ENQUANTO NÃO CESSA O CANTO
... sim, aos amplos adornos e às cruciantes dores desse estranho e alucinado amor - com seus desejos aflorados, com suas esperanças engravidadas, e com seus sonhos incautos -, sempre resistindo aos fortes ventos, às incontinentes chuvas e às falesiadas erosões ao precário caminho, sempre tentando alterar as vertigens de nossos desvarios evitar a queda de nossos voos; até que (com a morte) nos reine apenas a verdadeira paz do silêncio e as insubstantivas, impronominais e sublimes possibilidades do apagamento.
SEM ROTA DE FULGA
Não há como fugir, nem como sobrepujar o peso e a dor da hora morta no momento seguinte; o ontem passou em nada, o minuto presente vai-se esvaindo, obesa e desapercebidamente, deixando restos de nada; e o porvir são utopias e sonhos de céus inaugurados a se findarem em caixas-ilha de madeira, submersas em meio à terra e ao nada.
EU, MEUS FANTASMAS E EU
Ouço fantasmagóricos boatos de que a noite mais longa, mais fria e mais calma se aproxima, ao vento o cheiro da morte disfarçado pelos perfumes das rosas e das damas-da-noite; uma andorinha voa proximamente, um canário canta proximamente, um ano ama e geme fodendo proximamente, alheios de que o resplendor da lua não me brilhará mais no dia seguinte!
OBSCURAMENTE
Nunca mais seria pura, e nunca mais estaria sozinha nos anos que se sucedessem pelo resto de sua vida: à mente estilhaçada, haver-lhe-ia os ecos esconsos dos fantasmas, a quem incautamente abrira as portas do templo, na longínqua infância perdida. Haver-lhe-ia um céu vazio sob o qual colecionaria velhos tentilhões, que usasse para lhe alimentar as insânias germinadas à alma vazia. Haver-lhe-ia também outra coisa, ainda mais sombria: toda terra e todo sonho pintados pelo ego e pela boca, dissimuladamente, em mágicos tons: fluorescentes e fraternais; enquanto, concavamente, promovesse tudo à incessante guilhotina - inclusive o mensageiro -, com as tétricas reminiscências das vesanias. Tudo de onde se perdera, inexoravelmente, junto às tenebridades e às bestialidades dos defuntos e das idiolatrias.
ENTROPIA HUMANA
... rumo ao fim de suas vidas, entre a enfraquecida (mas resistente) capacidade de criarem imensidões e o iminente e inexorável retorno ao frio caos do apagamento, buscam ainda (os sapiens) respirar um pouco de luz, em meio às próprias e faustas superfícies.
TER-TE ASSIM
... ter-te, sabendo que habitas o deserto de mim, ter-te sabendo o que eu mesmo vejo, diante do espelho, do reflexo de mim, ter-te com a magnitude de teus encantos neste pequeno pedaço que sobrou de mim, ter-te, assim, entre o sonho e a realidade, entre a ilusão e a loucura, entre o amor e o desejo, entre o céu, o chão e os leitos imaginários é algo que me comove, que me faz delirar e que me coloca em medo e espanto!
PORTAS FECHADAS
Em espanto e dor, aquele sublime e eterno amor de outrora, que tantas e tantas vezes nos (per)juramos, padeceu no último adeus, juntamente com todas as quimeras que sonhamos e com todas as esperanças que engravidamos: e até hoje, quem se nos passa vê [aos chãos do cais abandonado], sem entenderem por quê, os caóticos resíduos des asas quebrados, des cinzas molhadas e de destroços espalhados por todo lado.
ONDE MAIS SINTO A DEUS
Se é verdade que entre as luzes sapiens vejo severas sombras, é fato que dentre as virgens escuridões do Cosmo, onde as retinas e as senciências humanas não alcançam, sinto a verdadeira divindade de Deus!
PURITANISMO DISSIMULADO
Mulher, de mil fases e de mil e uma máscaras teatradas, de mil rosas e de mil e um espinhos afiados; mulher, que se veste de cheiros e cores ao corpo sinuoso e de claridades néon às belas e ávidas cordas vocálicas; é sob as superficiais dos caminhos e dos desalinhos que costumas demonstrar suas maiores desgraças.
O BEIJO
... é deveras algo maravilhoso e provoca efeitos avassaladores, mesmo quando não se está em local apropriado; eu mesmo, em mais jovem, quando conhecia alguma moça e, numa mesa de bar ou numa discoteca dançando músicas românticas, enquanto a beijava peguei-me com incontidas ereções inviáveis para o momento, em que o tesão não devia ser exposto!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*