Lista de Poemas
O PULSO
Pulsa o hieróglifo
da existência:
os soberbos pássaros
- que colecionam imagens, sonhos,
pedras e musgos - não estão
libertos em seus viveiros
de ouro.
Há ecos de dor entre
as paredes:
por isso mandem livros
aos prisioneiros, contando-lhes
as estórias dos poetas, das lendas
e dos cancioneiros.
Mas, para que
não morram na alfama,
não deixem que descubram
a grande verdade:
de que são aves
absolutamente planas,
e de que as grades são feitas
de ebriedades
originadas de suas
mentes insanas e de suas salivas
humanas.
da existência:
os soberbos pássaros
- que colecionam imagens, sonhos,
pedras e musgos - não estão
libertos em seus viveiros
de ouro.
Há ecos de dor entre
as paredes:
por isso mandem livros
aos prisioneiros, contando-lhes
as estórias dos poetas, das lendas
e dos cancioneiros.
Mas, para que
não morram na alfama,
não deixem que descubram
a grande verdade:
de que são aves
absolutamente planas,
e de que as grades são feitas
de ebriedades
originadas de suas
mentes insanas e de suas salivas
humanas.
201
NO TEMPO DO SEVERO INVERNO!
... houve um tempo
em que nos amávamo de tal modo
que não conseguíamos nos aceitar
humanos,
e eu não falo
de crises, de inseguranças de ciúmes
causadores de tempestades
e de chuvas,
eu falo
é que nos queríamos (e ainda vou
buscá-la no pós-morte, um dia para tentarmos novamente) com o amor, com a sabedoria
e som o sublime silêncio
dos anjos!
238
EU VI
Sim,
de esguelha,
eu vi por entre as horas
e as ondas incertas:
há sonhos e esperanças
aos jardins outonais, há desejos
e concupiscências aos leitos
caudais;
lendas e mitos
vão colher frutas nos pomares,
homens vão cair com seus
lumes bipolares.
de esguelha,
eu vi por entre as horas
e as ondas incertas:
há sonhos e esperanças
aos jardins outonais, há desejos
e concupiscências aos leitos
caudais;
lendas e mitos
vão colher frutas nos pomares,
homens vão cair com seus
lumes bipolares.
225
CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS
Gosto de quando chove
e os homens ficam quietos
nos parâmetros faustos
do mundo.
Gosto de quando chove
e se afastam de mim os vestígios púmbleos
dos contínuos ciclos abnormais
salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove
e me escondo em meu canto,
anoitecendo-me em claustro silêncio,
de onde não posso ver nem atuar
nos entrevados palcos
de concretos.
Gosto de quando chove,
porque tento me desfazer - em vão - também
de meus próprios vestígios espúrios,
lançando-os às enxurradas
dos precipícios.
Mas, quando a chuva para,
perco com o líquido o momento onírico
e retorno à coleção de imagens
e de superficialidades
cimentais,
com minhas performances
dissimuladas e com meus versos
escumalhados.
e os homens ficam quietos
nos parâmetros faustos
do mundo.
Gosto de quando chove
e se afastam de mim os vestígios púmbleos
dos contínuos ciclos abnormais
salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove
e me escondo em meu canto,
anoitecendo-me em claustro silêncio,
de onde não posso ver nem atuar
nos entrevados palcos
de concretos.
Gosto de quando chove,
porque tento me desfazer - em vão - também
de meus próprios vestígios espúrios,
lançando-os às enxurradas
dos precipícios.
Mas, quando a chuva para,
perco com o líquido o momento onírico
e retorno à coleção de imagens
e de superficialidades
cimentais,
com minhas performances
dissimuladas e com meus versos
escumalhados.
161
UMA VITÓRIA APÓS A MORTE!
E atravessaram,
enfim - poeta e poetisa -, as frias
e voláteis grades das
verbalizações;
e se amaram - onírica,
silente e distantemente - com versos secretos,
corpos ausentes e fulgurosas
imaginações;
e com tal fulgor
que não esperaram sequer serem servidos
do doce e infinito cântaro
de sublime união;
logo eles, conhecedores
do quão difícil seria voltarem à laiva
e dura realidade, com suas almas
em exausta desilusão.
enfim - poeta e poetisa -, as frias
e voláteis grades das
verbalizações;
e se amaram - onírica,
silente e distantemente - com versos secretos,
corpos ausentes e fulgurosas
imaginações;
e com tal fulgor
que não esperaram sequer serem servidos
do doce e infinito cântaro
de sublime união;
logo eles, conhecedores
do quão difícil seria voltarem à laiva
e dura realidade, com suas almas
em exausta desilusão.
154
O DESERTO DO POETA
... o verdadeiro poeta,
com seus sonhos, seus devaneios
e suas esferográficas
___ grávidas,
nunca sabe
___ exatamente onde está,
se no quentume
do corpo, se no silente e sublime
___ voo das asas,
ou se
naufragado nas solitárias
sombras de uma fria
___ madrugada!
com seus sonhos, seus devaneios
e suas esferográficas
___ grávidas,
nunca sabe
___ exatamente onde está,
se no quentume
do corpo, se no silente e sublime
___ voo das asas,
ou se
naufragado nas solitárias
sombras de uma fria
___ madrugada!
129
INSOLENTES MÁSCARAS
Os abnormais se disfarçam
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
163
O CIRCO CHEGOU!
Neandertais amanhecem
embriagaos em ondulações lumes,
a descobrirem os pálidos véus
das sombras inocentes
e a adornarem os vazios ermos
com plenitudes figuradas.
Pelos chãos pavimentados
de melodias chilreadas por pássaros
azuis e de cheiros aspergidos
por flores madrigais,
caminho buscando
algum sentido em cada ato
e em cada passo entre o estranho
magnetismo da coisas,
não obstante
sempre me afogando em algum rio
de turvas águas, ou em alguma
viela escura e alagada.
embriagaos em ondulações lumes,
a descobrirem os pálidos véus
das sombras inocentes
e a adornarem os vazios ermos
com plenitudes figuradas.
Pelos chãos pavimentados
de melodias chilreadas por pássaros
azuis e de cheiros aspergidos
por flores madrigais,
caminho buscando
algum sentido em cada ato
e em cada passo entre o estranho
magnetismo da coisas,
não obstante
sempre me afogando em algum rio
de turvas águas, ou em alguma
viela escura e alagada.
197
A MORTE VEIO E DEIXOU TUDO TARDE DEMAIS!
Às vezes,
sinto até um pouco de falta
daquela viciante
___ droga,
mas não atendo
chamados, nem a convoco
___ de volta,
por ter certeza
de que abriria todas as feridas,
e lançaria nossa vil
___ existência,
e nosso
ominosa estória de outrora
ao lugar certo: na lama
___ e no caos.
sinto até um pouco de falta
daquela viciante
___ droga,
mas não atendo
chamados, nem a convoco
___ de volta,
por ter certeza
de que abriria todas as feridas,
e lançaria nossa vil
___ existência,
e nosso
ominosa estória de outrora
ao lugar certo: na lama
___ e no caos.
127
Comentários (7)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!

Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*