Lista de Poemas
ONDE ESTÃO AS ESTAÇÕES?

Descobri há muito tempo que os guardiães e os compositores de verdades, em máscaras sublimes para suas atuações, estão condenados às superfícies em que se banham.
À frente, do alto de seus campanários formidáveis, os pronunciadores de imperativos arquitetam alegorias ardilosas, seguindo-os em procissões zumbátidas os devotos de mitos por eles criados; e as excitações senis diante do espetáculo pipocam por todos os cantos em adágios de toda ordem, encontrando amparos frágeis nos sonhos de amanhãs redentores, invocados como contravenenos a angústias cruciantes do presente e condenados em inconsciências de quedas porvires.
Nenhuma hora pode ser suspensa na messe autoconsagrada. Nenhum espaço pode deixar de ser conquistado e violado pela infiltração nociva que lhe toma como um câncer morto. Nenhum horizonte adiante do minuto seguinte pode estar exangue das novas cores que lhe são dadas. Nenhuma melodia entorpecida pode deixar de ser ouvida nos ares rasgados dos ocasos. Nenhum silêncio pode deixar de ser estuprado por algazarras da humanidade perfídica. E nenhum crepúsculo pode deixar de ser incendiado pelo fogo impetuoso dos pássaros renascentistas que teimam voar com suas liberdades e escolhas comprometidas, alheios de que, ao nascer, no primeiro choro, já nos condenamos em nossas imensidades transviadas.
E detentores inalienáveis que somos da condição de senhores do misterioso amálgama, com o escorregar venal pelo tempo, a parálise contrafeita atinge nossos nervos e vasos fundamentais, deixando ecoar, em nossas superficialidades confusas, sedes insaciáveis por alquimias encantadas. Nos espaços infindos de nossas protuberâncias, os olhos da face são os mais cegos, e tola é a existência em sua forma apregoada.
Nas veredas translúcidas, todos os cânticos ressonantes, todos os sonhos condenados, todas as súplicas negadas, e todas as angústias incuráveis são tão vãos como a pseudoatuação de seus emissores, a partir de seus próprios tabernáculos.
Ébrio por dissecações estultas de gêneses é que desatino e digo: se houver algo inconspurcado, é a equitação em neves negras, onde a luz emanada de nossos cernes argúcios não possa penetrar intrusamente, aportando um algo qualquer, imaginativo que seja, que contamine o impermisto de antes ou de após nosso desabrochar.
Donde estamos, porém, entre magníficas searas frutificadas de nossas mentes transcendentais, parece inevitável a condenação a nossos egos sencientes, contidos em nossos frágeis liames humanos.
187
ÀS VEZES É MUITO DIFÍCIL VER O ÓBVIO E, ENTÃO, TUDO SE TORNA TARDE DEMAIS
... sempre tiveste
dúvidas sobre se eu gostava
de ti,
e todos os dias,
acusando-me de criar galinhas escondidas,
perguntava-me se eu realmente
te amava.
Bem,
depois de 10 anos de teu lado,
mesmo ambos casados com outros cônjuges,
enfrentando tal condição arriscada
e nos colocando
como companheiros, amigos e amantes
íntimos e livremernte autoofertados;
depois
de eu passar noites contigo acordado,
de ter feito sexo com você todos
os dias,
etecetera;
e agora,
depois que nos perdemos, já que nunca
cresce em minha presença e em minhas
ofertas,
separados,
distantes
e eternamente silentes,
que tal
tu mesma responderes à pergunta
que, desconfiada e inflamada, tanto
me fazias?
dúvidas sobre se eu gostava
de ti,
e todos os dias,
acusando-me de criar galinhas escondidas,
perguntava-me se eu realmente
te amava.
Bem,
depois de 10 anos de teu lado,
mesmo ambos casados com outros cônjuges,
enfrentando tal condição arriscada
e nos colocando
como companheiros, amigos e amantes
íntimos e livremernte autoofertados;
depois
de eu passar noites contigo acordado,
de ter feito sexo com você todos
os dias,
etecetera;
e agora,
depois que nos perdemos, já que nunca
cresce em minha presença e em minhas
ofertas,
separados,
distantes
e eternamente silentes,
que tal
tu mesma responderes à pergunta
que, desconfiada e inflamada, tanto
me fazias?
174
O DORSO DA AVE E O CANTO DA FLOR
Você constrói
um sonho de manhã
pensando-se um grande rio
para conduzir,
em suas águas sanhas,
aquele barco que chegou de repente
em sua vida;
ou se imaginando
uma águia para levar, em seu dorso voador,
aquela flor que te seduziu
com suas pétalas nuas
e com seu aroma
inebriante;
após as intempéries
dos caminhos pelos quais você
andou com ela.
