TER-TE ASSIM
... ter-te,
sabendo que habitas
o deserto de mim,
ter-te
sabendo o que eu mesmo
vejo, diante do espelho, do reflexo
de mim,
ter-te
com a magnitude de teus encantos
neste pequeno pedaço que
sobrou de mim,
ter-te,
assim, entre o sonho e a realidade,
entre a ilusão e a loucura,
entre o amor
e o desejo, entre o céu, o chão
e os leitos imaginários
é algo
que me comove, que me faz delirar
e que me coloca em medo
e espanto!
TRONCOS E GALHOS
... ser galho é fácil
e podemos, sendo, brincar com os passarinhos,
com as joaninhas e com as abelhinhas
que neles pousam sublimes;
difícil é quando
a gente se transforma em tronco
e se nos vem uma profunda cor que começa
nas raízes
e vai até a última
folha, lá no alto, eu tenta em vão,
alcançar o luar, em claras
noites!
PÁLIDO AMOR
Assim,
tão débil e palidamente
como tenho andando,
só vejo
uma maneira de te amar
em teus braços abertos como vermelhas
pétalhas:
é mergulhar,
entre as frias sombras desta longa noite,
minha dor em teu coração
transbordado
e enxugando,
em teu lindo sorriso, minhas
tristes lágrimas!
DESDE O TEMPLO
... lembro-me
de quanto era criança,
despetalava
as flores brincando
e fazendo-as
morrer,
os pássaros
que eu pegavam morriam
ao meu bodoque ou
ao meu prazer,
as masturbações
corriam tenramente sem
a menor culpa
ou pudor:
hoje,
para se vingarem,
as flores se foram a outros
jardins,
os pássaros
fugiram a outros céus
e, por bater punheta, carrego
o peso de ser um puto
pecador!
NAUFRAGADOS
Os mares estão manchados
de estórias de amores e de naufrágios:
somente seus fantasmas conhecem
dos fatos, das verdades ou das promiscuidades
___ nunca revelados;
rondam sombras moucas aos céus
de asas e de asas mortas:
somente os ventos sabem delas os casos,
os cascos, as dores e os fiascos
___ nunca revelados;
há ressonâncias de beijos e sonhos
ainda espalhados entre jardins por aí,
e de outros in momorian aos cernes secos
___ e aos cemitérios da cidade:
somente as flores
sabem dos sonhos,
das quedas e dos desatinos
___ violentos,
mas estas apenas lamentam
e choram às quimeras e às frias lousas,
sem nunca conseguirem
___ revelar nada.
A VIDA E SUAS HISTÓRIAS
A vida e suas histórias,
- reais ou fantasiosas -
entre quimeras de céus grávidos
___ e bordas de abismos ávidos:
em quimeras de flores
e aves grávidas ou às bordas de abismos
___ ávidos:
como são alvas
as essências aspergidas
em esplendes ilusões
___ inauguradas,
como são sublimes
as candidezes derramadas
em enredos de palavras
___ costuradas,
e como são puros
os amores regozijados
em sonhos e enlaces
___ consagrados;
mas eis que, ao tempo
do interromper dos voos
e do inevitável velório
____ das asas,
sobram apenas
reminiscências eivadas,
mágoas salgadas
____ e cinzas enregeladas.
ROSA NOTURNA
Noturna rosa de outrora,
por que não levaste contigo o cheiro
de teu corpo e de teu perfume
embora?
Borboleta mágica
que dominava até os mitos e os heróis
mais poderosos e que seduzia até
os deuses mais sublimes
deixando-os
bêbados de amor e de desejo
por que ao cão niilista também fez
voar em falsas glórias?
Lilith,
dominadora do averno e de paraísos,
onde frágeis anjos eram feitos
indefesas vítimas;
Ana, linda e pura Ana,
na outra ponta extrema
de sua bipolaridade
maldita,
por que
me ofucaste com a luz que carregavas
às mãos e aos olhos,
e me mataste
com as sombras que trazias
escondidas na bolsa que, pendurada às asas,
carregavas?
A VIRGINDADE UNIVERSAL NÃO PODE MAIS SER CONTEMPLADA PELO SER
... sim,
foram as sombras,
(com seus receios e medos,
com suas angústias e dores, e com suas ilusões
e esperanças silenciadas)
que me segredaram
sobre a afiada pureza da própria visão
perante o turvo reflexo
aos espelhos
e sobre a dissimulada
condição das luminescêncais que emanam
do que chamamos
de "Ser".
VÃS ASAS SAPIENS
Não sei
de que são feitos as asas que nos
permitem voar por entre os jardins
e os espetáculos
___ do mundo;
sei que, a todo momento,
forjamos sonhos e ideais quase idílicos,
com nossas esperanças
___ exíguas e vãs,
postas em um próximo
veleiro a zarpar sob céus azuis,
em uma próxima vesania
a surgir como brisa
___ matutina,
ou num belo par de pernas
a se abrir extaticamente em algum leito;
sempre com destinos certos
a quedas, cinzas
___ e vazios!
SER INSUFICIENTE A SI MESMO
... já não
bastam as fantasias
bastardas,
já não
bastam os sonhos idealizados
e depois naufragados,
ja não
bastam as porras
derramadas,
já não
bastasm as apresentações
aos teatros,
nem os muros,
nem as grades mais espessas
bastam mais
a algo:
este
é o ponto-chave, o lugar
de onde o sapiens faz suas escolhas
ruminadas!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*