Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
a um momento, a um ressureição, a um neon aceso ao portão, a umas bananas tragas à bolsa de presente,
ele de novo se acordou, queimou-se, ardeu-se e se multiplicou.
115
TEU VENENO FOI TATUADO EM MINHA ALMA!
Agonizo no silêncio do deserto, junto ao resto dos vermes e dos ratos sapiens,
tenho um amor passado, e irrecuperável, que ainda sangra meu coração,
tenho flexas pregadas em todas as minhas gerações e estações nesta jornada vã,
tenho uma esperança: atingir a paz na morte, desapregado de toda humanidade, de toda angústia e de toda dor!
110
MORTE ABRENUNCIADA
Fora por mim anunciada a última tempestade,
protestaram os deuses, os demônios, os mitos, os ídolos e os homens;
e eu te dizia, acautela-te, Flor de Inverno, não tardará para que os efeitos de nossas más escolhas
nos mostrem o tamanho dos abismos que se esconde em nossas almas, tão bem escondidos por nossas palavras e por nossas máscaras!
149
O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS!
Para tentar compreender horizontes coirmãos é preciso também coragem para primeiro tentar compreender-se. Para analisar incongruências expostas em ares espraiados, com jugos severos e aviltados, é preciso ousadia para primeiro tentar analisar-se.
Um médico de homens ou de almas não cura doentes sem conhecerem de suas próprias fraquezas físicas e espirituais; e os doentes, em contrapartida, não se recusam a mostrar suas condições moribundas, como um grande ensinamento sobre nossas fragilidades, e como um aviso de que a vigília, de nós mesmos, deve ser constante como o respirar que nos mantém.
No entanto, de nossa condição geral no meio das coisas onde estamos e dos seres com quem andamos, é estranho observar vultos de toda parte declamando sobre que chamamos "mal" ou "bem" no mundo no qual nos edificamos em ambíguas interpretações, preterindo nossas próprias trevas em detrimento de olhares postos a adjacências.
Inadvertimo-nos, ao que percebo, de que entre céus e infernos intrínsecos, é que exteriorizamos, apartadamente, infernos, mantendo de nós mesmos uma utópica e fracassada visão de nobrezas, quando nosso olhar se encontra diante do espelho. Mas digo que ambos, bem e mal, coabitam-nos cerneamente, e a mente humana não pode, como se imagina (ou se ignora) invocar a si aprazeres e virtudes, regurgitando lançamentos espúrios aos cantos alheios, pois ambos, por mais que procuremos nos desvencilhar de nossas obscuridades, têm a mesma origem: nossas psiqués.
Enquanto minhas incautas reflexões me agitam na insônia do frio entardecer que atravesso, penso que toda carne já sofreu o pecado, e que todo espírito já se corrompeu em alguma angústia. Desse ponto é que somos imperadores de nossas decisões e de nossas escolhas, e nos enraizamos profundamente em aprisionamentos imperceptíveis de autopreservações cândidas e débeis, concebendo-nos alívios em conjeturas de tormentas alheias.
Madalena ainda é apedrejada a todo momento, sob o olhar de nosso Deus criado e sob a desobediência de suas palavras sábias. No entanto, o parasita interno que nos habita é pior que qualquer chaga que se nos possa ser atirada de qualquer lugar da vastidão inaugurada.
Descendo o vale crepuscular para o iminente abraço da noite, a conclusão a que pude chegar de minha longa jornada é que nossas pedras angulares se distam de nossos estandartes expostos nas altas torres de nossos magníficos castelos e que, ao nos negarmos enfrentar nossos próprios infernos, costurando, com nossas máscaras, angelicais palidezes e sinfônicos sussurros sob o resto da conjectura, também não podemos superá-los para nos enaltecermos em nossos céus.
103
APOCALIPSE VIVO
... o tempo corre rápido demais e o trem chega sempre atrasado,
tento tomar um banho sob a lua distraída e sou flagrado,
tento andar às ruas e avenidas e as margens me tragam;
tento então, ao dormir, descansar e sonhar e me vêm demônios desgraçados,
por fim, tento ligar um ar condicionado em busca de alívio e me queimo por todo lado.
162
O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!
Quando, ao almejarmos ser como águias flutuantes, descobrimos que as altivas asas carregam consigo, em voos dissimulados, decadências inexoráveis e ilusões traídas por nossas ufanias egocêntricas.
Quando convulsões silenciosas, que nos dilaceram o âmago eivado em angústias sôfregas, não se podem mais amenizar na veemência de nossos sórdidos olhares postos às adjacências.
Quando todas as utopias concebidas em efluências encantadas, outrora lançadas aos ares de efêmeras e protuberantes searas, e todas as difamações inflamadas concebidas com palavras cegas em perjuros ébrios brotados de nossas trivialidades indizíveis, convergem-se e se reúnem autoconspirando em nossos fulcros obscuros.
Quando todas as crenças propagadas por doutrinas apostoladas e as próprias convicções pragmáticas em alguma redenção salvívica, espalhadas em labirintos desconhecidos de nossos cernes adúlteros, sucumbem com preces não ouvidas por deuses que concebemos.
Quando todos os abrigos já inaugurados para algum alívio qualquer se desvanecem em nossa natural e irremediável imperfeição humana, de onde profanamos essências e disseminamos esplendores espúrios.
Quando, enfim, de nossos caminhares estrépidos, tudo se revela e se descobre que não há mais sonhos a acalentarem nossas descrenças, nem há mais lágrimas a serenizarem nossas metástases túrbidas, morremos sós no deserto silente.
157
O INFERNO DO SER É INEXORAVELMENTE IRREVOGÁVEL!
É verdade,
o inferno, como dizia Jean Paul
Sartre
é o outro, referindo-se
às projeções que neles fazemos à luz cujo
foco tentamos impor idealisticamente
em nós;
mas é verdade também que,
exatamente por projetarmos o inferno no outro,
conforme disse Nietzsche:
"O pior inimigo
que podes encontrar será sempre tu mesmo;
espreita a ti mesmo nas cavernas
e na floresta!"
173
EM ALGUM LUGAR DO TEMPO-ESPAÇO A REPRESA VAI ESTOURAR
As folhas de minha árvore secaram-se, estremeceram e caíram sem ti;
antes, porém, de me secar completamente no fim do ultimo outono,
quero que saibas que irei te procurar, flor de inverno ausente, por todo o Universo,
com minha fome e minha sede completamente alucinadas e sem limite!
158
O NIHILO ESTÁ MORTO
Clausura do corpo: êxtases e desejos em carnes que transpiram suores e dádivas.
Desvarios da mente: sonhos em voos de águia sem rumo, e quedas em deserto silente.
Há manchas na água que cai molhando meu medos.
Em meu corpo, falésias se abrem com os tempos que passam.
Em minha mente, sonhos naufragam em eternos que passam.
Até que, por fim, à última noite, tudo passe, e tão somente reste o anseio de uma alma angustiada!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*