pmariabotelho

pmariabotelho

n. 1965 PT PT

serei breve serei ave

n. 1965-10-22

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A espera

Não só a vida, também o tempo.
A questão da vida e do tempo não interessa absolutamente nada.
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
Em verdade, resume-se à longa espera do tempo novo.
Mas a espera ou as esperas que fazemos ao longo da vida, concluo que é um grande erro.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.

pmariabotelho
20210306
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Poemas

26

dança


subscrevo o brilho
dos teus olhos
numa noite quente ao luar
e a doce carícia
desse amanhacer
sedento
de tanta liberdade

não dançam
e as flores
as flores
que colocavas
no meu cabelo
já não agrestes
florescem

pmariabotelho
https://www.youtube.com/watch?v=qEwXcgwzIYE


492

ainda

ainda resta a duvida
na certeza

ainda incerta

da ideologia

apenas poetica

fala incessante

ai emoção

desvairada

jogada aos braços da tempestuosa

vida efémera é certo dize-lo

sabe-lo

ainda resta a inteligencia

madura

imatura

insegura

um ser humano

quase um mix de loucura

quase

mas sempre tão perto do fim

vives em mim

emoção


503

noite

noite

ausência de palavras

som de teclas

mãos e dedos

piano arrepio e frio

noite

sossegada do desassossego

copo de branco ou de tinto

feitos e desfeitos

projectos e sonhos

noite

de lavas que lava a doçura

da ausência

das palavras

piano

e apenas noite


pmariabotelho

22.11.2014



456

Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio ( a minha letra)

Não
Não digas
Não digas mais nada
Que a noite acalma o dia
E agora podes sonhar
Relaxa todos os aflitos e gritos
Porque o sonho
O sonho supera tudo
Mesmo o mais secreto desespero
É nada
E o medo liberta-se virtuoso
Como o sorriso do silêncio
Em pleno Inverno
Não
Não digas mais nada
Porque a chuva é alegria
E tu já cansado
Adormeces te e já não sonhas mais
O desencanto do canto
impossivel acreditar
que além da noite reza agora o silêncio
do teu piano
 
16.11.2014
pmariabotelho

 

880

Para Bernardo Sassetti - Chegada a minha letra

Renasces tão forte

todo tu água e sal

branco cinza

e vens e vais

e insistes nesse bailado

de notas soltas de piano triste

mas insistes

remexes a loucura da doçura

a raiva e o medo

o pé no pé

dedo a dedo

e profundo

bem lá no fundo

o intimo

desabrochas

espuma e meiguice

chegas e partes

partes e chegas

assim como

renasces

morres

mas

nunca partes de verdade

incerta


15.11.2014

pmariaboelho


405

ausência

partiram

tantos foram aqueles

que amamos

mas

nunca anunciamos

partiram

todos aqueles

que

partilharam

um baralho

de sorrisos

de choro

de letras

de cantigas

e guitarradas


a ausência

e o silêncio


a desculpa e o obrigado

falhou

e o abraço se calhar, tambem


partiram

desta fisica toda ela racional

explicada e intrepretáda

devorada a preceito pelos média


eu não sei

para onde não sei, mesmo

não me perguntes

nem o porque

das essências

porque dessas eu só respiro e sinto

e delicio


rasgo as páginas dos jornais

e as noticias masi que fantásticas

que importa

renego a regeração da vaidade e damentira

fico fora abstraída a propósito


e em cada onda branca

que desmaia na areia

com força ou sem força

desvanece


fica o nada

o sal a vapor

e voa

cheiro a algas

cheiro a mar




03/11/2014

pmariabotelho

471

perdidos no deserto

perdidos no deserto
sem chão terra
sem mar àgua
apenas o encontro
absoluto
do amor
do céu e do vento
assim
ficámos
imóveis e unidos
morrendo em cada
naco de sol e sede
unídos
de lábios colados
e mãos entrelaçadas
perdidos no deserto
sem chão terra
....

pmariabotelho
29.10.2014




467

equilibrio

no limite

a personalidade

o equilibrio emocional

sem tropeços

vertiginosamente amante

do desafio


pmariabotelho

21/1/2014


National Geographic International Photography Contest

471

impulso contido

prisioneira deste tempo

revoltada com o sol
que importa
serei breve
edificarei umaestátua

se for o caso
a praça é publica
para que possam saudaraquando

o impensável suceder à razão

serei louca

serei vento

serei um tempo de trevas sem trevas

serei trepadeira agarrada às tuas entranhas

para que erguidos sejamos

um impulso descontido

subiremos

subiremos

ou à muralha da China

ou Machu Picchu

Everest

que seja

será o que quisermos

meu amor

porque depois deste tempo

o pensamento

será livre

e

serei breve



20/10/2014

pmariabotelho

497

detesto a vaidade e o exagero

detesto a vaidade e o exagero

as palavras desajeitadas e pintadas no teu rosto

e detesto a exatidão da poesia

a rima e as estrofes

gosto do desajeitado

de um dia de vento um dia de chuva

o sol pela manha

e a peça de roupa com mais de 10 anos

mas sempre linda , claro em mim

detesto a vaidade e o exagero das cores

apenas na natura tudo entendo e gosto

nos grafites e nas telas

o exagero comove-me

mas nos corpos

nos rostos

dos que passam

o exagero deste século é um Não

ai que saudades do meu saco de plástico

da pasta da escola sempre igual

da roupa pela Páscoa

e do presente de Natal

ai que saudades dos colegas

das gargalhadas e das brincadeiras de rua

da liberdade e da alegria

pois minhas senhoras e meus senhores

já doutorados e uns tantos mal formados

tenho a dizer de bom grado

que odeio os vossos pontos

os vossos tenho disto

o posto isto

o sendo assim

o ou seja

enfim


Pmariabotelho

18/10/2014





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