sozinha nos anos que se sucedessem pelo resto de sua vida: à mente estilhaçada, haver-lhe-ia os ecos esconsos dos fantasmas, a quem incautamente abrira as portas do templo, na longínqua infância perdida. Haver-lhe-ia um céu vazio sob o qual colecionaria velhos tentilhões, que usasse para lhe alimentar as insânias germinadas à alma vazia. Haver-lhe-ia também outra coisa, ainda mais sombria: toda terra e todo sonho pintados pelo ego e pela boca, dissimuladamente, em mágicos tons: fluorescentes e fraternais; enquanto, concavamente, promovesse tudo à incessante guilhotina - inclusive o mensageiro -, com as tétricas reminiscências das vesanias. Tudo de onde se perdera, inexoravelmente, junto às tenebridades e às bestialidades dos defuntos e das idiolatrias.
SEM ROTA DE FULGA
Não há como fugir, nem como sobrepujar o peso e a dor da hora morta no momento seguinte; o ontem passou em nada, o minuto presente vai-se esvaindo, obesa e desapercebidamente, deixando restos de nada; e o porvir são utopias e sonhos de céus inaugurados a se findarem em caixas-ilha de madeira, submersas em meio à terra e ao nada.
VÃS ASAS SAPIENS
Não sei de que são feitos as asas que nos permitem voar por entre os jardins e os espetáculos ___ do mundo; sei que, a todo momento, forjamos sonhos e ideais quase idílicos, com nossas esperanças ___ exíguas e vãs, postas em um próximo veleiro a zarpar sob céus azuis, em uma próxima vesania a surgir como brisa ___ matutina, ou num belo par de pernas a se abrir extaticamente em algum leito; sempre com destinos certos a quedas, cinzas ___ e vazios!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*