Lista de Poemas

O CABRA

O CABRA
Escuto, de longe, um galopar e o relinchar do cavalo.
Um homem estranho a chegar, vestido de roupa de couro.
Vem cá, meu filho, dá um abraço e um cheiro em seu pai.
Quem é esse homem estranho, mainha...? É seu pai.
O que é um pai!!!???
Mainha...
Larga de ser besta, menino!
Você não é filho de cegonha.
Dê um abraço logo e um cheiro.
Credo, mainha, sou obrigado a abraçar este
bode velho?
Este bode velho é seu pai, o homem sertanejo, tocador de gado.
Seu pai, cabra!
Oxê! Um menino cheirando a leite de cabra,
resmungando: toma seu rumo, cabra, e se aprume.

61

SENTIMENTOS

SENTIMENTOS
Perguntaram-me:
— Estás triste?
Há muito tempo não vejo um sorriso forte em seu rosto.
Poucas vezes roubaram-te um sorriso,
sorte de quem roubou-te este sorriso.
Choraste num passado distante,
será este o motivo?
Se pensas assim,
chorei o que tinha pra chorar.
A fonte secou
e o coração parece que endureceu.
Na verdade,
os sentimentos estão florescendo,
estão apenas escondidos por um tempo.
Somos só sentimentos:
na alegria, na tristeza e no prazer.
Somos sentimentos,
uma alma, uma aura, um corpo, um coração
em comunhão com o espírito,
interligados por fios condutores com o universo.
A energia está em mim, em nós.
O coração bate no sofrimento e na alegria,
porque sou humano
e somos seres celestiais.
Somos sentimentos,
puros sentimentos.
Somos carne e sangue,
pulsando sentimentos.
Professor Antonio Raimundo Dias dos Santos
Professor de Geografia

43

Quero você só pra mim

Quero você só pra mim
Quero você só pra mim.
Não quero dividir você com ninguém,
e penso que você pensa a mesma coisa.
Quantas vezes andamos juntos pelo mesmo caminho,
de mãos dadas; em nenhum instante soltamo-las.
O medo tomou conta dos meus sentimentos,
e nos agarramos às histórias do passado!
Nos agarramos, desta vez, fisicamente,
entre árvores e cavernas.
Quero você só pra mim.
Entre árvores e cavernas, subterfúgio do amor.
Quero você só pra mim.
Quero você só pra mim.
No Arraial do Cabo, Porto Seguro,
Praia do Gunga, no Caribe
ou no mar da Austrália.
Quero você pra mim em qualquer lugar!!!

70

EXISTÊNCIA

Existência

Eu vou com você por aí, meu bem-querer

O mundo é grande, mas nosso amor é maior do que ele.

Se você for, eu nunca esquecerei.

O mundo é grande, mas nosso amor é maior do que ele.

 

Leva meu coração e todo o nosso amor.

Nós somos grandes, como o amor.

O mundo jamais nos esquecerá.

 

O elixir da nossa existência será provado

por casais apaixonados pelo amor e pelo bem-querer.

E todos se sentirão grandes, como o nosso amor.

 

Em outro mundo nos encontraremos

e saberemos que nos amamos,

no mundo azul.

Professor de Geografia - Antonio Raimundo Dias Dos Santos 

87

A LUTA

A Luta

Sigo no meio das multidões defendendo o que acredito:
a queda dos opressores, o estado de coisas negadas, o estado excludente, o estado predador.

Prego e confesso a minha chamada às ruas; meu alvo são os opressores de mentes e de ideais.

Confesso à multidão: estou aqui por vocês e por nós. A epidemia de ódio se alastrou; somos combatentes e precisamos combater o inimigo: o Estado opressor.

O Estado prega a extinção de mentes, de sabedoria e de conhecimento!
Em seu lugar, nasce a máquina — o cérebro chipado, manipulador de mentes e corpos.

Por isso, sigo no meio das multidões defendendo o que acredito:
a queda dos opressores e do Estado caótico.

75

O TRIGO E A FLOR

O TRIGO E A FLOR

O menino nasce no campo, brota feito o trigo!
Depois de passar pelo vale da morte,
sobrevive.
Não sabe que irá partir para outras terras.
Sua mãe sabe — viu, sentiu e lhe confidenciaram.

O menino não sabe do seu futuro,
do que o espera em outras terras.
Não tem castelos, propriedades nem sonhos.

A vida passa e o tempo amadurece aquele garoto.
O seu garoto cresceu, mãe! O seu garoto cresceu, mãe!

Nunca criou sonhos ou ilusões,
mas sempre ficou inquieto e preocupado com cartas do futuro.
Trariam boas novas?
Um amor que estava por nascer, escondida num castelo,
e que talvez nunca tenha amado,
porque foi enganada e não conhecera o seu verdadeiro amor.

