Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
É magnífica a visão: "tu tomando banho de piscine de top less e com a pequena calcinha enfiada atrrás;
de resto, totalmente nua!
E eu fico dissimuladamente te olhando e pensando no que te dizer ou no que fazer contigo,
vendo a pequena peça te comendo e o sol te lambendo o corpo inteiro:
oferecer-te uma linda canção, um poema dos melhores que já escrevi, um jantas com uma vela em luz
out e amar urgentemente, enquando não chegam os astutos anjos e os famintos lobos!
161
ABISMO
Somos bipolares, sempre divididos em duas partes,
uma que sonha, outra que sofre, uma que se dá ao mundo, outra que quer devorá-lo,
uma esperança eterna à beira de um definitivo naufrágio,
uma graça, um pecado, um amor incontido rancor, o alívio, a dor:
sim, em tudo somos ambíguos e bipolares esceto quando caímos no abismo de nós mesmos, porque deste não se sai vivo!
105
A SENSIÊNCIA HUMANA!
Que seria a maior virtude - ou riqueza - há no ser humano, senão a razão, que o difere das demais coisas e animais,
que lhe permite, entre tudo que imagina, sente ou vê, fazer escolhas que melhor lhe aprazem?
Não obstante, que também maior chaga há no universo que a aquisição acidental dessa racional senciência,
que lhe permite colocar-se ao centro de tudo, rasgando possibilidades, inaugurando novas casualidades e provocando extermínios plurais?
234
A VISÃO PARA FORA DA CAVERNA É ABNÔMALA!
Voltar para a caverna,
este é meu inexorável caminho,
que outros façam
da poesia caminhos e destinos
de ilusões e de sonhos,
que outros a façam
de repercussões de imjpulsos
e de desejos ardentes
e excitantes,
que outros a façam
com palavras de amor de suas noites
de glória e insones;
eu, para escrever,
uso a pedra,
a pedra
que constitui o que nunca fui,
ou deixei de ser:
a caverna!
142
EU SEMPRE TE REPARAVA
Ainda me lembro de quando estavas ali, despercebida
- entre flores e cravos -;
ao longe, teus lábios faziam graciosas curvas sem que dissesses uma palavra,
tuas pétalas bailavam ao vento, fazendo-me sonhar a nuvem protegida.
Estranhamente já se me tornavas vital, mesmo antes que te percorresse as sensuais margens,
e me naufragasse na puerícia de tua alma.
147
NUM LONGÍNQUO CREPÚSCULO!
Num longínquo crepúsculo, ele se sentou nunca cadeira de mogno e começou a enrolar, lentamente, seu cigarro de palha:
as mãos calejadas pareciam ter se transformado em rijos e estranhos cascos, com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida, corriam tantas falésias que lhe encobriam estórias e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol dando baforadas como que a assistir às últimas luzes do espetáculo,
como que a me ensinar como são frágeis as cortinas de fumaça.
189
O QUE FAREI AGORA?
Não compreendo isso que me sobrou agora,
é como se o sol tivesse se posto para sempre
e aquele inverno em que nos amamos tivesse me envolvido e tomado conta de todo meu corpo e minha alma;
e o pior de tudo é que eu não sei o que fazer e onde ir agora que tu já não estás em lugar algum à minha espera!
187
DESEJOS
Beijos ardentes, mãos ávidas a percorrerem o corpo, bocas a suspirarem desejos, pernas delineadamente sensuais a me prenderem à vulva a rígida haste
- as entregas, os malabarismos, os suores, os afagos, os orgasmos: sem nenhuma contenção, sem nenhuma tentativa de compreensão -;
mas há uma condição que preciso impor tão somente para nossa sobrevivência de asas:
em meio a essa imperiosa tempestade de libidinosos sentidos, deixa o verbo amar no intransitivo.
164
NÃO HÁ AMOR SEM CAOS
Sem a menor dúvida, o maior problema que enfrentamos durante todo o tempo em que nos amamos,
foi termos excogitado demais sobre nós mesmos, e sobre o que éramos ou fazíamos ao meio de outros passarinhos e mariposas com seus cantos soberbos e seus faróis acesos,
porque o amor não admite elucubrações nem suas palavras-instrumento, que acabam se transformando em afiadas navalhas a tocarem a alma e a ameaçarem a paz.
Não, não fale deles - essa bicharada que, como nós, regozijam luzes defecando sombras escondidos -;
os maiores culpados de nossa morte fomos nós mesmos, que não soubemos nos amar em meio a este inevitável caos.
96
ESTRANHA ANARQUIA!
Em que estranha anarquia e em que abstratíssima sensação me acordei nesta opiácea e inusitada manhã:
sob o desdenhar das nuvens, fora como se as coisas estivessem se apagando em branco,
sem que eu pudesse compreender se eram reflexos avessos de meu espúrio eu psíquico, ou de minha alma vazia.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*