Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Não chegou a ser surpreendeendente, posto que era já há muito sonhado e desejado
mas foi um súbito e fatal golpe:
quando Ana tirou as asas e ficou nua diante do espelho,
tomou o poder e trouxe um amor e um temor tão grandes que a ele, ainda vivo, levou à morte!
130
NO TEMPO DO SEVERO INVERNO!
... houve um tempo
em que nos amávamo de tal modo
que não conseguíamos nos aceitar
humanos,
e eu não falo
de crises, de inseguranças de ciúmes
causadores de tempestades
e de chuvas,
eu falo
é que nos queríamos (e ainda vou
buscá-la no pós-morte, um dia para tentarmos novamente) com o amor, com a sabedoria
e som o sublime silêncio
dos anjos!
247
ESPELHO VAZADO
172
ENGANOS EM CACOS
Pouco sabeis a meu respeito, e nada mais podeis prometer-me com vossas tremeluzentes lamparinas, ou atirar-me de vossas ominosas latrinas,
porque há tanto tempo caminho com o peso quase insuportável do que houve e do que possa haver em minhas margens espúrias,
que os sonhos, e os amores, as esperanças e até os medos e receios caíram neste caos de mim.
155
O COSMO TREMEU NAQUELE DIA
... quando foi a última vez que te vi andando pelas sombras da madrugada
com aqueles teus olhos de molhados de chuva não sei;
mas sei que agora, enquanto os anjos e os santos contigo festejam nas nuvens em cama do céu,
enlouqueço-me angustiado e solitariamente sob a cheia, clara e tresloucada lua!
141
SIMPLESMENTE NADA!
... nem a vida nem a morte, nem o céu, nem o inferno, nem a salvação, nem o apocalipse,
nem o amor, nem a dor, nem o rancor, nem a paixão, nem o tesão,
nem o sonho, nem a fantasia nem nenhuma dos sapiens criação
realmente é de conhecimento ou importa ao eterno, frio e insenciente Cosmo de Deus!
138
O DESERTO DO POETA
... o verdadeiro poeta, com seus sonhos, seus devaneios e suas esferográficas ___ grávidas,
nunca sabe ___ exatamente onde está,
se no quentume do corpo, se no silente e sublime ___ voo das asas,
ou se naufragado nas solitárias sombras de uma fria ___ madrugada!
138
FLOR DESPETALADA
Alguém machucou seu coração dizendo-lhe que me viu cachorrando por aí.
Com a singra no peito, ela foi averiguar o maldito dito, e me viu cachorrando por aí.
E eu, que realmente a amo, mesmo cachorrando dissimuladamente por aí,
e que me escondia para não fazê-la sofrer, só queria saber quem foi o grande filha da puta que lhe contou isso.
154
A BARREIRA ESTÁ FIRME COMO ROCHA SEMINAL
... armem-se dos princípios do amor
para sonhar, para namorar, para transar,
para voar, para dançar, para fantasiar
e, sobretudo, para sentir dor!
182
INSOLENTES MÁSCARAS
Os abnormais se disfarçam com insolentes máscaras, entre labirintos idílicos e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos e os verbos que ressoam regozijos evidenciam as hégiras iludidas das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi inexoravelmente violada, gerando multidões de filhos apócrifos, de modo que as chagas marfolhas se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais voam a cingirem os céus com sonhos, fantasias e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes pululam, de flor em flor, a adornarem esplêndidos jardins rupestres;
pavões menestréis pupilam composições de belas sinfonias, para tentarem mover inércias oníricas;
papagaios despercebidos tartareiam, em repetições moucas, as reticentes promiscuidades dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos elogiam, luzindo seus faróis, os ermos e frios silêncios das sombras noturnas;
marimbondos negros não conseguem, carregados de solidão e ruína, ladear risos em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas silvam, em fome insaciável, às rasas e secas superficialidades dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas, em soturnas esperas, para o abate das frágeis presas que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado no inferno dos homens; e os corpos dançam encurvados em intensos frenesis,
à nau das insânias incontidas, das palavras voláteis, das concupiscências vadias e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem - singram em agonia, por não termos o mínimo de cuidado para que não morram no vazio.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*