Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
de minha boca em tua boca sob o brilho da lua cheia,
da curvatura de seu dorso perantes a impetuosidade de meu corpo em busca de satisfação de nossos sonhos e festejos,
de teus róseos peitos, de tua textura, de teu cheiro e do gosto de tua flor acesa, com nosso emercente desejo:
Saudade De ti ainda aqui comigo, antes de eternamente teres partido, linda, pura e apetitosamente nua!
159
IMPERIOSA SOLIDÃO
Quando
recebi teu recado dizendo
para regressar que
me amavas,
já era
tarde demais:
eu havia comedito
o pecado que me impedia
de voltar para
casa!
168
O DESTINO É SEMPRE O MESMO!
... meia dúzia de flores dentro do vazo sobre a mesa da sala,
uma sublime oração à luz de velas acesas perante a imagem;
depois, vinho e palavras voláteis,
mais um pouco de vinho e palavras voláteis, ao som de alguma música romantizada,
mas tudo se acaba mesmo é em uma grande putaria na cama.
296
NÓS, OS CÃES!
... não se enganem, mais que o amor tantas e tantas vezes regozijado,
os cães são necessários para a perpetuação da espécime,
assim como os conveiros o são para enterrar as carniças passadas.
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS III!
Certa vez eu pensava, diante de uma mata espessa e virgem, à qual viria adentrar, com acalentadas e vãs esperanças, nas angústias que há nas múltiplas fomes, insaciáveis, a nos conduzirem em mortes opacas que há em vidas profusas.
Mesmo quando se adquire uma certa percepção de (in)conscientes gêneses perfidicadas por caminhos incertos, não é suficiente para se evitar pedras de tropeço, ou para se acabrunhar sonhos e desejos inexequíveis.
As certezas das torrentes, e as volutividades do pensamento; os voos das águias, e os grilhões de seus limites; os corações puros, e as mentes dissonantes; as salubridades dos analistas, e os desesperos dos doentes. Os deuses idolatrados, e os contrafeitos servos; os vicejos dos oradores, e as procissões dos pecadores; as equidades dos juízes, e as condenações dos réus; as quimeras prometidas, e os invernos porvires.
As alegrias dos sorrisos, e as solidões imanentes; as verdades pronunciadas, e as mentiras omissas; as cacofonias compostas, e as harmonias atômicas; os amores sempiternizados, e os dissabores das traições.
As autopreservações inconscientes, e as quedas de egos inflamados; as coragens das estamparias, e as covardias abstrusas; as saudações às manhãs, e as imprecações às noites que chegam; os cernes que nos habitam, e as negações palavreadas.
As celebradas existências, e as efemeridades dos parâmetros em convergências nos mesmos elocutores de imensidades implantadas.
E ao fim, após o apagar das luzes que clareiam as múltiplas formas de atuação em tantos palcos por onde andamos com nossas personificações, a nulidade absoluta de tudo num apagamento sem fluorescências.
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS!
Para tentar compreender horizontes coirmãos é preciso também coragem para primeiro tentar compreender-se. Para analisar incongruências expostas em ares espraiados, com jugos severos e aviltados, é preciso ousadia para primeiro tentar analisar-se.
Um médico de homens ou de almas não cura doentes sem conhecerem de suas próprias fraquezas físicas e espirituais; e os doentes, em contrapartida, não se recusam a mostrar suas condições moribundas, como um grande ensinamento sobre nossas fragilidades, e como um aviso de que a vigília, de nós mesmos, deve ser constante como o respirar que nos mantém.
No entanto, de nossa condição geral no meio das coisas onde estamos e dos seres com quem andamos, é estranho observar vultos de toda parte declamando sobre que chamamos "mal" ou "bem" no mundo no qual nos edificamos em ambíguas interpretações, preterindo nossas próprias trevas em detrimento de olhares postos a adjacências.
Inadvertimo-nos, ao que percebo, de que entre céus e infernos intrínsecos, é que exteriorizamos, apartadamente, infernos, mantendo de nós mesmos uma utópica e fracassada visão de nobrezas, quando nosso olhar se encontra diante do espelho. Mas digo que ambos, bem e mal, coabitam-nos cerneamente, e a mente humana não pode, como se imagina (ou se ignora) invocar a si aprazeres e virtudes, regurgitando lançamentos espúrios aos cantos alheios, pois ambos, por mais que procuremos nos desvencilhar de nossas obscuridades, têm a mesma origem: nossas psiqués.
