PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS!

Para tentar compreender horizontes coirmãos é preciso também coragem para primeiro tentar compreender-se. Para analisar incongruências expostas em ares espraiados, com jugos severos e aviltados, é preciso ousadia para primeiro tentar analisar-se.

Um médico de homens ou de almas não cura doentes sem conhecerem de suas próprias fraquezas físicas e espirituais; e os doentes, em contrapartida, não se recusam a mostrar suas condições moribundas, como um grande ensinamento sobre nossas fragilidades, e como um aviso de que a vigília, de nós mesmos, deve ser constante como o respirar que nos mantém.

No entanto, de nossa condição geral no meio das coisas onde estamos e dos seres com quem andamos, é estranho observar vultos de toda parte declamando sobre que chamamos "mal" ou "bem" no mundo no qual nos edificamos em ambíguas interpretações, preterindo nossas próprias trevas em detrimento de olhares postos a adjacências.

Inadvertimo-nos, ao que percebo, de que entre céus e infernos intrínsecos, é que exteriorizamos, apartadamente, infernos, mantendo de nós mesmos uma utópica e fracassada visão de nobrezas, quando nosso olhar se encontra diante do espelho. Mas digo que ambos, bem e mal, coabitam-nos cerneamente, e a mente humana não pode, como se imagina (ou se ignora) invocar a si aprazeres e virtudes, regurgitando lançamentos espúrios aos cantos alheios, pois ambos, por mais que procuremos nos desvencilhar de nossas obscuridades, têm a mesma origem: nossas psiqués.

Enquanto minhas incautas reflexões me agitam na insônia do frio entardecer que atravesso, penso que toda carne já sofreu o pecado, e que todo espírito já se corrompeu em alguma angústia. Desse ponto é que somos imperadores de nossas decisões e de nossas escolhas, e nos enraizamos profundamente em aprisionamentos imperceptíveis de autopreservações cândidas e débeis, concebendo-nos alívios em conjeturas de tormentas alheias.

Madalena ainda é apedrejada a todo momento, sob o olhar de nosso Deus criado e sob a desobediência de suas palavras sábias. No entanto, o parasita interno que nos habita é pior que qualquer chaga que se nos possa ser atirada de qualquer lugar da vastidão inaugurada.

Descendo o vale crepuscular para o iminente abraço da noite, a conclusão a que pude chegar de minha longa jornada é que nossas pedras angulares se distam de nossos estandartes expostos nas altas torres de nossos magníficos castelos e que, ao nos negarmos enfrentar nossos próprios infernos, costurando, com nossas máscaras, angelicais palidezes e sinfônicos sussurros sob o resto da conjectura, também não podemos superá-los para nos enaltecermos em nossos céus.
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A HERANÇA DE ANA

No escuro espaço

de meu quarto, coleciono pedras,

quedas e destroços



de meus desastrosos

voos;



mas o pior de tudo

é ter de conviver e de amar e beijar,

saudoso, triste e angustiadamente todos

os teus fantasmas que morreram

contigo!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS IV!

Quando, ao almejarmos ser como águias flutuantes, descobrimos que as altivas asas carregam consigo, em voos dissimulados, decadências inexoráveis e ilusões traídas por nossas ufanias egocêntricas.

Quando convulsões silenciosas, que nos dilaceram o âmago eivado em angústias sôfregas, não se podem mais amenizar na veemência de nossos sórdidos olhares postos às adjacências.

Quando todas as utopias concebidas em efluências encantadas, outrora lançadas aos ares de efêmeras e protuberantes searas, e todas as difamações inflamadas concebidas com palavras cegas em perjuros ébrios brotados de nossas trivialidades indizíveis, convergem-se e se reúnem autoconspirando em nossos fulcros obscuros.

Quando todas as crenças propagadas por doutrinas apostoladas e as próprias convicções pragmáticas em alguma redenção salvívica, espalhadas em labirintos desconhecidos de nossos cernes adúlteros, sucumbem com preces não ouvidas por deuses que concebemos.

Quando todos os abrigos já inaugurados para algum alívio qualquer se desvanecem em nossa natural e irremediável imperfeição humana, de onde profanamos essências e disseminamos esplendores espúrios.

Quando, enfim, de nossos caminhares estrépidos, tudo se revela e se descobre que não há mais sonhos a acalentarem nossas descrenças, nem há mais lágrimas a serenizarem nossas metástases túrbidas, morremos sós no deserto silente.
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O COSMO NÃO RELUTA O ORIGEM ABNÔMALA

Se a luz,
o sonho, o mar, o amar
nos adoça a boca, o corpo, as senciências
e a alma,

por igual origem
e abnomalia as sombras, as quedas,
os sales , as dores e as angústias,

nos são imprescindíveis
para que não nos mantenhamos somente
num lindo e inercial caminho
de mármore!
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VIVER E APRENDER

... se ir vivendo,
como dizem, é ir aprendendo
a sonhar, a amar, á estrada
se verticalizar

e a transar,
entre outras coisas
em tantos leitos e em tantos
ares,

devo dizer
que ir morrendo é fantástica,
triste e angustiantemente
ir desaprendendo,

com a franca e fria
constatação de que tudo isso não passa
sequer de um conto
de fadas!
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ESPLENDOR QUE NÃO VALE NADA!

