pmariabotelho

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n. 1965 PT PT

serei breve serei ave

n. 1965-10-22

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A espera

Não só a vida, também o tempo.
A questão da vida e do tempo não interessa absolutamente nada.
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
Em verdade, resume-se à longa espera do tempo novo.
Mas a espera ou as esperas que fazemos ao longo da vida, concluo que é um grande erro.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.

pmariabotelho
20210306
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Poemas

3

outubro

Outubro é o meu mês, porque nele nasci

Quando as folhas caíram, eu nasci
Quando as primeiras chuvas deram de si e o céu ficou cinza, eu nasci
Quando o cheiro da terra molhada se sente no ar que respiras, eu nasci
Quando o poente virou rubi, eu nasci
Quando os livros fizeram desfolhadas e os poemas foram uvas colhidas, eu nasci
Nasci
No mês em que algo morre e hiberna
tanto mais que nasce, renasce, cai do céu,
corre nos rios, vive no ar 
adormece
emerge no brilho do meu olhar
 
Assim é outubro e algo mais

Pmariabotelho
0181016
450

Rios

Existem rios que correm e que não  conheço
desconheço as suas águas, e os seus leitos 
Sabemos das suas águas , pelas imagens que correm 
Uma verdadeira doçura translúcida 
Mas a verdadeira essência dessas águas 
eu não canto
eu não sinto 
apenas sonho
Quem sabe um dia
apenas exista as estrelas 
e a água 
e eu

pmariabotelho 
0181008
214

Por hoje


Nas tuas mãos
Ficaram
Passeios cruzados
Os dedos
E longas conversas
Ditados, sumários e cópias
Das tuas mãos
Obras
Edifícios tão altos
Que poucos podem alcançar
Das tuas mãos
Flores e frutos
Tiveram vida
E fizeram alguém feliz
Caminho
Caminho com a sonoridade
Dos teus ensinamentos
E em cada dificuldade
Pergunto-te
E tu, meu querido pai
Que farias, que me aconselharias?
Assim, como uma voz off, um som acústico, uma nota de piano solta, livre…
Quantas vezes penso e sonho-te do meu lado
Sinto a tua presença em luz e alegria
Foi na terra que mexeste e remexes-te, que plantei, também o teu cato no meu jardim.
Não existem mais palavras
Não tenho mais palavras
Por hoje
Apenas deixo nestas páginas
A felicidade de lembrar-te
Por bem imensa a saudade…

Pmariabotelho
02.10.018

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