Quando chega a noite
e se parece findar o tempo dos dois,
ao se olharem nos olhos
um do outro
e verem seus verdadeiros
reflexos espelhados, você descobre
que seu rio não existe,
e que o barco
que imaginou não existe,
e que no dorso do que se pensava
ser de águia,
você carregava
uma metáfora mal acabada,
em peso púmbleo angústia
e dor!
um sonho de manhã
pensando-se um grande rio
para conduzir,
em suas águas sanhas,
aquele barco que chegou de repente
em sua vida;
ou se imaginando
uma águia para levar, em seu dorso voador,
aquela flor que te seduziu
com suas pétalas nuas
e com seu aroma
inebriante;
após as intempéries
dos caminhos pelos quais você
andou com ela.
Quando chega a noite
e se parece findar o tempo dos dois,
ao se olharem nos olhos
um do outro
e verem seus verdadeiros
reflexos espelhados, você descobre
que seu rio não existe,
e que o barco
que imaginou não existe,
e que no dorso do que se pensava
ser de águia,
você carregava
uma metáfora mal acabada,
em peso púmbleo angústia
e dor!
170
MORTE DE ASAS
Foi depois que
sonhei com um pássaro sendo morto
por dois anjos
negros
- que desceram
do céu invadindo seu reino
com suas adagas de fogo
às mãos;
um a segurar-lhe
e a mutilar-lhe as asas,
o outro a castrar-lhe
as genitálias
para, em seguida,
cravarem-lhe, ambos,
seus afiados e frios punhais arrancando-lhe
as vísceras e os caldos -;
que, ao acordar,
tive claro pressentimento
de que algo iria acontecer aos corações
que caminhavam juntos
a lutarem pelo amor.
À tarde de alguns dias depois,
quando melodiava uns versos quaisquer,
despercebido do ser abissal
que havia se atocaiado
em seu lar,
o pássaro começou
a ser atingido com afiadas lâminas,
que eram disparadas em forma
de tênebras e inquisitórias
palavras;
enquanto isso,
sua amada a tudo assistia
em silente angústia, armazenando
também rancores que seriam aspergidos
mais tarde;
e tal como no sonho,
a morte chegou com verbos impiedosos
a sentenciarem o severo
julgamento.
O pássaro morreu
sem as asas, a amada morreu
com grande dor na alma, e o abissal ser
foi latir sorrindo nas trevas
fecundadas!
sonhei com um pássaro sendo morto
por dois anjos
negros
- que desceram
do céu invadindo seu reino
com suas adagas de fogo
às mãos;
um a segurar-lhe
e a mutilar-lhe as asas,
o outro a castrar-lhe
as genitálias
para, em seguida,
cravarem-lhe, ambos,
seus afiados e frios punhais arrancando-lhe
as vísceras e os caldos -;
que, ao acordar,
tive claro pressentimento
de que algo iria acontecer aos corações
que caminhavam juntos
a lutarem pelo amor.
À tarde de alguns dias depois,
quando melodiava uns versos quaisquer,
despercebido do ser abissal
que havia se atocaiado
em seu lar,
o pássaro começou
a ser atingido com afiadas lâminas,
que eram disparadas em forma
de tênebras e inquisitórias
palavras;
enquanto isso,
sua amada a tudo assistia
em silente angústia, armazenando
também rancores que seriam aspergidos
mais tarde;
e tal como no sonho,
a morte chegou com verbos impiedosos
a sentenciarem o severo
julgamento.
O pássaro morreu
sem as asas, a amada morreu
com grande dor na alma, e o abissal ser
foi latir sorrindo nas trevas
fecundadas!
156
TRAIÇÃO E VAIDADE
... muitas pessoas
falam, escrevem e inferem coisas
sobre o cão niilista,
talvez
querendo entender o niilismo
ou as psiqués humanas;
não obstante,
sobretudo as luzes e os anjos,
quando inferem sobre o cão niilista em seus dizeres,
sem suas poesias ou em suas
vesanias,
fazem-no,
como era de se esperar, com extrema
vaidade na língua;
e para mim
não é supresa alguma que anjos
e luzes sapiens usem exatamente, para
justificarem suas dissimulações, suas mentiras
e suas traições vadias,
o fato
de que são humanos e que, portanto,
têm o direito ao erro, esquivando-se, repito,
por pura vaidade do fato de que
o ser humano tem também,
assim como a condição
de beirar o erro, o poder de escolha
entre a claridade e a escuridão, a lealdade
e a traição,
a dignidade
e a perdição, o verdadeiro senso do
que sejas ser um humano e a pseudoideia
que fazem do conceito de "humano"
tão somente para se protegerem
de suas próprias podridões!
falam, escrevem e inferem coisas
sobre o cão niilista,
talvez
querendo entender o niilismo
ou as psiqués humanas;
não obstante,
sobretudo as luzes e os anjos,
quando inferem sobre o cão niilista em seus dizeres,
sem suas poesias ou em suas
vesanias,
fazem-no,
como era de se esperar, com extrema
vaidade na língua;
e para mim
não é supresa alguma que anjos
e luzes sapiens usem exatamente, para
justificarem suas dissimulações, suas mentiras
e suas traições vadias,
o fato
de que são humanos e que, portanto,
têm o direito ao erro, esquivando-se, repito,
por pura vaidade do fato de que
o ser humano tem também,
assim como a condição
de beirar o erro, o poder de escolha
entre a claridade e a escuridão, a lealdade
e a traição,
a dignidade
e a perdição, o verdadeiro senso do
que sejas ser um humano e a pseudoideia
que fazem do conceito de "humano"
tão somente para se protegerem
de suas próprias podridões!
