Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... mas que será que procuram essas almas que viajam por aqui,
neste deserto em autoaniquilamento com seus murmúrios de fragmentados pensamentos?
Eu já acabei com o mação de Ana, com seus anjos, com seus mitos, com seus ídolos, com seus tentilhões de asas, deixando-os a meus pés
e ainda não dei minha loucura por contente.
154
NÓS, OS CÃES!
... não se enganem, mais que o amor tantas e tantas vezes regozijado,
os cães são necessários para a perpetuação da espécime,
assim como os conveiros o são para enterrar as carniças passadas.
168
IMPERIOSA SOLIDÃO
Quando
recebi teu recado dizendo
para regressar que
me amavas,
já era
tarde demais:
eu havia comedito
o pecado que me impedia
de voltar para
casa!
166
A CONSUMAÇÃO DA ABNOMALIA
... nunca há paz entre corpos,
há desejos maciços provocados pela id;
mas nunca devemos nos esquecer de que estamos no mesmo barco
e que, às vezes, entre as turbulências da vida. precisamos apenas de um amigo braço!
181
A NOITE TE AMAVA
Quando morreste, quebrase o pulso da noite,
e ela se tornou tão ilúcida e escura com tua ausência,
que nunca mais ligou para meus sonhos, para minhas fantasias, para meus prantos ou para meus amores ou para minhas dores!
119
A HERANÇA DE ANA
No escuro espaço
de meu quarto, coleciono pedras,
quedas e destroços
de meus desastrosos
voos;
mas o pior de tudo
é ter de conviver e de amar e beijar,
saudoso, triste e angustiadamente todos
os teus fantasmas que morreram
contigo!
158
O COSMO NÃO RELUTA O ORIGEM ABNÔMALA
Se a luz, o sonho, o mar, o amar nos adoça a boca, o corpo, as senciências e a alma,
por igual origem e abnomalia as sombras, as quedas, os sales , as dores e as angústias,
nos são imprescindíveis para que não nos mantenhamos somente num lindo e inercial caminho de mármore!
116
O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!
A me sombrear em imensidades atormentadas entre egos que regozijam suas emanações cálidas, me fausto em um deus de enxurradas turvas, a tecer minhas gêneses ominosas em efígies vazias.
Cinjo o céu com colorações ciprestes, e invado a terra com melodias rupestres.
Contenho os rios em minhas margens, e adorno as flores de jardins suspensos aos ares.
Voo como pássaros cibernéticos, e rastejo como serpentes viperinas.
Translucideio os cernes dos ilustres, e verbeio açoites em folhas brancas. Enredo palavras cândidas em versos incompletos, e engesso o espelho que reflete minha face esquálida.
Exibo a formosa lenda entre as vielas oníricas, e me deito com as virgens de todos os reinos.
Pairo nas tempestades e nas brisas, e esparjo incensos às relvas rasteiras.
Abranjo os cimos dos montes mais altos, e perscruto os segredos do universo e das possibilidades.
Movimento as inércias mais distantes, e bebo dos mares mais esplendorosos.
Acalento esperanças fluorescentes, e esconjuro o porvir umbrático.
E, ao fim, desvaneço-me de meu poder, degenero-me entre meus destroços, e me apago no amanhã em que habita o silêncio sempiterno.
Sem pensamentos artificiais e sem egos ávidos em vidas que nunca houve.
117
IMPETUOSA LOUCURA!
Ela já não era a mesma,
a ilusão de tua carne estava cansada,
seus sonhos mais sublimes e suas esperançãs mais seguras estavam quebrados,
sua lingua já não mais liberava fogo em forma de desejo e de chuva.
Fora, pelo niilista, totalmente dizimada:
não tive a mesma sorte, os albergues e os cais de alguma razão perdida qualquer continuam-me fechados!
123
ESPLENDOR QUE NÃO VALE NADA!
Amigam-se pala internet, elogiam-se pela internet, bajulam-se pela internet,
falam de Deus em próprio proveito na internet, pernoitam noites a fio paquerando ou puxando sardinha com músicas e ti ti tis na internet,
amam-se (pasme), mesmo sendo casadas e casados na internet, o imaginário toma o real e as genitálias passam a feder à internet, ocasionando perda de controle social,
fodem, fodem, fodem e traem como anjos, sempre com bons modos e falando bem um do outro e do santo nome na internet;
depois, tiram um tempo para fustigarem e acusarem o cão niilista de, em seus poemas, escrever o que venha a ser a merda do sapiens.
É, sim, o fedor esplende, embora pareça que usem perfume francês e demonstrem vastos conhecimentos filosóficos, científicos, espirituais e sobre bons modos.
Nickam-se e se fodem no enevoado cibernético clareado por suas vozes voláteis de neons e por suas juras e punhetasa e ciricas, em traição a cônjuges, escondidas.
Perdem casamentos por isso, mas culpam o corno; mas insistem em atacar o cão que há décasas sente seus disfarçados fedores
e lhes descreve o imundo, sujo, obscuro e fétido que guardam escondidos em suas algibeiras!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*