PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

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NÓS TODOS SOMOS TRAIDORES. PONTO.

É deveras interessante o ser humano. No caso dos traidores, por exemplo, é impressionante como somos dissimulados, traímos por escolha de trair e, depois, inventamos possíveis motivos que justifiquem a traição, como "o meu cônjuge não funciona direiro", "o meu amante é que mete berm", "Eu não sei a quem amo", " Eu dei para o outro, traindo meu marido, porque ele me fez sentir mulher", etecetera.

Ou seja, devo dizer uma verdade sobre o ser e suas imanências, inclusive a id: eu não transo nem traio só porque sou humano e tenho tesão, eu transo e traio por assim escolher fazer.
O mesmo se dá contigo, lamparina que vomita luzes faustas e plagia ideias poéticas, e com todos.

Ninguém trai por sentir tesão ou por ter a id ativada, muito menos trai por amor, traem porque escolheram trair.

Mas não fui eu desta vez, (embora eu já tenha traído), quem o fez foste tu e, interpretando alguns textos teus, parece querer justificar o injustificável e inverter a ordem das coisas.

Repita comigo o que eu disse quando traí: EU SOU UM TRAIDOR.

Tente. Isso é mais uma lição. E eu mesmo fiz comigo olhando-me ao espelho e dizendo: "Thor, você é um traidor, por escolha tua!"

Um dia chegarás ao nível do chão, por hora ainda estás abaixo dele. E olha que estiveste mesmo diante do melhor professor de tua vida, quando se trata do ser humano, motivo pelo qual eu provoquei a regressão sem tu perceberes e te dissequei antes mesmo de contares teu negro segredo!

P.S. Picas e xotas não ensinam nada. E a pior burrice é ligar qualquer pensamento humano ou coisa à id. A id é para ser desfrutada, quando disparada, com o poder de escolha de dar a ejaculada ou não. A id não serve para justificar nem um ato transgressor, muito menos uma traição!
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O DORSO DA AVE E O CANTO DA FLOR

Você constrói
um sonho de manhã
pensando-se um grande rio
para conduzir,

em suas águas sanhas,
aquele barco que chegou de repente
em sua vida;

ou se imaginando
uma águia para levar, em seu dorso voador,
aquela flor que te seduziu
com suas pétalas nuas
e com seu aroma
inebriante;

após as intempéries
dos caminhos pelos quais você
andou com ela.

Quando chega a noite
e se parece findar o tempo dos dois,
ao se olharem nos olhos
um do outro

e verem seus verdadeiros
reflexos espelhados, você descobre
que seu rio não existe,

e que o barco
que imaginou não existe,
e que no dorso do que se pensava
ser de águia,

você carregava
uma metáfora mal acabada,
em peso púmbleo angústia
e dor!
177

A MENTIRA É A MÃE DA VERDADE

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ÀS VEZES É MUITO DIFÍCIL VER O ÓBVIO E, ENTÃO, TUDO SE TORNA TARDE DEMAIS

... sempre tiveste
dúvidas sobre se eu gostava
de ti,

e todos os dias,
acusando-me de criar galinhas escondidas,
perguntava-me se eu realmente
te amava.

Bem,
depois de 10 anos de teu lado,
mesmo ambos casados com outros cônjuges,
enfrentando tal condição arriscada

e nos colocando
como companheiros, amigos e amantes
íntimos e livremernte autoofertados;

depois
de eu passar noites contigo acordado,
de ter feito sexo com você todos
os dias,

etecetera;

e agora,
depois que nos perdemos, já que nunca
cresce em minha presença e em minhas
ofertas,

separados,
distantes
e eternamente silentes,

que tal
tu mesma responderes à pergunta
que, desconfiada e inflamada, tanto
me fazias?
181

NÃO ÉS ANA, POR ISSO NÃO CONSEGUIRÁS

Ela doira seus versos
todos os dias tentanto atingir
as francas, nobres e puras sombras;

ela se prateia
todos os dias tentando seduziar
anjos, heróis e demais menestréis
e excitados tentilhões,

ela invoca
Deus para orar como se fosse
uma entidade a ser servida no seu modo
de amar e de foder entre
as coisas do muno;

ela tem
em casa um marido chifrudo,
e ela não tem o menor remorso porque
pensa que sabe diferenciar id de smor para
foder com um jovem roliço;

eu, por muito tempo,
fiquei silente, tolerando que ela
se apoiasse em minhas escuridões
para vazar suas podridões e dar descarga
a seus luminosos borrões,

e agora
ela até saberia viver sem o amor que diz
e sem o pau que frequenta, mas jamais conseguirá
deixar de frequentar as excitantíssimas
e virgens sombras,

de onde,
com silentes orgasmos mentais
e doces dores de parto, tira suas elogiadas
composições!
212

TEU MESTRE

Não é à toa
que me chamavas de mestre.

