pmariabotelho

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n. 1965 PT PT

serei breve serei ave

n. 1965-10-22

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A espera

Não só a vida, também o tempo.
A questão da vida e do tempo não interessa absolutamente nada.
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
Em verdade, resume-se à longa espera do tempo novo.
Mas a espera ou as esperas que fazemos ao longo da vida, concluo que é um grande erro.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.

pmariabotelho
20210306
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Poemas

4

A ideia

Não seremos o tempo que procuras, muito menos a estrada que te segura. Apesar dos instantes quebrados no nosso sossego, surgiremos mais fortes no amanhecer...
Nem sempre lembradas as palavras corretas e de memória o mecanismo já vai falhando, pois são muitas as dores interiores e as dores maiores de parte incerta.
Saberemos ser o tempo de cada tempo, não precisamos de ti nesse percurso do fim. Haveremos de ser fortes sem armas ou bandeiras hasteadas em glória.
Sem bolsos para aquecer os sonhos, de tudo um pouco há de faltar, tenho a certeza.
Porém, haveremos de construir um tempo louco, sim um tempo doido! Só para nós!
Pois que seja, apenas a ideia e para o bem de todos, apenas uma
feliz ideia
 
pmariabotelho
05042023
174

Dia mundial da poesia

Não tive tempo
Queria escrever, mas o tempo não me deixou
Hoje venci o tempo e as tempestades
Dei tranquilidade ao corpo e à alma
Procurei na noite abrigo e no teu beijo o aconchego do nosso lar
Tempo estranho tempo maduro
As flores que agora dão fruto no teu quintal
Chamamos de primavera flor
É puro o amor que ambos desfrutamos e merecemos
No dia mundial da poesia
Que pena, não tive tempo
Queria escrever, dizer vos o quanto vos amo, meus rebentos de roseira brava
Mas, o tempo não me deixou,
Que fosse apenas a admiração de todos os vossos espinhos carregados de tanta revolta e raiva
De juventude ou prenuncio de uma velhice sem idade
não foi possível
e então as vossas pétalas, macias e ternas ficaram tristes
Tudo passou e como sabemos tudo passa,
As pedras do teu jardim essas lá estão, ainda
e o roseiral entardeceu na oração de um Deus Maior
a natureza fez-se mulher e a noite chegou assim
sem máscaras
com a nudez perfeita
para o sonho
quiçá ainda infantil

pmariabotelho
tempoprimaveraflor
88

És tu que preenches a nossa alma de paz.

Tu preenches a nossa alma de paz.

O nosso olhar ganha visão periférica 

Tu és poderoso e nós pequenos

Mar e grãos de areia.

Revivemos quase sempre o verão.

Os mergulhos pelo fim da tarde

Quando todos recolhiam a toalha da praia, nós chegávamos. 

Mergulhávamos sem medo nas tuas águas frias

Em cada onda o corpo trespassava o teu por inteiro 

Sensação de liberdade 

Depois, ficávamos ali na areia fina da praia para ver o sol cair no mar

As gaivotas rodopiavam por cima das nossas cabeças

um frenesim faminto de peixe agora migalhas de pão

Não existe alma viva que não te admire e te tema

Que te respeite e admire

Caminhadas e longas conversas sobre a essência das coisas, 

E a essência sempre esteve lá

 

pmariabotelho

04032023 temponovo

155

És tu que preenches a nossa alma de paz.

És tu que preenches a nossa alma de paz.
Em ti o nosso olhar ganha visão periférica e revivemos quase sempre o verão.
O tempo dos mergulhos pelo fim da tarde. Quando os outros levantavam a toalha da areia e voltavam para as suas casas, então, nós chegavamos.
Depois, ficamos ali, sentados, na areia fina da praia para ver o sol a cair no mar...
As gaivotas ficavam agitadas, na procura de migalhas de pão, ficavam rodopiando por cima das nossas cabeças, soltando gritos
A nossa infância mora nas tuas ondas...
Os castelos de areia, as caminhas, as corridas, a bola, as cartas, a merenda e a fogueira na praia...
O ano inteirinho, tu és fonte de energia vital.
A mãe e a café com leite na garrafa termos... O pão com manteiga e a barraca às riscas azul e branca. 
As longas conversas sobre a essência das coisas. O regresso a casa embalados na oração e nas canções do senhor António.
Meu Deus, que tempos de tanta alegria!

Alguns instantes que sejam perto de ti, bastam para saltar e correr durante semanas.

És tu que preenches a nossa alma de paz.
Não existe alma viva que não te admire e te tema
Que te respeite e admire
Senhor 
ai de mim
de nós 
sem ti

pmariabotelho
04032023 temponovo

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