Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Havia fantasmagóricas e silentes vozes, e risos, e choros, e saudosos amores, e desamores que ressoavam por aqueles esquálidos corredores em que me colocava a caminhar solitário nas madrugadas;
e era como se eles tivessem sendo obrigados a deixarem tudo para trás - após apagados -, promiscuamente misturados com as infindas e esplêndidas imagens proliferadas pelos ainda incauto andantes da vida;
e era como se quisessem - mesmo ausentes das senciências vivas e incapazes de com elas voltarem a interagir de alguma forma -
continuar ainda, agora de modo sempiternamente pueril, como templos depositários de comunhão, amor e esperanças;
e era como se eu os tivesse conhecido humanos e; agora, estranha e fidedignamente, sentisse-os como anjos em procissão e sofrimento em busca de alguma purificação enquanto caminham pelo espesso limbo.
Até que, por não sei por qual razão, fui novamente liberado de um tumor que parecia definitivo,
e, ao regressar para casa, a reparar pela viagem os movimentos das árvores, dos carros, das carnes e de invisíveis asas,
pus-me a lamentar minha própria sina, qual seja não lhes ser conveniente que eu fale;
mas antevi minha chegada entres os que esperavam por distante e longa ausência:
todos com as mesmas perguntas e com semelhantes recomendações feitas por enfermeiras, médicos e demais transeuntes do hospital.
Ora, que da parte lume não é difícil decifrar ao sapiens, uma vez que ele enche as bochechas, acentua as orelhas e aguça a visão, foi certa a previsão, exceto por uma coisa:
meus filhos diziam o tempo todo: "Papai, papai, você não vais mais embora? Você levar pra jogar bola? Você vai me dar um presente? Você me leva para nadar?"
Com o peito dolorido, um pouco de morfina ainda correndo às veias e a tosse insistindo em cutucar-me os pulmões,
decidi que sim; alheamente ao que falavam os visitantes adultos, a mulher e a filha já crescida.
E lá, enquanto nadavam, - abrigado a uma sombra de palmeira - Eu contemplava a puerícia e a sublimidade do ainda não se saber ser.
E o vento - como há muito não sentia, trancado que estava naquele prédio em que a morte parecia caminhar desdenhando moucamente dos moribundos -
confidenciava-me aos ouvidos: "Enquanto os adultos esqueceram, as crianças sabem.
Sim - talvez como também os fantasmas que te visitaram à crina de suas peregrinações, tenham redescoberto após suas passagens por aí -;
as crianças, em seus inconspurcos templos, realmente ainda sabem.
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TUDO PASSA, TUDO PASSARÁ!
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EU QUERIA MESMO QUE HOUVESSE A ETERNIDADE PARA TE PROCURAR
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EU SABIA E EU O DISSE!
Ó libertária das sombras, ó florista do meu averno, ó sinfonista das cordas do Universo,
eu sabia e eu o disse a ti que, de tudo que havia de mais amorfo em tudo que há e sempre houvera, era o ser,
eu sabia e eu disse a ti que, em algum momento, eu teria de passar mais alguns dias ou algum tempo ao árido deserto
a fim de aguentar um pouco mais só, antes que tudo se acabe, em silentes angústias e lágrimas,
o pouco que me resta desse salgado reflexo dos céus escuros e dos duros chãos meus!
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DIGNIDADE SAPIENS
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LIVRE DE QUÊ? COMO?
Disseste
uma vez estares livre
de mim;
e eu que sou
de pouco riso, comecei delirantemente
a sorrir,
gargalhei,
mais exatamente.
E, tu já
chateada com alguma coisa
que eu supunha, convenientemente,
não saber,
quis saber
porque eu tanto sorria, o que
à época lhe respondera que era
segredo,
e hoje,
já em outro plano como que a voares
sobres céus, terras e mares, sem a senciente
e humana condição,
revelo-te
aos átomos modificados: é porque
quando dissestes estar livre
de mim,
não percebeste que,
tragicamente, como éramos espelho
e reflexo, estavas afirmando no contrapondo
de teu dito, que não conseguias
ficar sem ti!
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EU SINTO
... às vezes, em meu sítio, deito-me sob a sombra de frondosas árvores e tiro uma soneca ao vento;
vez em quando também, entre uma acordada e outra, sinto a presença de fantasmas
trazendo-me os verdadeiros pesadelos na decadência por mim conhecida da fria, dura e sapiens realidade!
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ETERNA MÃE
Ele a perdera estando ausente, mas numa noite, meio enlouquecido, talvez pelo remorso de sua covardia,
quis encontrá-la novamente, e a qualquer custo; então saiu desnudado pelas rua, sob uma suave noite escura.
Acima, havia a lua a contemplar, de esguelha, a estranha cena e as estrelas se escondiam detrás das encharcadas nuvens.
Agora era ele, com seus 45 anos surrados, cansado e à sua procura dela: a perdida luz;
e viu, ao longe, enormes montes, em cujos itinerários haviam ainda mais sombras e abismos vazios.
Não era corredor, muito menos tinha a força de outrora, mas ainda assim pôs-se correndo a curso;
ao caminho, havia pedras e fantasmas terríveis que lhe atravessavam o caminho.
Quase, quase esvaído, pôs-se a cair uma espessa chuva, como que em doloroso choro vindo dos céus;
e sob a chuva - salgada - uma voz ressoou-lhe candidamente:
"Por que te sofres tanto e por que me procuras, se - mesmo daqui de tão longe - sempre estive com você, meu filho?"
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SIM, É VERDADE, AMAMOS É O DESEJO!
Dizemos gostar, dizemos amar, juramos lealdade na saúde e na alegria, na doença e na morte, ao companheiro que escolhemos para morar,
dizemos não mentir, mas já mentimos dizendo ao dizer que não mentimos,
dizemos respeitar o corpo e a alma alheios, mas francamente, mesmo sem nos darmos conta, o que queremos deles são satisfazer nossos próprios desejos;
o que comprova o criador de Zaratustra, com seu niilismo frio e decadente: "Amamos o desejo, não o desejado"!
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AS COISAS, E NÓS COM ELAS, PASSAMOS!
As flores se foram, os pássaros se foram, os sonhos se foram; as donas beijas e as senhoras puristas também se foram a andarem entre outros sonhos ___ e leitos por aí;
deixando tão somente o lamento final da vida a se esvair, solitária e angustiadamente, entre as palidezes das paredes e as silentes escuridões ___ das madrugadas.
Neste estranho cenário, parece haver outra coisa errada: enquanto padece o niilista em esperança de continuar sendo com suas projeções ___ falhas,
suas mãos choram inexequiveis vontades de a tudo eternizar em incontroláveis emoções súbitas ___ e em vivos versos,
que reflitam às retinas dos pássaros perdidos e dos que ainda voam com suas resistentes ___ e férteis asas.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*