VÃS ASAS SAPIENS
Não sei de que são feitos as asas que nos permitem voar por entre os jardins e os espetáculos ___ do mundo; sei que, a todo momento, forjamos sonhos e ideais quase idílicos, com nossas esperanças ___ exíguas e vãs, postas em um próximo veleiro a zarpar sob céus azuis, em uma próxima vesania a surgir como brisa ___ matutina, ou num belo par de pernas a se abrir extaticamente em algum leito; sempre com destinos certos a quedas, cinzas ___ e vazios!
DESDE O TEMPLO
... lembro-me de quanto era criança, despetalava as flores brincando e fazendo-as morrer, os pássaros que eu pegavam morriam ao meu bodoque ou ao meu prazer, as masturbações corriam tenramente sem a menor culpa ou pudor: hoje, para se vingarem, as flores se foram a outros jardins, os pássaros fugiram a outros céus e, por bater punheta, carrego o peso de ser um puto pecador!
ENQUANTO NÃO CESSA O CANTO
... sim, aos amplos adornos e às cruciantes dores desse estranho e alucinado amor - com seus desejos aflorados, com suas esperanças engravidadas, e com seus sonhos incautos -, sempre resistindo aos fortes ventos, às incontinentes chuvas e às falesiadas erosões ao precário caminho, sempre tentando alterar as vertigens de nossos desvarios evitar a queda de nossos voos; até que (com a morte) nos reine apenas a verdadeira paz do silêncio e as insubstantivas, impronominais e sublimes possibilidades do apagamento.
A DESONROSA FUNÇÃO DOS CÃES
... enquanto os pássaros voam e se apresentam assoberbados aos céus e às mais altas árvores, as rosas coloram os as ruas, as praças, os jardins, as salas e os leitos das casas, e os anjos dizem amar fodendo escondidos nas madrugadas, cabe ao cães limpar toda a sobra das asas que, após enganos, desenganos e dores de parturientes, quebram-se aos chãos!
NÃO SE DEVE PASSAR MAIS DO QUE UM ACENO
De novo, enfim nos encontramos. E como das outras vezes pareces realmente ter mudado com a mão assim me acenando e com os olhos assim me fitando; não obstante, acima, as nuvens se fecham como se fosse chover, como a negra negra página fechada daquela história distante!
PORTAS FECHADAS
Em espanto e dor, aquele sublime e eterno amor de outrora, que tantas e tantas vezes nos (per)juramos, padeceu no último adeus, juntamente com todas as quimeras que sonhamos e com todas as esperanças que engravidamos: e até hoje, quem se nos passa vê [aos chãos do cais abandonado], sem entenderem por quê, os caóticos resíduos des asas quebrados, des cinzas molhadas e de destroços espalhados por todo lado.
SOU EU E O CAOS MEU!
Desde o princípio até o fim, sou eu, com minhas senciências apócrifas; e nada sou ¬- embora embutido de abnormal condição de ser - entremeio ao alheamento das coisas e das possibilidades, desde o princípio até o fim.
ENTROPIA HUMANA
... rumo ao fim de suas vidas, entre a enfraquecida (mas resistente) capacidade de criarem imensidões e o iminente e inexorável retorno ao frio caos do apagamento, buscam ainda (os sapiens) respirar um pouco de luz, em meio às próprias e faustas superfícies.
EU, MEUS FANTASMAS E EU
Ouço fantasmagóricos boatos de que a noite mais longa, mais fria e mais calma se aproxima, ao vento o cheiro da morte disfarçado pelos perfumes das rosas e das damas-da-noite; uma andorinha voa proximamente, um canário canta proximamente, um ano ama e geme fodendo proximamente, alheios de que o resplendor da lua não me brilhará mais no dia seguinte!
OBSCURAMENTE
Nunca mais seria pura, e nunca mais estaria sozinha nos anos que se sucedessem pelo resto de sua vida: à mente estilhaçada, haver-lhe-ia os ecos esconsos dos fantasmas, a quem incautamente abrira as portas do templo, na longínqua infância perdida. Haver-lhe-ia um céu vazio sob o qual colecionaria velhos tentilhões, que usasse para lhe alimentar as insânias germinadas à alma vazia. Haver-lhe-ia também outra coisa, ainda mais sombria: toda terra e todo sonho pintados pelo ego e pela boca, dissimuladamente, em mágicos tons: fluorescentes e fraternais; enquanto, concavamente, promovesse tudo à incessante guilhotina - inclusive o mensageiro -, com as tétricas reminiscências das vesanias. Tudo de onde se perdera, inexoravelmente, junto às tenebridades e às bestialidades dos defuntos e das idiolatrias.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*