Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... se ir vivendo, como dizem, é ir aprendendo a sonhar, a amar, á estrada se verticalizar
e a transar, entre outras coisas em tantos leitos e em tantos ares,
devo dizer que ir morrendo é fantástica, triste e angustiantemente ir desaprendendo,
com a franca e fria constatação de que tudo isso não passa sequer de um conto de fadas!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS II!
Perguntaram-me se eu tinha alguma compreensão de mim mesmo, além de meus severos jugos às caóticas vontades e aos abstratos anseios de criaturas que se amortalham desapercebidamente em suas autointegridades, deflorando tempos, espaços e todas as coisas neles implantados mediante suas imaginações prolíficas.
Ao início de minha era, havia-me, além do reino esplendoroso de palavras e de subjetivações em imagens de todo tipo, um estranho sentimento de esperança incontrita em eventos porvires aos absurdos momentos estreitados e sacramentados de estares presentes.
No templo castiço (como que se possível fosse não haver contaminação já no primeiro respirar) não tinha noção de que porvires redentores eram nada mais que prenúncios de quedas, inerentes a nossas macabridades amorfas. Mal sabia que há pesos inconscientes e demasiadamente excessivos ao "ser" que se posta às margens de delineamentos próprios de por onde anda, aspirando cheiros, matizando cores e construindo relicários com suas pérolas imperfeitas.
Posteriormente, vendo exortações primordiais encetadas por toda parte, ciprestemente comecei a perceber em páginas queimadas, mediante o virar auspicioso da próxima folha em branco onde nos colocamos a repetir as mesmas coisas, que boas ou más-fés misturam-se nos opróbrios nossos, pronunciados, na maior parte das vezes, como orações ou sinfonias compostas, às máscaras usadas, em manifestações incompreensíveis de nossos seres em protuberantes imagens que não refletem mais que nossas superficialidades convenientes.
Dentro dos seres autoproclamados às suas conveniências transfiguradas, comecei a perceber que as vontades eram delirantes em suas aspirações. Que luzes emergiam de sombras omissas em seus cernes. Que palidezes próprias eram sufocadas em lançamentos espúrios a palidezes alheias. E que os porvires utópicos se originavam de insipiências ingênitas.
Então, renegando anseios e esperanças a porvires condenados em nossas insalubridades, enquanto praguejamos pretéritos e presentes em vomições obscenas, questionei de mim mesmo onde estaria alguma transparência sensível, devaneada de nossos minutos precedidos. E contemplei reflexos de espelhos quebrados na última defesa, no último porto, projetado em amanhãs onde nos colocamos inconspurcados, até que o contato vulnerável seja feito, revelando uma complexidade turva: Toda concupiscência humana, em seus delírios e conjecturas, espelha sua frágil condição e traçeja trajetórias fatídicas rumo a esperanças irrealizadas.
- Sim. Sou anverso sem rosto. Um ser soterrado em mim mesmo. O sol madruga em minhas concavidades imperfeitas. E a noite, com suas sombras, manifesta-se em meus dias embotados. Misturado à terra e às quimeras inexeqüíveis, sou uma cacofonia ressoada.
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MEU CORAÇÃO NÃO BLASFEMA
Sei que não sei amar, sei que nunca vou aprender a amar um sapiens,
sei que isso, essa loucura e essa dor nunca irão cessar
(não restaram nem cinzas dos ecos passados em que estive com ela);
mas eu quero que tu saibas que eu tenho me esforçado, mesmo sabendo que me transformei inexoravelmente
em meus próprios precipícios internos, para te dar um pouco de companhia, sem muita da agonia e da dor infinita que povoa minha alma!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS IV!
Quando, ao almejarmos ser como águias flutuantes, descobrimos que as altivas asas carregam consigo, em voos dissimulados, decadências inexoráveis e ilusões traídas por nossas ufanias egocêntricas.
Quando convulsões silenciosas, que nos dilaceram o âmago eivado em angústias sôfregas, não se podem mais amenizar na veemência de nossos sórdidos olhares postos às adjacências.
Quando todas as utopias concebidas em efluências encantadas, outrora lançadas aos ares de efêmeras e protuberantes searas, e todas as difamações inflamadas concebidas com palavras cegas em perjuros ébrios brotados de nossas trivialidades indizíveis, convergem-se e se reúnem autoconspirando em nossos fulcros obscuros.
Quando todas as crenças propagadas por doutrinas apostoladas e as próprias convicções pragmáticas em alguma redenção salvívica, espalhadas em labirintos desconhecidos de nossos cernes adúlteros, sucumbem com preces não ouvidas por deuses que concebemos.
Quando todos os abrigos já inaugurados para algum alívio qualquer se desvanecem em nossa natural e irremediável imperfeição humana, de onde profanamos essências e disseminamos esplendores espúrios.
