Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
por trás daquele limpíssimo e sensual vestido branco,
por detrás daquelas asas de voos sublimes e longos:
eu vi, e eu senti um desejo tão indevassável,
que sustentaria toda uma legião de demônios!
171
CONTRASTE!
É visível que não gostam - esses mascarados puristas de plantão -
de quando me aproximo demasiadamente de suas apresentações maestrinas:
tremeluzem, alguns menestréis franzem as sobrancelhas em ira;
algumas mariposas jogam os cabelos para trás, fingindo desdém.
Às vezes, curvam-se o raso chão, atirando-me pedras verbalizadas contra as sombras
- em vão -,
e revelando que, por detrás dos disfarces, há exatamente que estou ali para evidenciar:
a verdadeira - ou dela a falta - face.
118
CONSTATAÇÃO!
Tudo sobre ti foi meio fantasia, meio idealismo, meia realidade,
meia verdade, meia mentira, meio conto de fadas,
meio mar, meu céu, meia floresta meio deserto amargo;
sim, tudo sobre ti foi meio dia, meia noite, meia presença, meia ausência, meio júbilo, meio silêncio.
"Vai com cuidado, Thor!", eu me dizia silentemente a mim mesmo: "Tudo nela é meio luz, meio sombra como se ela fosse uma fábrica de sonhos e de bombas!"
167
ETERNAS AUSÊNCIAS!
E agora, com ambos ausentes, tu e eu:
que horizontes merecerão teu olhar angelical;
e que falésias abrigarão, do cão, as sombras e o pau?
106
SUPERFÍCIES EM BRUMAS
Tomara chegue o dia em que não mais possamos sequer tentar entender que a paz, o amor como algum outro sentimento ou verdade qualquer,
que tanto almejamos entre o mudo das coisas, só podem ser atingidos pelo alheamento que estas têm
- o que nos é impossível de nossa acidental e abnormal condição - às inaugurações de nossos sencientes egos.
104
A LIBERDADE E O EXISTENCIALISMO!
Quando Destoiévski escreveu que, se Deus não existisse, tudo seria possível,
não o entenderam muito bem, colocando na figura de Deus o poder absoluto para tudo;
não obstante, o fato de que tudo seja possível pela senciente escolha da abnormidade sapiens, significa exatamente que, na prática, o homem é seu próprio Deus!
179
SOBRE A POESIA
Quem disse que a poesia tem tudo a ver com amor, sonho ou paixão entre as pessoas?
Minha solidão e meu complexo niilismo não têm nada a ver com isso;
e por um motivo sincero: meus sonhos são meus, e meus amores, e paixões, e rancores - e tudo - são espuriamente só meus;
tanto mais intensos quanto mais ausentes meus parentes e, sobretudo, seus ilustres regozijos.
Voltando a falar de poesias: muitas vezes ela ali, boiando em algum vaso sanitário, e sendo confundida, sublimemente, com manjares de deuses.
109
DECLÍNIO!
Quando a fria noite com suas pesadas sombras cai-nos em tormenta,
quando silentes chuvas de fogo nos alagam os labirintos da mente,
quando os anjos, as flores e as beldades choram a nossos ouvidos, devido seus amores e angústias,
falha o sonho, desmorona a fantasia e sucumbe a esperança
tudo, à cruel escuridão do vazio que adentro se nos acenta, sucumbe terrivelmente!
121
SOMBRAS OPACAS
De fora, já fui elucubrado de todos os modos possíveis, como que se pudessem estar dentro de mim;
à prova, o temperamento, as verdades ou dissimulações, o singular niilismo exacerbado, e, sobretudo, sobre o que julgam ser personalidade e moral - ou a falta delas -;
quando mais acertaram, foi quando, desapercebidamente, falavam de si próprios com a palavra volátil atirada contra mim:
e eu aí, exatamente como diziam - e reagindo do mesmo modo -, fidedignamente retratado na mesma moldura em que todos, humanamente, habitamos.
187
PARA AMAR-TE
Para amar-te não preciso estar sempre contigo, nem te dizer isso todos os dias;
não preciso entrar em detalhes, nem tagarelar com o verbo volátil a teus ouvidos,
como que, com isso, pudéssemos nos acalmar os inseguros corações, ou sustentarmo-nos alguma posição à grande distância que nos separa:
para amar-te preciso apenas de duas coisas: que me permitas em primeiro lugar, e que nunca mais te hesites crer em mim.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*