Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
e aquele inverno em que nos amamos tivesse me envolvido e tomado conta de todo meu corpo e minha alma;
e o pior de tudo é que eu não sei o que fazer e onde ir agora que tu já não estás em lugar algum à minha espera!
187
A SENSIÊNCIA HUMANA!
Que seria a maior virtude - ou riqueza - há no ser humano, senão a razão, que o difere das demais coisas e animais,
que lhe permite, entre tudo que imagina, sente ou vê, fazer escolhas que melhor lhe aprazem?
Não obstante, que também maior chaga há no universo que a aquisição acidental dessa racional senciência,
que lhe permite colocar-se ao centro de tudo, rasgando possibilidades, inaugurando novas casualidades e provocando extermínios plurais?
234
DESEJOS
Beijos ardentes, mãos ávidas a percorrerem o corpo, bocas a suspirarem desejos, pernas delineadamente sensuais a me prenderem à vulva a rígida haste
- as entregas, os malabarismos, os suores, os afagos, os orgasmos: sem nenhuma contenção, sem nenhuma tentativa de compreensão -;
mas há uma condição que preciso impor tão somente para nossa sobrevivência de asas:
em meio a essa imperiosa tempestade de libidinosos sentidos, deixa o verbo amar no intransitivo.
163
AMOR VIOLADO!
Eu te olhava como um cão escondido, com medo de ser escurraçado a qualquer momento,
tu dizias me amar, mas não a meu lado humanamente canina;
eu passei muitas madrugadas sem dormer, sonhando com uma chance de te amar sem gosto de dor ou de lágrimas;
eu beijei tua boca, entre tuas pernas abertas, teus seios e tua alma;
eu juro que tentei de tudo para termos algum pedaço plantado na eternidade,
mas acabei mesmo foi naufragado em meio a um monte de destroços, de vazios e de nadas!
116
O SONHO E O DESERTO
Não, não sei explicar o que é exatamene o deserto ___ em mim,
mas certamente não é como op caminho ___ dos pássaros
que imaginam achar tudo ao meio ___ do nada;
é algo como que, ao contrário, se pudesse um tudo, (sonhar, amar num eterno ___ doar-se),
tendo a certeza de que não podemos perder tempo, porque no fim ___ seremos nada.
180
POR QUE TE PERDI?
Porque te amar era me mutilar de paz e de sossego,
porque te amar era como visitar céus e infernos em dias, respectivamente, de prazer e de desespero,
porque nunca consegui vencer os venenos que me aplicaste aos poucos, nem os fantasmas que criaste em mim
porque te amar era tão impossível como tentar acender um sol em uma chuvosa hiemal e escura madrugada!
110
BECOS SECRETOS
Por trás daquele olhar negro,
por trás daquele pálido olhar de anjo,
por trás daquele limpíssimo e sensual vestido branco,
por detrás daquelas asas de voos sublimes e longos:
eu vi, e eu senti um desejo tão indevassável,
que sustentaria toda uma legião de demônios!
170
ESTRANHA ANARQUIA!
Em que estranha anarquia e em que abstratíssima sensação me acordei nesta opiácea e inusitada manhã:
sob o desdenhar das nuvens, fora como se as coisas estivessem se apagando em branco,
sem que eu pudesse compreender se eram reflexos avessos de meu espúrio eu psíquico, ou de minha alma vazia.
81
CONSTATAÇÃO!
Tudo sobre ti foi meio fantasia, meio idealismo, meia realidade,
meia verdade, meia mentira, meio conto de fadas,
meio mar, meu céu, meia floresta meio deserto amargo;
sim, tudo sobre ti foi meio dia, meia noite, meia presença, meia ausência, meio júbilo, meio silêncio.
"Vai com cuidado, Thor!", eu me dizia silentemente a mim mesmo: "Tudo nela é meio luz, meio sombra como se ela fosse uma fábrica de sonhos e de bombas!"
167
NUM LONGÍNQUO CREPÚSCULO!
Num longínquo crepúsculo, ele se sentou nunca cadeira de mogno e começou a enrolar, lentamente, seu cigarro de palha:
as mãos calejadas pareciam ter se transformado em rijos e estranhos cascos, com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida, corriam tantas falésias que lhe encobriam estórias e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol dando baforadas como que a assistir às últimas luzes do espetáculo,
como que a me ensinar como são frágeis as cortinas de fumaça.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*