Os muros entre o campo e o castelo caíram,
e surgiu do nada o trigo e a flor.
O menino nasce no campo, brota feito o trigo!
 

42

TÉDIO

TÉDIO
O tédio tomou conta de mim.
A mesmice se apropriou dos meus discos e CDs; procurei algo pra escutar e fugir do cotidiano.
Troquei a escuta pelo regar das plantas, pelo cuidar dos cachorros, e me dediquei ao meu bem:
bem feminino, mulher e esposa.
Troquei os meus afazeres pelo simples e bom: o fazer nada com você neste dia chuvoso!
Chuvoso que molha meu corpo e o seu.
O tédio e a mesmice não conseguiram nos vencer.
O fazer nada venceu! Nos encontramos e marcamos uma hora pra não fazer nada!
Corpos seminus, e o nosso filme a passar na tela: TÉDIO.

57

JUNTOS

JUNTOS

Sinto vontade de você e de estar ao seu lado!
Penso nas horas em que estamos separados
e não vejo a hora de lhe encontrar.
A sua distância impacta na minha contagem: perco a contagem e recomeço!

Uma ponta de ciúmes,
uma ponta de confidências,
uma ponta de verdades nuas e cruas!

Cruas e nuas, do meu medo.
Perder uma partida de xadrez para o desconhecido é complicado, mas perder o que já se conhece é mais complicado ainda.

Direi-lhe: o que te falta, não sou suficiente para teus anseios.
Confidências, verdades nuas e cruas,
as minhas e as suas, discutidas e seladas.

Ah, está próxima… Que bom me sentir à vontade de estarmos juntos.
Que bom estarmos juntos outra vez, todos juntos.
 

27

FRIO

FRIO

Me deparo com o frio entrando em minhas entranhas e congelando até a minha alma.
Só o calor do seu corpo me aquece — o cobertor é apenas um detalhe.

O vento é forte e faz ressoar o seu canto, provocado pelo atrito sobre as casas e as árvores.
Vento frio e molhado, que provoca o medo e, ao mesmo tempo, nos acolhe entre braços e cobertores.

A cama quente e aconchegante é um convite a todo instante.
A mesa, posta ao lado da cama, com um bom café e algumas guloseimas, é um prazer a ser apreciado.

Entrelaçados sob o cobertor, contemplamos a paisagem: a floresta, o campo e, ao fundo, o vale com montanhas —
a chuva a cair, o vento uivando sobre elas.

Mais uma vez, me deparo com o frio entrando em minhas entranhas.

Professor Antonio Raimundo Dias dos Santos

52

CORAÇÃO DE MÃE

CORAÇÃO DE MÃE

Muitas vezes fui preterido e passado para trás. Muitos se diziam: “Sou seu amigo.”
Quando percebia, era apenas um bode expiatório, um trampolim e um salto para algo grande daquele que se dizia amigo.
“Amigo, estou com você”, mas só na minha ambição e empreitada.

O coração do verdadeiro amigo é o de mãe, que tudo desconfia e nada há de passar ou engolir, para proteger sua cria.

Quantas vezes nossas mães disseram:
“Tiraram da sua boca!”
“Deus não! Confia em Deus, que Ele lhe dará a vitória.”

“Paciência, meu filho, ainda verei você recuperando o que perdeu. Tenha fé, paciência e seja confiante. Deus lhe dará a vitória.”

O coração de mãe não falha; o do filho, sim.
O tempo passa, a história fica, e as marcas não desaparecem.

Tenha fé.

— Professor Antonio Raimundo Dias dos Santos
 

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Brasileiro, Nordestino (BA), PAULISTANO, SIGNO DE PEIXES, CASADO COM A ZENAIDE, PROF.Geo e Hist
Graduação: Licenciatura e Bacharelado em GEOGRAFIA pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO SANTANNA (2004). CONCLUÍDO. Atualmente é professor de Educação Básica II - titular de cargo efetivo - Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (E.E.PROFESSOR JOSÉ DO AMARAL MELLO) 2005 à 2016 e 2014 à 2016 (EE PEDRO ALEXANDRINO). concursado nos dois cargos. Atuou também na pmsp-sme nas emefs da zona norte 2010 a 2013 como contratado no cargo de Professor de Geografia. Tem experiência na área de EDUCAÇÃO (Geografia e História), com estágio na fundap - secretaria de estado da cultura - arquivo do estado (1995 a 1996) setor icnográfico. Possuo também curso de especialização - Lato-Sensu (Formação de Docentes Para o ensino Superior pela Universidade Nove de Julho), ano de 2006 a 2008 (400 H). Cursei 5 anos de Estudos Sociais sendo que optei no 3º ano pela área de História - pela FMU, mas não formado, ano (1992 a 1996).