Enquanto minhas incautas reflexões me agitam na insônia do frio entardecer que atravesso, penso que toda carne já sofreu o pecado, e que todo espírito já se corrompeu em alguma angústia. Desse ponto é que somos imperadores de nossas decisões e de nossas escolhas, e nos enraizamos profundamente em aprisionamentos imperceptíveis de autopreservações cândidas e débeis, concebendo-nos alívios em conjeturas de tormentas alheias.
Madalena ainda é apedrejada a todo momento, sob o olhar de nosso Deus criado e sob a desobediência de suas palavras sábias. No entanto, o parasita interno que nos habita é pior que qualquer chaga que se nos possa ser atirada de qualquer lugar da vastidão inaugurada.
Descendo o vale crepuscular para o iminente abraço da noite, a conclusão a que pude chegar de minha longa jornada é que nossas pedras angulares se distam de nossos estandartes expostos nas altas torres de nossos magníficos castelos e que, ao nos negarmos enfrentar nossos próprios infernos, costurando, com nossas máscaras, angelicais palidezes e sinfônicos sussurros sob o resto da conjectura, também não podemos superá-los para nos enaltecermos em nossos céus.
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O COSMO NÃO RELUTA O ORIGEM ABNÔMALA
Se a luz, o sonho, o mar, o amar nos adoça a boca, o corpo, as senciências e a alma,
por igual origem e abnomalia as sombras, as quedas, os sales , as dores e as angústias,
nos são imprescindíveis para que não nos mantenhamos somente num lindo e inercial caminho de mármore!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!
A me sombrear em imensidades atormentadas entre egos que regozijam suas emanações cálidas, me fausto em um deus de enxurradas turvas, a tecer minhas gêneses ominosas em efígies vazias.
Cinjo o céu com colorações ciprestes, e invado a terra com melodias rupestres.
Contenho os rios em minhas margens, e adorno as flores de jardins suspensos aos ares.
Voo como pássaros cibernéticos, e rastejo como serpentes viperinas.
Translucideio os cernes dos ilustres, e verbeio açoites em folhas brancas. Enredo palavras cândidas em versos incompletos, e engesso o espelho que reflete minha face esquálida.
Exibo a formosa lenda entre as vielas oníricas, e me deito com as virgens de todos os reinos.
Pairo nas tempestades e nas brisas, e esparjo incensos às relvas rasteiras.
Abranjo os cimos dos montes mais altos, e perscruto os segredos do universo e das possibilidades.
Movimento as inércias mais distantes, e bebo dos mares mais esplendorosos.
Acalento esperanças fluorescentes, e esconjuro o porvir umbrático.
E, ao fim, desvaneço-me de meu poder, degenero-me entre meus destroços, e me apago no amanhã em que habita o silêncio sempiterno.
Sem pensamentos artificiais e sem egos ávidos em vidas que nunca houve.
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ESPLENDOR QUE NÃO VALE NADA!
Amigam-se pala internet, elogiam-se pela internet, bajulam-se pela internet,
falam de Deus em próprio proveito na internet, pernoitam noites a fio paquerando ou puxando sardinha com músicas e ti ti tis na internet,
amam-se (pasme), mesmo sendo casadas e casados na internet, o imaginário toma o real e as genitálias passam a feder à internet, ocasionando perda de controle social,
fodem, fodem, fodem e traem como anjos, sempre com bons modos e falando bem um do outro e do santo nome na internet;
depois, tiram um tempo para fustigarem e acusarem o cão niilista de, em seus poemas, escrever o que venha a ser a merda do sapiens.
É, sim, o fedor esplende, embora pareça que usem perfume francês e demonstrem vastos conhecimentos filosóficos, científicos, espirituais e sobre bons modos.
Nickam-se e se fodem no enevoado cibernético clareado por suas vozes voláteis de neons e por suas juras e punhetasa e ciricas, em traição a cônjuges, escondidas.
Perdem casamentos por isso, mas culpam o corno; mas insistem em atacar o cão que há décasas sente seus disfarçados fedores
e lhes descreve o imundo, sujo, obscuro e fétido que guardam escondidos em suas algibeiras!
242
VIVER E APRENDER
... se ir vivendo, como dizem, é ir aprendendo a sonhar, a amar, á estrada se verticalizar
e a transar, entre outras coisas em tantos leitos e em tantos ares,
devo dizer que ir morrendo é fantástica, triste e angustiantemente ir desaprendendo,
com a franca e fria constatação de que tudo isso não passa sequer de um conto de fadas!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*