Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
E atravessaram, enfim - poeta e poetisa -, as frias e voláteis grades das verbalizações;
e se amaram - onírica, silente e distantemente - com versos secretos, corpos ausentes e fulgurosas imaginações;
e com tal fulgor que não esperaram sequer serem servidos do doce e infinito cântaro de sublime união;
logo eles, conhecedores do quão difícil seria voltarem à laiva e dura realidade, com suas almas em exausta desilusão.
163
EU VI
Sim, de esguelha, eu vi por entre as horas e as ondas incertas:
há sonhos e esperanças aos jardins outonais, há desejos e concupiscências aos leitos caudais;
lendas e mitos vão colher frutas nos pomares, homens vão cair com seus lumes bipolares.
231
SIMPLESMENTE NADA!
... nem a vida nem a morte, nem o céu, nem o inferno, nem a salvação, nem o apocalipse,
nem o amor, nem a dor, nem o rancor, nem a paixão, nem o tesão,
nem o sonho, nem a fantasia nem nenhuma dos sapiens criação
realmente é de conhecimento ou importa ao eterno, frio e insenciente Cosmo de Deus!
138
O CIRCO CHEGOU!
Neandertais amanhecem embriagaos em ondulações lumes, a descobrirem os pálidos véus das sombras inocentes
e a adornarem os vazios ermos com plenitudes figuradas.
Pelos chãos pavimentados de melodias chilreadas por pássaros azuis e de cheiros aspergidos por flores madrigais,
caminho buscando algum sentido em cada ato e em cada passo entre o estranho magnetismo da coisas,
não obstante sempre me afogando em algum rio de turvas águas, ou em alguma viela escura e alagada.
209
LOUR
Quero esconder-me nas paredes da nova casa,
a casa que aguardou meu regresso, com meu fiel espelho pendurado na sala;
quero retornar à casa nova com nossas noites de amor, de chuvas de fogo, de incontroláveis desejos e também de severos pesadelos.
Não quero mais ficar adoecido da sepultada, qnquanto me aguarda e me acolhe a casa nova,
que, como eu, não acredita em amores infinitos, mas que sabe fazer com que o momento se torne perpétuo!
162
ESPELHO VAZADO
171
CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS
Gosto de quando chove e os homens ficam quietos nos parâmetros faustos do mundo.
Gosto de quando chove e se afastam de mim os vestígios púmbleos dos contínuos ciclos abnormais salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove e me escondo em meu canto, anoitecendo-me em claustro silêncio, de onde não posso ver nem atuar nos entrevados palcos de concretos.
Gosto de quando chove, porque tento me desfazer - em vão - também de meus próprios vestígios espúrios, lançando-os às enxurradas dos precipícios.
Mas, quando a chuva para, perco com o líquido o momento onírico e retorno à coleção de imagens e de superficialidades cimentais,
com minhas performances dissimuladas e com meus versos escumalhados.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*