Quando, enfim, de nossos caminhares estrépidos, tudo se revela e se descobre que não há mais sonhos a acalentarem nossas descrenças, nem há mais lágrimas a serenizarem nossas metástases túrbidas, morremos sós no deserto silente.
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MORTE DE UM FLORIR ABSURDO
Quis ser como os poetas tristes para dar-te o verso certo nos momentos incertos.
Quis ser como os anjos alvos para apaziguar-te os ermos e cingir de paz tuas angústias.
Quis ser como os mitos impávidos para dar-te sonhos de asas e livrar-te dos rastros dos homens que edificam magníficos templos.
Mas a única coisa que pude ofertar foi a celebração de mim mesmo, como um frágil vaga-lume noturno a querer amar,
em êxtase, a florescência mortífera da luz.
E foi assim que me quedei, desterrado do que não pude ser, e sob a esqualidez de tua ausência, em meus próprios precipícios rasos.
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EM UMA NOITE DE SERENO INSÍPIDO
Em uma noite de sereno insípido, o marujo dos mares e das eras abarcou-se, com o corpo hígido, às vagas de uma flor de quimeras.
Em meio ao alvoroço das águas superficiais, palavras incautas moviam rimas plácidas,
desejos ávidos extasiavam corpos cálidos, e enlaces dádivos polinizavam sonhos artificiais.
Enquanto isso, às eructações dos ventos uivantes, lendas regozijavam com verbos espuídos,
a hipnotizarem as retinas cegas dos amantes com histórias de seus grandes feitos exequidos.
Até que, com os novos céus cingidos por florescentes imagens encantadas,
acabou o marujo com a alma estiolada; e a flor, com as quimeras multiplicadas!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS III!
Certa vez eu pensava, diante de uma mata espessa e virgem, à qual viria adentrar, com acalentadas e vãs esperanças, nas angústias que há nas múltiplas fomes, insaciáveis, a nos conduzirem em mortes opacas que há em vidas profusas.
Mesmo quando se adquire uma certa percepção de (in)conscientes gêneses perfidicadas por caminhos incertos, não é suficiente para se evitar pedras de tropeço, ou para se acabrunhar sonhos e desejos inexequíveis.
As certezas das torrentes, e as volutividades do pensamento; os voos das águias, e os grilhões de seus limites; os corações puros, e as mentes dissonantes; as salubridades dos analistas, e os desesperos dos doentes. Os deuses idolatrados, e os contrafeitos servos; os vicejos dos oradores, e as procissões dos pecadores; as equidades dos juízes, e as condenações dos réus; as quimeras prometidas, e os invernos porvires.
As alegrias dos sorrisos, e as solidões imanentes; as verdades pronunciadas, e as mentiras omissas; as cacofonias compostas, e as harmonias atômicas; os amores sempiternizados, e os dissabores das traições.
As autopreservações inconscientes, e as quedas de egos inflamados; as coragens das estamparias, e as covardias abstrusas; as saudações às manhãs, e as imprecações às noites que chegam; os cernes que nos habitam, e as negações palavreadas.
As celebradas existências, e as efemeridades dos parâmetros em convergências nos mesmos elocutores de imensidades implantadas.
E ao fim, após o apagar das luzes que clareiam as múltiplas formas de atuação em tantos palcos por onde andamos com nossas personificações, a nulidade absoluta de tudo num apagamento sem fluorescências.
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EU NÃO QUERO TE VER SOFRENDO!
Eu não quero te fazer sofrer, eu não vou ficar contigo apenas para ver e devorar as curvas de teu corpo,
tu me vês chorando o tempo todo sobre cinzas que não vão aparecer, e tu me disseste que irias comigo para o chão, se fosse preciso,
mas, por Deus, neste momento, já ao fim do outono, a loucura é a minha maior aliada, e a silente tempestade no deserto é minha amante contumas;
e eu, entende-me, não gostaria que sofresses mais tanto por minhas dores e por minhas lembranças tão amargas!
148
O VALOR DO SILÊNCIO!
Se queres algo bem construído, não convém contar aos ventos, às chuvas e às tormentas, do alicerce, os fundamentos;
menos ainda conta aos anjos, que estes virão em alvas saliências e cantarão hinos em louvores,
mas, na primeira chance, aparecerão na oposição, transformando a pseudoluz que trouxeram em doloroso e angustiante breu!
140
NOITE AMPLA
A grande noite escondeu tuas asas e tea ma na escuridão eternal,
desafiando a minha loucura mais tênebra e aluscinada;
e eu penso:: eu devo me entregar e desistir de nossos sonhos
ou devo aniquiliar qualquer vertigem de apagamento que queira degenerar, perante a mim, tua imagem?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*