Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Eu te olhava como um cão escondido, com medo de ser escurraçado a qualquer momento,
tu dizias me amar, mas não a meu lado humanamente canina;
eu passei muitas madrugadas sem dormer, sonhando com uma chance de te amar sem gosto de dor ou de lágrimas;
eu beijei tua boca, entre tuas pernas abertas, teus seios e tua alma;
eu juro que tentei de tudo para termos algum pedaço plantado na eternidade,
mas acabei mesmo foi naufragado em meio a um monte de destroços, de vazios e de nadas!
116
ETERNIDADE!
Ando com tanta vontade e tao desejoso de me plantar, de alguma forma, no infinito
que nem as dores, nem as angústias e os sofrimentos, nem os tempestuosos mares,
nem os constantes e seguidos tropeços e sofrimentos pelos quais tenho passado nesta vida,
nem a iminente hora da morte conseguem evitar meus delírios dementes!
123
ALÉM DA MARGEM!
Abandonado
em um oceano seco,
entre à morte
ainda com aquele sinistro
sofrimento por amor,
jogado nas escuridões
nas mais frias noites:
quando tentei
me desviar da Flor de inverno,
caí nas agudas
garras da branca nuvem,
já estava
todo quebrado perante
o ultimo e solitário
horizonte!
122
POR QUE TE PERDI?
Porque te amar era me mutilar de paz e de sossego,
porque te amar era como visitar céus e infernos em dias, respectivamente, de prazer e de desespero,
porque nunca consegui vencer os venenos que me aplicaste aos poucos, nem os fantasmas que criaste em mim
porque te amar era tão impossível como tentar acender um sol em uma chuvosa hiemal e escura madrugada!
110
AFASTAMENTO
Afasto-me, vagarosamente, de teu âmbito nuvem, e monto vigorosa barreira para conter-te as faustas dádivas, as soberbias desvairadas e as chuvas afiadas;
sim, já não tarda muito para que não mais te sejas permitido entrada às bipolaridades de meus neons ou aos enegrecidos degraus de meu cerne degredado;
e te tenhas de ir a vibrar tua boca e tua mente encharcadas, por outros caminhos e outras esquizofrenias inauguradas.
154
A SUPERFÍCIE!
Disseste uma vez que gostarias de habitar a superfície,
e penso que estás correta nesse teu querer porque, assim não te padecerás de incontritas dores e angústias
- mesmo que elas te submerjam nos regozijos do verbo volátil e nos enredos dos gestos encenados -
que te habitam nos as profundezas do cerne e os vazios da alma.
90
AS VERDADES DO EGO!
Não gosto mesmo das verdades proferidas pelo ego, elas são como recusar pecados regozijando dissimuladas inocências:
no que se refere às flores, especificamente, prefiro, por obviedade, as sem-nomes e as que ainda não conheça;
porque já não sonho mais com as que se me apresentam nobres e puritanas,
enquanto povoam os discursos dos menestréis falantes e pousam, com suas bocetas, pelas hastes dos tentilhões passantes.
109
NÃO HÁ AMOR SEM CAOS
Sem a menor dúvida, o maior problema que enfrentamos durante todo o tempo em que nos amamos,
foi termos excogitado demais sobre nós mesmos, e sobre o que éramos ou fazíamos ao meio de outros passarinhos e mariposas com seus cantos soberbos e seus faróis acesos,
porque o amor não admite elucubrações nem suas palavras-instrumento, que acabam se transformando em afiadas navalhas a tocarem a alma e a ameaçarem a paz.
Não, não fale deles - essa bicharada que, como nós, regozijam luzes defecando sombras escondidos -;
os maiores culpados de nossa morte fomos nós mesmos, que não soubemos nos amar em meio a este inevitável caos.
96
DESEJOS
Beijos ardentes, mãos ávidas a percorrerem o corpo, bocas a suspirarem desejos, pernas delineadamente sensuais a me prenderem à vulva a rígida haste
- as entregas, os malabarismos, os suores, os afagos, os orgasmos: sem nenhuma contenção, sem nenhuma tentativa de compreensão -;
mas há uma condição que preciso impor tão somente para nossa sobrevivência de asas:
em meio a essa imperiosa tempestade de libidinosos sentidos, deixa o verbo amar no intransitivo.
164
NUM LONGÍNQUO CREPÚSCULO!
Num longínquo crepúsculo, ele se sentou nunca cadeira de mogno e começou a enrolar, lentamente, seu cigarro de palha:
as mãos calejadas pareciam ter se transformado em rijos e estranhos cascos, com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida, corriam tantas falésias que lhe encobriam estórias e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol dando baforadas como que a assistir às últimas luzes do espetáculo,
como que a me ensinar como são frágeis as cortinas de fumaça.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*