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ACROBACIAS DO DESEJO



imprescindíveis
eram tuas coxas
a roçar-me sempre
naqueles dias frios

acrobacias
de orgasmos duvidosos
que repetidas vezes
se faziam

imprescindíveis
eram tuas coxas
e tudo que teus pêlos escondiam

no frio duvidoso daquelas noites
em que teus prazeres me aqueciam


Maria Silva
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Poemas

25

ACROBACIAS DO DESEJO



imprescindíveis
eram tuas coxas
a roçar-me sempre
naqueles dias frios

acrobacias
de orgasmos duvidosos
que repetidas vezes
se faziam

imprescindíveis
eram tuas coxas
e tudo que teus pêlos escondiam

no frio duvidoso daquelas noites
em que teus prazeres me aqueciam


Maria Silva
152

AFEITO



não tive tempo
de prever
esse amor...

ele aconteceu


Maria Silva
187

ESSÊNCIA



dessas noites contigo
não me basta saber
se me amas ou não

mas extrair tuas loucuras e tolices
tuas asneiras e recatos

enquanto me roça as coxas
e abre mãos sobre meus seios

extrair de teu corpo
o corpo inteiro
como se nunca tivéssemos amado


Maria Silva
175

DESCRITIVO



a maneira como te amo
estabelece seguranças aparentes
sobre fronteiras de perigo

a maneira como te amo
descreve discretos símbolos
a incendiar com orgias
o inferno de meus desejos esquecidos


Maria Silva
161

DUPLA EXISTÊNCIA



sempre senti assim
e então
meus dias são como gritos
a povoar a garganta
e um de meus olhos é uma manhã ensolarada
enchendo a casa de luz

mas sempre senti assim
qualquer coisa como um punhal
reprimida vontade de matar


Maria Silva
164

PATÉTICA



ah, as palpitações eternas
que guardamos
entre as pernas


Maria Silva
167

TRINCHEIRAS



o que tenho de mim
são esses restos
resquícios de batalhas anteriores
estilhaços de tédio
dolorosas medalhas

esgotada de mim
o que mais poderia te oferecer
além de tréguas
tratados

além de mãos que vasculham
teu território abandonado
formulando um perigoso pacto
bélicas promessas de romance

mas
como cumprí-las
se o conflito é inevitável
e o medo demarca fronteiras
aprisionando a poesia
nos corações derrotados


Maria Silva


181

ALGODÃO DOCE



e como num circo
te alimento de magias e pipocas
nos intervalos: algodão doce...

tiro da cartola
um amor eterno
abro a jaula
e te liberto
de mim


Maria Silva
177

BEM QUERER



é como se abrisse o gás
e me sufocasse
entre avencas e gardênias

é como se espalhasse pela casa
incenso
ervas
eras rasteiras

se te amo
é pela solidão desses naufrágios
é pelo acordo tácito
entre tristezas imbecis

se te amo
é porque me rasga entranhas
com tal cuidado
que penso até que sou feliz


Maria Silva
169

À MANEIRA DAS CADELAS



olhando o sangue
de moscas vespertinas
e pedaços de carne
pendurados no açougue
penso sempre o poder
parido à maneira das cadelas:
crescendo GEOMETRICAMENTE
a fome dos cachorros


Maria Silva
178

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