165
INSANO
Desde que perdi minhas asas,
ando a pensar sobre
vôos e quedas,
porque eu pensei
que era o bonzão nas festas
e nas assembléias dos menestréis
palhaços,
porque, enquanto isso,
sempre disseram que sou amargo,
e que borrifo sal nas feridas,
e que levo uma vida insana
de trapezista de imagens,
e a vizinha disse
que sou um tremendo
de um babaca;
mas eu ouço Tchaikovsky
aos domingos e Deep Purple nas segundas,
já não tenho mais cabelos
compridosaos 47,
tenho mais de 20
tatoos pelo corpo e costumo devorar parasitas
nas coxinhas que do dono do botequim
vende na esquina,
e eu descobri numa feira
onde vendem bijuterias amarelas,
e numa igreja onde falavam de paz entre homens
e de salvação redentora
dos mortos.
e depois na propaganda
do ministério da saúde que diz que fumar
é prejudicial à saúde,
que os cães ladram
às noites suburbanas
e as flores sorriem aos dias
de cristais,
e que, às vezes,
até eu sorrio andando por aí,
sobretudo das desgraças dos meus inimigos,
e que deve haver um equilíbrio
entre luzes e sombras
que servimos e comemos
nos bailes, nos jantares, nas procissões
e nas orgias da vida;
e quem disser que não,
eu derrubo os muros das prisões,
escancaro as guerras da história,
mostro as fomes das crianças
do mundo
enquanto enchem o rabo
de seus filhos de burundangas e presentinhos,
e quem disser que não, eu mostro as facas
escondidas nos cernes de suas abissais
condições!
ando a pensar sobre
vôos e quedas,
porque eu pensei
que era o bonzão nas festas
e nas assembléias dos menestréis
palhaços,
porque, enquanto isso,
sempre disseram que sou amargo,
e que borrifo sal nas feridas,
e que levo uma vida insana
de trapezista de imagens,
e a vizinha disse
que sou um tremendo
de um babaca;
mas eu ouço Tchaikovsky
aos domingos e Deep Purple nas segundas,
já não tenho mais cabelos
compridosaos 47,
tenho mais de 20
tatoos pelo corpo e costumo devorar parasitas
nas coxinhas que do dono do botequim
vende na esquina,
e eu descobri numa feira
onde vendem bijuterias amarelas,
e numa igreja onde falavam de paz entre homens
e de salvação redentora
dos mortos.
e depois na propaganda
do ministério da saúde que diz que fumar
é prejudicial à saúde,
que os cães ladram
às noites suburbanas
e as flores sorriem aos dias
de cristais,
e que, às vezes,
até eu sorrio andando por aí,
sobretudo das desgraças dos meus inimigos,
e que deve haver um equilíbrio
entre luzes e sombras
que servimos e comemos
nos bailes, nos jantares, nas procissões
e nas orgias da vida;
e quem disser que não,
eu derrubo os muros das prisões,
escancaro as guerras da história,
mostro as fomes das crianças
do mundo
enquanto enchem o rabo
de seus filhos de burundangas e presentinhos,
e quem disser que não, eu mostro as facas
escondidas nos cernes de suas abissais
condições!
172
TEU MESTRE
Não é à toa
que me chamavas de mestre.
Com poucas palavras
e sem te comer, ensinei-te a ver um pouco
melhor as coisas onde
fomos jogados;
agora a id,
o amor, a espiritualidade e o superego,
ou seja, nenhuma das nossas imanências
tem a ver com nosso poder
de escolhas,
o qual também
é conhecido como livre arbítrio,
e exercido de acordo com as decisões
que partem dos centros de nossos
EUs,
nem com as consequencias
delas advindas, pelas quais temos
de pagar, como bem salientava
Jean Paul Sartre!
que me chamavas de mestre.
Com poucas palavras
e sem te comer, ensinei-te a ver um pouco
melhor as coisas onde
fomos jogados;
agora a id,
o amor, a espiritualidade e o superego,
ou seja, nenhuma das nossas imanências
tem a ver com nosso poder
de escolhas,
o qual também
é conhecido como livre arbítrio,
e exercido de acordo com as decisões
que partem dos centros de nossos
EUs,
nem com as consequencias
delas advindas, pelas quais temos
de pagar, como bem salientava
Jean Paul Sartre!
225
Comentários (7)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!



Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*