Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Perdi a cor da nuvem em que nos abarcamos outrora, agora sei apenas que há um corpo sensual e faminto a andar por aí
- entre mares sedutores, céus promissores e pedras-de-tropeço de todas as cores -
a se inebriar a goles de sonhos, amores e encantos e outros pássaros sapiens,
com suas vesanias às mentes, seus regozijos às bocas e suas extasiantes espumas às genitálias.
Sim, perdi a cor da nuvem em ângulos e caminhos contrários, sem nunca termos conseguido elucidar os mistérios de nossos ventos, chuvas e tempestades.
198
NÃO HÁ AMOR SEM CAOS
Sem a menor dúvida, o maior problema que enfrentamos durante todo o tempo em que nos amamos,
foi termos excogitado demais sobre nós mesmos, e sobre o que éramos ou fazíamos ao meio de outros passarinhos e mariposas com seus cantos soberbos e seus faróis acesos,
porque o amor não admite elucubrações nem suas palavras-instrumento, que acabam se transformando em afiadas navalhas a tocarem a alma e a ameaçarem a paz.
Não, não fale deles - essa bicharada que, como nós, regozijam luzes defecando sombras escondidos -;
os maiores culpados de nossa morte fomos nós mesmos, que não soubemos nos amar em meio a este inevitável caos.
95
A VISÃO PARA FORA DA CAVERNA É ABNÔMALA!
Voltar para a caverna,
este é meu inexorável caminho,
que outros façam
da poesia caminhos e destinos
de ilusões e de sonhos,
que outros a façam
de repercussões de imjpulsos
e de desejos ardentes
e excitantes,
que outros a façam
com palavras de amor de suas noites
de glória e insones;
eu, para escrever,
uso a pedra,
a pedra
que constitui o que nunca fui,
ou deixei de ser:
a caverna!
139
TENS IDEIA DE COMO JÁ TE AMEI?
É magnífica a visão: "tu tomando banho de piscine de top less e com a pequena calcinha enfiada atrrás;
de resto, totalmente nua!
E eu fico dissimuladamente te olhando e pensando no que te dizer ou no que fazer contigo,
vendo a pequena peça te comendo e o sol te lambendo o corpo inteiro:
oferecer-te uma linda canção, um poema dos melhores que já escrevi, um jantas com uma vela em luz
out e amar urgentemente, enquando não chegam os astutos anjos e os famintos lobos!
161
ABISMO
Somos bipolares, sempre divididos em duas partes,
uma que sonha, outra que sofre, uma que se dá ao mundo, outra que quer devorá-lo,
uma esperança eterna à beira de um definitivo naufrágio,
uma graça, um pecado, um amor incontido rancor, o alívio, a dor:
sim, em tudo somos ambíguos e bipolares esceto quando caímos no abismo de nós mesmos, porque deste não se sai vivo!
104
ETERNIDADE!
Ando com tanta vontade e tao desejoso de me plantar, de alguma forma, no infinito
que nem as dores, nem as angústias e os sofrimentos, nem os tempestuosos mares,
nem os constantes e seguidos tropeços e sofrimentos pelos quais tenho passado nesta vida,
nem a iminente hora da morte conseguem evitar meus delírios dementes!
123
ETERNAS AUSÊNCIAS!
E agora, com ambos ausentes, tu e eu:
que horizontes merecerão teu olhar angelical;
e que falésias abrigarão, do cão, as sombras e o pau?
106
VIVER É NÃO PENSAR
Se as coisas não nos são de outro modo, senão o com que as vemos com nossas sencientes e cegas retinas;
por que eu deveria dar algum crédito ao que regozijam os filósofos, os religiosos e os demais menestréis de plantão,
ou por que deveria pagar algum tostão que seja, pelo conjunto a quem chamam de sabedoria humana?
199
INSUFICIENTES IMANÊNCIAS!
Escrever poesia é como amar e meter, não é nada inocente:
no entre imagens dos sonhos, dos amores e dos prazeres,
as verdadeiras nuvens e as verdadeiras sombras não mudam de forma ou de cor:
nós é que as margeamos na existencial ponte!
98
CONTRASTE!
É visível que não gostam - esses mascarados puristas de plantão -
de quando me aproximo demasiadamente de suas apresentações maestrinas:
tremeluzem, alguns menestréis franzem as sobrancelhas em ira;
algumas mariposas jogam os cabelos para trás, fingindo desdém.
Às vezes, curvam-se o raso chão, atirando-me pedras verbalizadas contra as sombras
- em vão -,
e revelando que, por detrás dos disfarces, há exatamente que estou ali para evidenciar:
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*