Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... se os homens agradam de teu corpo e tu do ___ deles, dá a eles;
se os pássaros e os anjos se agradam de tuas asas ___ e tu da deles, dá a eles;
se querem tua sintonia em seus canais e queres as deles, ___ dá a eles;
se aos rios há misturas de bem-querências, de dúvidas ou de desejos e queres navegar neles, ___ navega,
afinal sempre há sonhos e corredeiras intermitentes em todos ___ os lugares;
mas, se olhares de perto demais para mim, prepara-te para comungar ___ também a alma!
117
PERDIDOS NA ESCURIDÃO
... mas que será que procuram essas almas que viajam por aqui,
neste deserto em autoaniquilamento com seus murmúrios de fragmentados pensamentos?
Eu já acabei com o mação de Ana, com seus anjos, com seus mitos, com seus ídolos, com seus tentilhões de asas, deixando-os a meus pés
e ainda não dei minha loucura por contente.
152
IMPETUOSA LOUCURA!
Ela já não era a mesma,
a ilusão de tua carne estava cansada,
seus sonhos mais sublimes e suas esperançãs mais seguras estavam quebrados,
sua lingua já não mais liberava fogo em forma de desejo e de chuva.
Fora, pelo niilista, totalmente dizimada:
não tive a mesma sorte, os albergues e os cais de alguma razão perdida qualquer continuam-me fechados!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS II!
Perguntaram-me se eu tinha alguma compreensão de mim mesmo, além de meus severos jugos às caóticas vontades e aos abstratos anseios de criaturas que se amortalham desapercebidamente em suas autointegridades, deflorando tempos, espaços e todas as coisas neles implantados mediante suas imaginações prolíficas.
Ao início de minha era, havia-me, além do reino esplendoroso de palavras e de subjetivações em imagens de todo tipo, um estranho sentimento de esperança incontrita em eventos porvires aos absurdos momentos estreitados e sacramentados de estares presentes.
No templo castiço (como que se possível fosse não haver contaminação já no primeiro respirar) não tinha noção de que porvires redentores eram nada mais que prenúncios de quedas, inerentes a nossas macabridades amorfas. Mal sabia que há pesos inconscientes e demasiadamente excessivos ao "ser" que se posta às margens de delineamentos próprios de por onde anda, aspirando cheiros, matizando cores e construindo relicários com suas pérolas imperfeitas.
Posteriormente, vendo exortações primordiais encetadas por toda parte, ciprestemente comecei a perceber em páginas queimadas, mediante o virar auspicioso da próxima folha em branco onde nos colocamos a repetir as mesmas coisas, que boas ou más-fés misturam-se nos opróbrios nossos, pronunciados, na maior parte das vezes, como orações ou sinfonias compostas, às máscaras usadas, em manifestações incompreensíveis de nossos seres em protuberantes imagens que não refletem mais que nossas superficialidades convenientes.
Dentro dos seres autoproclamados às suas conveniências transfiguradas, comecei a perceber que as vontades eram delirantes em suas aspirações. Que luzes emergiam de sombras omissas em seus cernes. Que palidezes próprias eram sufocadas em lançamentos espúrios a palidezes alheias. E que os porvires utópicos se originavam de insipiências ingênitas.
Então, renegando anseios e esperanças a porvires condenados em nossas insalubridades, enquanto praguejamos pretéritos e presentes em vomições obscenas, questionei de mim mesmo onde estaria alguma transparência sensível, devaneada de nossos minutos precedidos. E contemplei reflexos de espelhos quebrados na última defesa, no último porto, projetado em amanhãs onde nos colocamos inconspurcados, até que o contato vulnerável seja feito, revelando uma complexidade turva: Toda concupiscência humana, em seus delírios e conjecturas, espelha sua frágil condição e traçeja trajetórias fatídicas rumo a esperanças irrealizadas.
- Sim. Sou anverso sem rosto. Um ser soterrado em mim mesmo. O sol madruga em minhas concavidades imperfeitas. E a noite, com suas sombras, manifesta-se em meus dias embotados. Misturado à terra e às quimeras inexeqüíveis, sou uma cacofonia ressoada.
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A NOITE TE AMAVA
Quando morreste, quebrase o pulso da noite,
e ela se tornou tão ilúcida e escura com tua ausência,
que nunca mais ligou para meus sonhos, para minhas fantasias, para meus prantos ou para meus amores ou para minhas dores!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!
Quando, ao almejarmos ser como águias flutuantes, descobrimos que as altivas asas carregam consigo, em voos dissimulados, decadências inexoráveis e ilusões traídas por nossas ufanias egocêntricas.
Quando convulsões silenciosas, que nos dilaceram o âmago eivado em angústias sôfregas, não se podem mais amenizar na veemência de nossos sórdidos olhares postos às adjacências.
Quando todas as utopias concebidas em efluências encantadas, outrora lançadas aos ares de efêmeras e protuberantes searas, e todas as difamações inflamadas concebidas com palavras cegas em perjuros ébrios brotados de nossas trivialidades indizíveis, convergem-se e se reúnem autoconspirando em nossos fulcros obscuros.
Quando todas as crenças propagadas por doutrinas apostoladas e as próprias convicções pragmáticas em alguma redenção salvívica, espalhadas em labirintos desconhecidos de nossos cernes adúlteros, sucumbem com preces não ouvidas por deuses que concebemos.
Quando todos os abrigos já inaugurados para algum alívio qualquer se desvanecem em nossa natural e irremediável imperfeição humana, de onde profanamos essências e disseminamos esplendores espúrios.
Quando, enfim, de nossos caminhares estrépidos, tudo se revela e se descobre que não há mais sonhos a acalentarem nossas descrenças, nem há mais lágrimas a serenizarem nossas metástases túrbidas, morremos sós no deserto silente.
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!
A me sombrear em imensidades atormentadas entre egos que regozijam suas emanações cálidas, me fausto em um deus de enxurradas turvas, a tecer minhas gêneses ominosas em efígies vazias.
Cinjo o céu com colorações ciprestes, e invado a terra com melodias rupestres.
Contenho os rios em minhas margens, e adorno as flores de jardins suspensos aos ares.
Voo como pássaros cibernéticos, e rastejo como serpentes viperinas.
Translucideio os cernes dos ilustres, e verbeio açoites em folhas brancas. Enredo palavras cândidas em versos incompletos, e engesso o espelho que reflete minha face esquálida.
Exibo a formosa lenda entre as vielas oníricas, e me deito com as virgens de todos os reinos.
Pairo nas tempestades e nas brisas, e esparjo incensos às relvas rasteiras.
Abranjo os cimos dos montes mais altos, e perscruto os segredos do universo e das possibilidades.
Movimento as inércias mais distantes, e bebo dos mares mais esplendorosos.
Acalento esperanças fluorescentes, e esconjuro o porvir umbrático.
E, ao fim, desvaneço-me de meu poder, degenero-me entre meus destroços, e me apago no amanhã em que habita o silêncio sempiterno.
Sem pensamentos artificiais e sem egos ávidos em vidas que nunca houve.
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APOCALIPSE VIVO
... o tempo corre rápido demais e o trem chega sempre atrasado,
tento tomar um banho sob a lua distraída e sou flagrado,
tento andar às ruas e avenidas e as margens me tragam;
tento então, ao dormir, descansar e sonhar e me vêm demônios desgraçados,
por fim, tento ligar um ar condicionado em busca de alívio e me queimo por todo lado.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*