Com poucas palavras
e sem te comer, ensinei-te a ver um pouco
melhor as coisas onde
fomos jogados;

agora a id,
o amor, a espiritualidade e o superego,
ou seja, nenhuma das nossas imanências
tem a ver com nosso poder
de escolhas,

o qual também
é conhecido como livre arbítrio,
e exercido de acordo com as decisões
que partem dos centros de nossos
EUs,

nem com as consequencias
delas advindas, pelas quais temos
de pagar, como bem salientava
Jean Paul Sartre!


232

EU NUNCA SOU EU SOMENTE QUANDO ESCREVO. EU SOU SEMPRE UM POUCO DOS QUE ME LEEM!

188

JULGAMENTOS E CASTIGOS

Agora que nos perdemos
atracados no silêncio sempiterno,
feridos pelos severos, cruéis e inquisidores
verbos, e tomados por rancores
insanáveis;

após caminhares
pelos bailes da vida, quando as cortinas
do grande espetáculo estiverem
a se fecharem,

dize-te
de ti mesma,
ao olhares teu rastro
pelos caminhos perdidos
da vida,

sobre teus prazeres
calcinados, sobre tuas as paixões
desvairadas, e sobre teus amores desvalidos,
para que inscreva
em tua lápide
fria:

"Aqui jaz quem
pensava ser um anjo de luz,
mas era eu, simplesmente
uma cadela humana!"
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À ESPERA DE UMA MANHÃ DE SOL

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ONDE ESTÃO AS ESTAÇÕES?



Descobri há muito tempo que os guardiães e os compositores de verdades, em máscaras sublimes para suas atuações, estão condenados às superfícies em que se banham.

À frente, do alto de seus campanários formidáveis, os pronunciadores de imperativos arquitetam alegorias ardilosas, seguindo-os em procissões zumbátidas os devotos de mitos por eles criados; e as excitações senis diante do espetáculo pipocam por todos os cantos em adágios de toda ordem, encontrando amparos frágeis nos sonhos de amanhãs redentores, invocados como contravenenos a angústias cruciantes do presente e condenados em inconsciências de quedas porvires.

Nenhuma hora pode ser suspensa na messe autoconsagrada. Nenhum espaço pode deixar de ser conquistado e violado pela infiltração nociva que lhe toma como um câncer morto. Nenhum horizonte adiante do minuto seguinte pode estar exangue das novas cores que lhe são dadas. Nenhuma melodia entorpecida pode deixar de ser ouvida nos ares rasgados dos ocasos. Nenhum silêncio pode deixar de ser estuprado por algazarras da humanidade perfídica. E nenhum crepúsculo pode deixar de ser incendiado pelo fogo impetuoso dos pássaros renascentistas que teimam voar com suas liberdades e escolhas comprometidas, alheios de que, ao nascer, no primeiro choro, já nos condenamos em nossas imensidades transviadas.

E detentores inalienáveis que somos da condição de senhores do misterioso amálgama, com o escorregar venal pelo tempo, a parálise contrafeita atinge nossos nervos e vasos fundamentais, deixando ecoar, em nossas superficialidades confusas, sedes insaciáveis por alquimias encantadas. Nos espaços infindos de nossas protuberâncias, os olhos da face são os mais cegos, e tola é a existência em sua forma apregoada.

Nas veredas translúcidas, todos os cânticos ressonantes, todos os sonhos condenados, todas as súplicas negadas, e todas as angústias incuráveis são tão vãos como a pseudoatuação de seus emissores, a partir de seus próprios tabernáculos.

Ébrio por dissecações estultas de gêneses é que desatino e digo: se houver algo inconspurcado, é a equitação em neves negras, onde a luz emanada de nossos cernes argúcios não possa penetrar intrusamente, aportando um algo qualquer, imaginativo que seja, que contamine o impermisto de antes ou de após nosso desabrochar.

Donde estamos, porém, entre magníficas searas frutificadas de nossas mentes transcendentais, parece inevitável a condenação a nossos egos sencientes, contidos em nossos frágeis liames humanos.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!