Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
somos elementares mínimos fazendo parte de um todo que sempre quisemos decifrar, e não conseguimos,
ainda ouço teu mar, ainda sinto o cheiro de teu corpo, ainda sinto o gosto de tua boca sedutoramente linda:
ensaio um poema, aquela janela por onde olhávamos ainda está lá,
vejo o infinito, a lua, as estrelas, o vento, tudo parece refletir nosso condenado momento!
121
ESPELHO VAZADO
171
NO TEMPO DO SEVERO INVERNO!
... houve um tempo
em que nos amávamo de tal modo
que não conseguíamos nos aceitar
humanos,
e eu não falo
de crises, de inseguranças de ciúmes
causadores de tempestades
e de chuvas,
eu falo
é que nos queríamos (e ainda vou
buscá-la no pós-morte, um dia para tentarmos novamente) com o amor, com a sabedoria
e som o sublime silêncio
dos anjos!
246
NÃO RESTOU UM LUGAR PARA ONDE IR, ANA!
Depois de tantos amores
onde me dispus a amar e a ser amado
com desejos, com sorrisos, com flores
e com dores,
(em paraísos,
em infernos,
em sonhos e em camas térreas
em voos e em quedas)
descobri tarde demais,
com esta sombra de saudade de ti,
que me acompanha por
todo lado,
que
somente contigo o meu inferno
realmente teve
um céu!
128
LOUR
Quero esconder-me nas paredes da nova casa,
a casa que aguardou meu regresso, com meu fiel espelho pendurado na sala;
quero retornar à casa nova com nossas noites de amor, de chuvas de fogo, de incontroláveis desejos e também de severos pesadelos.
Não quero mais ficar adoecido da sepultada, qnquanto me aguarda e me acolhe a casa nova,
que, como eu, não acredita em amores infinitos, mas que sabe fazer com que o momento se torne perpétuo!
161
INSOLENTES MÁSCARAS
Os abnormais se disfarçam com insolentes máscaras, entre labirintos idílicos e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos e os verbos que ressoam regozijos evidenciam as hégiras iludidas das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi inexoravelmente violada, gerando multidões de filhos apócrifos, de modo que as chagas marfolhas se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais voam a cingirem os céus com sonhos, fantasias e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes pululam, de flor em flor, a adornarem esplêndidos jardins rupestres;
pavões menestréis pupilam composições de belas sinfonias, para tentarem mover inércias oníricas;
papagaios despercebidos tartareiam, em repetições moucas, as reticentes promiscuidades dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos elogiam, luzindo seus faróis, os ermos e frios silêncios das sombras noturnas;
marimbondos negros não conseguem, carregados de solidão e ruína, ladear risos em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas silvam, em fome insaciável, às rasas e secas superficialidades dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas, em soturnas esperas, para o abate das frágeis presas que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado no inferno dos homens; e os corpos dançam encurvados em intensos frenesis,
à nau das insânias incontidas, das palavras voláteis, das concupiscências vadias e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem - singram em agonia, por não termos o mínimo de cuidado para que não morram no vazio.
170
CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS
Gosto de quando chove e os homens ficam quietos nos parâmetros faustos do mundo.
Gosto de quando chove e se afastam de mim os vestígios púmbleos dos contínuos ciclos abnormais salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove e me escondo em meu canto, anoitecendo-me em claustro silêncio, de onde não posso ver nem atuar nos entrevados palcos de concretos.
Gosto de quando chove, porque tento me desfazer - em vão - também de meus próprios vestígios espúrios, lançando-os às enxurradas dos precipícios.
Mas, quando a chuva para, perco com o líquido o momento onírico e retorno à coleção de imagens e de superficialidades cimentais,
com minhas performances dissimuladas e com meus versos escumalhados.
169
SE NÃO CONTIVER LOUCURA, NÃO É AMOR!
Não consigo amar, porque o ser humano não sabe amar ddebaixo da água sob a carestia de oxigênio,
nem no sincero escuro onde, tendo de ser apalpado ou imaginado, tudo e qualquer coisa pode acontecer e se tornar incontrolável;
não, não sei amar porque as estações que me dão contêm muitas promessas e poucas dádivas
e eu sou do tipo que, para amar, não me protejo do frio, do ângulo em fúria ou do inferno em gula:
eu apenas seuspendo o céu e lambo, e chupo, e engulo todo o rio que deságua da beldosa criatura,
mesmo que eu tenha de cerrar a noite, ou o dia, ou o paraíso ou meu inferno com silêncio e gula!
141
ESPELHOS DA ALMA
Mesmo que usem as melhores máscaras,
nesmo que passem as melhores maquiagens,
mesmo que usem as melhores, mais lindas e mais eficazes palavras voláteis,
mesmo que façam juras de solidezes sublimes e infinitas;
eu afirmo, se repararem bem, os espelhos da alma não mentem jamais
e irá lhes revelar, em algum momento, toda a verdade!
135
O CIRCO CHEGOU!
Neandertais amanhecem embriagaos em ondulações lumes, a descobrirem os pálidos véus das sombras inocentes
e a adornarem os vazios ermos com plenitudes figuradas.
Pelos chãos pavimentados de melodias chilreadas por pássaros azuis e de cheiros aspergidos por flores madrigais,
caminho buscando algum sentido em cada ato e em cada passo entre o estranho magnetismo da coisas,
não obstante sempre me afogando em algum rio de turvas águas, ou em alguma viela escura e alagada.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*