CAUSA MORTIS
Aquele anjo
que morreu de efeitos
colaterais noite
passada,
coitada
pensou que,
só porque amava, poderia
aguentar as sombras de um deserto
destroçado!
ONDE MAIS SINTO A DEUS
Se é verdade
que entre as luzes sapiens
vejo severas sombras,
é fato que
dentre as virgens escuridões
do Cosmo,
onde as retinas
e as senciências humanas
não alcançam,
sinto
a verdadeira divindade
de Deus!
SEM MAIS TORMENTOS
... agora estás
onde não mais podemos ver,
só o infinito
te sente, porque agora és de falo
uma parte dele sem a humana e abnômala
senciência;
Thor te conquistou
pelo teu conhecimento, pela tua força,
pela tua filosofia e pela tua ousadia de absurda
oposição;
outros te conquistaram
apenas por tua beleza, pelos teus rijos
e grandes seios e pela deliciosa flor que trazias
escondida entre as pernas;
mas o infinito não,
o infinito se acercou de ti e contigo
se tornou um só, invisível às formigas,
aos anjos, aos heróis e aos nobre menestréis
punheteiros de aqui!
A DESONROSA FUNÇÃO DOS CÃES
... enquanto os pássaros
voam e se apresentam assoberbados
aos céus e às mais altas
árvores,
as rosas
coloram os as ruas, as praças,
os jardins, as salas e os leitos
das casas,
e os anjos
dizem amar fodendo escondidos
nas madrugadas,
cabe ao cães
limpar toda a sobra das asas
que, após enganos, desenganos
e dores de parturientes, quebram-se
aos chãos!
EU, MEUS FANTASMAS E EU
Ouço fantasmagóricos
boatos de que a noite mais longa,
mais fria e mais calma
se aproxima,
ao vento
o cheiro da morte disfarçado
pelos perfumes das rosas
e das damas-da-noite;
uma andorinha
voa proximamente, um canário canta
proximamente, um ano ama e geme fodendo
proximamente,
alheios de que
o resplendor da lua não me brilhará
mais no dia seguinte!
ANDARILHO ALUCINADO
... incauto transeunte a sonhar
com moças lindas de corpos gostosos
e de almas limpas,
louco como o vento
corre volvendo folhas, pedras e outras
coisas fabulosas para chegarem
à presa.
e como o vento,
pobre coitado, sempre morre em algum
redemoinho escuro, tênebro
e frio!
PORTAS FECHADAS
Em espanto e dor,
aquele sublime e eterno amor de outrora,
que tantas e tantas vezes
nos (per)juramos,
padeceu no último adeus,
juntamente com todas as quimeras que sonhamos
e com todas as esperanças
que engravidamos:
e até hoje,
quem se nos passa vê
[aos chãos do cais abandonado],
sem entenderem por quê,
os caóticos resíduos
des asas quebrados, des cinzas molhadas
e de destroços espalhados
por todo lado.
ENTROPIA HUMANA
... rumo
ao fim de suas vidas,
entre a enfraquecida
(mas resistente) capacidade de criarem imensidões
e o iminente e inexorável retorno ao frio
caos do apagamento,
buscam ainda
(os sapiens) respirar um pouco de luz,
em meio às próprias e faustas
superfícies.
ENQUANTO NÃO CESSA O CANTO
... sim, aos amplos
adornos e às cruciantes dores desse estranho
e alucinado amor
- com seus desejos aflorados,
com suas esperanças engravidadas,
e com seus sonhos incautos -,
sempre resistindo
aos fortes ventos, às incontinentes chuvas
e às falesiadas erosões ao precário
caminho,
sempre tentando
alterar as vertigens de nossos desvarios
evitar a queda de nossos
voos;
até que (com a morte)
nos reine apenas a verdadeira paz do silêncio
e as insubstantivas, impronominais
e sublimes possibilidades
do apagamento.
ERA
... tinha os cabelos
compridos e lisos, negros como o breu
mais profundo,
e no meio deles
tinha um rosto angelicamente lindo,
que se parecia como
um linda lua;
tinha um corpo
perfeito, geralmente maqueada,
arrumada como uma linda e pura
princesa
e, por baixo
dessa máscara, tinha a alma
da mesma cor dos seus nigérrimos
cabelos!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*