Amigam-se pala internet,
elogiam-se pela internet,
bajulam-se pela internet,

falam de Deus em próprio proveito na internet,
pernoitam noites a fio paquerando
ou puxando sardinha com músicas e ti ti tis
na internet,

amam-se (pasme), mesmo sendo casadas
e casados na internet,
o imaginário toma o real e as genitálias
passam a feder à internet, ocasionando perda
de controle social,

fodem, fodem, fodem
e traem como anjos, sempre com bons modos
e falando bem um do outro e do santo
nome na internet;

depois, tiram um tempo
para fustigarem e acusarem o cão niilista
de, em seus poemas, escrever o que venha a ser
a merda do sapiens.

É, sim, o fedor esplende,
embora pareça que usem perfume francês
e demonstrem vastos conhecimentos filosóficos,
científicos, espirituais e sobre
bons modos.

Nickam-se e se fodem
no enevoado cibernético clareado por suas
vozes voláteis de neons e por suas juras e punhetasa
e ciricas, em traição a cônjuges,
escondidas.

Perdem casamentos por isso,
mas culpam o corno; mas insistem em atacar o cão
que há décasas sente seus disfarçados
fedores

e lhes descreve
o imundo, sujo, obscuro e fétido
que guardam escondidos em suas
algibeiras!
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A INUTILIDADE DE UM AMOR VÃO

... amar tem
que servir para alguma coisa
que não seja a impressão
de nele ser algo vago
e ausente,

que não sejam
negativas para tentar, em vão,
preservar a própria
vida,

que não sejam
as loucuras realizadas por tanta parte
com infiltrações angelicais
e com gozos e prazeres
espalhados,

que não sejam
as horas ocupadas com pragas
e merdas por todo
lado;

amar
não pode ser assim,

tão inutilmente dentro,
tão inutilmente chuvoso,
tão inutilmente cruel

com a mansa
brisa a tocar só quando
se está fora.
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RESSURREIÇÃO

... se, ainda ontem,
o se me dormia silente,

dentro de
minha solitária casa;

a um momento,
a um ressureição,
a um neon aceso ao portão,
a umas bananas tragas à bolsa
de presente,

ele de novo
se acordou, queimou-se, ardeu-se
e se multiplicou.
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS III!

Certa vez eu pensava, diante de uma mata espessa e virgem, à qual viria adentrar, com acalentadas e vãs esperanças, nas angústias que há nas múltiplas fomes, insaciáveis, a nos conduzirem em mortes opacas que há em vidas profusas.

Mesmo quando se adquire uma certa percepção de (in)conscientes gêneses perfidicadas por caminhos incertos, não é suficiente para se evitar pedras de tropeço, ou para se acabrunhar sonhos e desejos inexequíveis.

As certezas das torrentes, e as volutividades do pensamento; os voos das águias, e os grilhões de seus limites; os corações puros, e as mentes dissonantes; as salubridades dos analistas, e os desesperos dos doentes.
Os deuses idolatrados, e os contrafeitos servos; os vicejos dos oradores, e as procissões dos pecadores; as equidades dos juízes, e as condenações dos réus; as quimeras prometidas, e os invernos porvires.

As alegrias dos sorrisos, e as solidões imanentes; as verdades pronunciadas, e as mentiras omissas; as cacofonias compostas, e as harmonias atômicas; os amores sempiternizados, e os dissabores das traições.

As autopreservações inconscientes, e as quedas de egos inflamados; as coragens das estamparias, e as covardias abstrusas; as saudações às manhãs, e as imprecações às noites que chegam; os cernes que nos habitam, e as negações palavreadas.

As celebradas existências, e as efemeridades dos parâmetros em convergências nos mesmos elocutores de imensidades implantadas.

E ao fim, após o apagar das luzes que clareiam as múltiplas formas de atuação em tantos palcos por onde andamos com nossas personificações, a nulidade absoluta de tudo num apagamento sem fluorescências.
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EM UMA NOITE DE SERENO INSÍPIDO

Em uma noite
de sereno insípido,
o marujo dos mares e das eras
abarcou-se, com o corpo hígido,
às vagas de uma flor de
quimeras.

Em meio
ao alvoroço das águas superficiais,
palavras incautas moviam rimas
plácidas,

desejos ávidos
extasiavam corpos cálidos,
e enlaces dádivos polinizavam sonhos
artificiais.


Enquanto isso,
às eructações dos ventos uivantes,
lendas regozijavam com verbos
espuídos,

a hipnotizarem
as retinas cegas dos amantes
com histórias de seus grandes feitos
exequidos.

Até que,
com os novos céus cingidos
por florescentes imagens
encantadas,

acabou o marujo
com a alma estiolada;
e a flor, com as quimeras
multiplicadas!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!