Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
perfumado com o cheiro e arranhado com os espinhos de uma fulga flor de inverno
- ela entendia mesmo sobre chãos e era uma fulgurosa puta na cama -;
ao portão, esperava-me um corpo cansado, olhos lacrimejantes e suaves mãos,
para curar-me as feridas e ensinar-me, dolorosa e silentemente, sobre o amor e as sublimidades do coração.
129
CONSTATAÇÃO!
Tudo sobre ti foi meio fantasia, meio idealismo, meia realidade,
meia verdade, meia mentira, meio conto de fadas,
meio mar, meu céu, meia floresta meio deserto amargo;
sim, tudo sobre ti foi meio dia, meia noite, meia presença, meia ausência, meio júbilo, meio silêncio.
"Vai com cuidado, Thor!", eu me dizia silentemente a mim mesmo: "Tudo nela é meio luz, meio sombra como se ela fosse uma fábrica de sonhos e de bombas!"
167
NÃO HÁ AMOR SEM CAOS
Sem a menor dúvida, o maior problema que enfrentamos durante todo o tempo em que nos amamos,
foi termos excogitado demais sobre nós mesmos, e sobre o que éramos ou fazíamos ao meio de outros passarinhos e mariposas com seus cantos soberbos e seus faróis acesos,
porque o amor não admite elucubrações nem suas palavras-instrumento, que acabam se transformando em afiadas navalhas a tocarem a alma e a ameaçarem a paz.
Não, não fale deles - essa bicharada que, como nós, regozijam luzes defecando sombras escondidos -;
os maiores culpados de nossa morte fomos nós mesmos, que não soubemos nos amar em meio a este inevitável caos.
96
NUM LONGÍNQUO CREPÚSCULO!
Num longínquo crepúsculo, ele se sentou nunca cadeira de mogno e começou a enrolar, lentamente, seu cigarro de palha:
as mãos calejadas pareciam ter se transformado em rijos e estranhos cascos, com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida, corriam tantas falésias que lhe encobriam estórias e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol dando baforadas como que a assistir às últimas luzes do espetáculo,
como que a me ensinar como são frágeis as cortinas de fumaça.
188
DESEJOS
Beijos ardentes, mãos ávidas a percorrerem o corpo, bocas a suspirarem desejos, pernas delineadamente sensuais a me prenderem à vulva a rígida haste
- as entregas, os malabarismos, os suores, os afagos, os orgasmos: sem nenhuma contenção, sem nenhuma tentativa de compreensão -;
mas há uma condição que preciso impor tão somente para nossa sobrevivência de asas:
em meio a essa imperiosa tempestade de libidinosos sentidos, deixa o verbo amar no intransitivo.
164
TENS IDEIA DE COMO JÁ TE AMEI?
É magnífica a visão: "tu tomando banho de piscine de top less e com a pequena calcinha enfiada atrrás;
de resto, totalmente nua!
E eu fico dissimuladamente te olhando e pensando no que te dizer ou no que fazer contigo,
vendo a pequena peça te comendo e o sol te lambendo o corpo inteiro:
oferecer-te uma linda canção, um poema dos melhores que já escrevi, um jantas com uma vela em luz
out e amar urgentemente, enquando não chegam os astutos anjos e os famintos lobos!
161
VIVER É NÃO PENSAR
Se as coisas não nos são de outro modo, senão o com que as vemos com nossas sencientes e cegas retinas;
por que eu deveria dar algum crédito ao que regozijam os filósofos, os religiosos e os demais menestréis de plantão,
ou por que deveria pagar algum tostão que seja, pelo conjunto a quem chamam de sabedoria humana?
200
CONTRASTE!
É visível que não gostam - esses mascarados puristas de plantão -
de quando me aproximo demasiadamente de suas apresentações maestrinas:
tremeluzem, alguns menestréis franzem as sobrancelhas em ira;
algumas mariposas jogam os cabelos para trás, fingindo desdém.
Às vezes, curvam-se o raso chão, atirando-me pedras verbalizadas contra as sombras
- em vão -,
e revelando que, por detrás dos disfarces, há exatamente que estou ali para evidenciar:
a verdadeira - ou dela a falta - face.
118
PERDI A COR DA NUVEM!
Perdi a cor da nuvem em que nos abarcamos outrora, agora sei apenas que há um corpo sensual e faminto a andar por aí
- entre mares sedutores, céus promissores e pedras-de-tropeço de todas as cores -
a se inebriar a goles de sonhos, amores e encantos e outros pássaros sapiens,
com suas vesanias às mentes, seus regozijos às bocas e suas extasiantes espumas às genitálias.
Sim, perdi a cor da nuvem em ângulos e caminhos contrários, sem nunca termos conseguido elucidar os mistérios de nossos ventos, chuvas e tempestades.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*