Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... nada de especial, à primeira vista, bela como outras belas flores,
sensual como outros anjos e gostosa como o proibido fruto,
o mundo, o sonho e a cama congelados em um momento:
mais uma vez, é preciso cuidado para não olhar demasiado para o céu e se deixar cair no abismo!
125
ALÉM DA MARGEM!
Abandonado
em um oceano seco,
entre à morte
ainda com aquele sinistro
sofrimento por amor,
jogado nas escuridões
nas mais frias noites:
quando tentei
me desviar da Flor de inverno,
caí nas agudas
garras da branca nuvem,
já estava
todo quebrado perante
o ultimo e solitário
horizonte!
122
EU SEMPRE TE REPARAVA
Ainda me lembro de quando estavas ali, despercebida
- entre flores e cravos -;
ao longe, teus lábios faziam graciosas curvas sem que dissesses uma palavra,
tuas pétalas bailavam ao vento, fazendo-me sonhar a nuvem protegida.
Estranhamente já se me tornavas vital, mesmo antes que te percorresse as sensuais margens,
e me naufragasse na puerícia de tua alma.
147
NOITE INESQUECÍVEL
Chegara de madrugada em casa,
perfumado com o cheiro e arranhado com os espinhos de uma fulga flor de inverno
- ela entendia mesmo sobre chãos e era uma fulgurosa puta na cama -;
ao portão, esperava-me um corpo cansado, olhos lacrimejantes e suaves mãos,
para curar-me as feridas e ensinar-me, dolorosa e silentemente, sobre o amor e as sublimidades do coração.
129
TEMPOS!
... há tempos em que nos tornamos vazios como um lago seco,
há tempos em que olhamos os céus sem esperanças ou apelos,
há tempos em que nos viramos e nos lembramos de nossa época de criança,
quando passavamos anel nos dedos e o dedo escondido na bunda da menina que se escondia conosco no esconde- -esconde,
há tempos em que conhecemos alguma beldade, apaixonamos e nos casamos e vamos criar nossos filhos;
há também o tempo em que passamos mais tempo na espreguiçadeira e em que tentamos a tudo esquecer para escrever nossas angústias e dores com as sombras da noite!
180
ESPERA MAIS UM POUCO
Espera pelo próximo verão, quem sabe eu ainda não esteja por aqui,
espera mais um natal, mais uma estação, quem sabe o tempo não pára para nos esperar,
espera o próximo trem quem sabe ele virá a tempo de não nos perdermos na lida dura do deserto,
espera pelo frio do ultimo inverno que está por vir, quem sabe não descansamos respirando a morte fria?
153
O VENENO AINDA ESTÁ FAZENDO EFEITO!
... já fui criança a enfeitar campinhos de futebol e clubes onde borboletas iam se banhar com seus pequeninos biquínis,
já brinquei de herói, de vilão e já fui o anjinho que comeu aquela mocinha do filme que eu mesmo dirigia:
já fui de tudo, até o carrasco do mundo só para vencer uma dignificante batalha de redenção:
agora, depois de dela se passar e de tudo, meu osciloso caminhar tem sido solitário e frio,
e minha iminente morte, dolorosa e sem importância alguma!!
127
OS OLHOS DO DIABO!
SemPre se pode
ver os olhos do diabo, baby,
mas eles nunca são vistos por
outros lados,
mas tão somente
perantes um bom e fiel
espelho!
130
DECLÍNIO!
Quando a fria noite com suas pesadas sombras cai-nos em tormenta,
quando silentes chuvas de fogo nos alagam os labirintos da mente,
quando os anjos, as flores e as beldades choram a nossos ouvidos, devido seus amores e angústias,
falha o sonho, desmorona a fantasia e sucumbe a esperança
tudo, à cruel escuridão do vazio que adentro se nos acenta, sucumbe terrivelmente!
119
EU SOU
é verdade que, filosoficamente, sou uma abnomalia, constituindo-me assim
em meu próprio rei, em meu próprio despropósito, minha própria sobrevivência ao deserto,
meu próprio amor, meu próprio desejo, meu próprio pecado
e meus próprios escvuros, meus próprios pesadelos e meu próprio inferno descontrolado;
assim, senciente e inconvientemente coroado por mim mesmo, como ouma vela que tenta se manter acesa, apesar de tudo!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*