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À MANEIRA DAS CADELAS



olhando o sangue
de moscas vespertinas
e pedaços de carne
pendurados no açougue
penso sempre o poder
parido à maneira das cadelas:
crescendo GEOMETRICAMENTE
a fome dos cachorros


Maria Silva
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Poemas

25

AFEITO



não tive tempo
de prever
esse amor...

ele aconteceu


Maria Silva
189

DESGASTES



o amor
é essa gilete desatenta
enferrujando
sobre a pia

no embotamento
do que um dia foi paixão
no esgotamento
do que outrora foi poesia


Maria Silva
211

ARMADILHAS


e respiro
certos dias
esse medo
de acabar ferindo
a mim mesma
de acabar morrendo
por minhas próprias mãos

Maria Silva
121

PATÉTICA



ah, as palpitações eternas
que guardamos
entre as pernas


Maria Silva
173

REMENDOS



em constante suspense
tudo o que mais me afligiu
foram as acrobacias baratas
e os truques de amor
que por tanto tempo
mantiveram intacta
a lona esgarçada
dessa relação fim de circo


Maria Silva
184

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