RafaelCastro

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Uma noite

Sentimos silenciosa a tensão,

quando mil luzes coloridas enchiam o céu

Numa noite escrita pelo acaso e pela sorte

nas páginas do Verão.

O poder e o querer do coração

e um segundo, apenas um, de coragem

foi essa a diferença naquela noite

onde acendemos a escuridão.

Testemunhámos a vida

bailando com o sentimento

que nos fez estranhos seres

de uma familía verdadeira e unida.

Guardo os vossos sorrisos

como leves memórias,

que me alentam ora a sorrir

ora a chorar meus dilemas e juízos.

Na noite, filhos dac ombustão,

do fogo que ardemos

por vermos

com o coração

aquilo que os olhos jamais saberão.

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Biografia
Nasci, vivi, escrevi

Poemas

12

Uma noite

Sentimos silenciosa a tensão,

quando mil luzes coloridas enchiam o céu

Numa noite escrita pelo acaso e pela sorte

nas páginas do Verão.

O poder e o querer do coração

e um segundo, apenas um, de coragem

foi essa a diferença naquela noite

onde acendemos a escuridão.

Testemunhámos a vida

bailando com o sentimento

que nos fez estranhos seres

de uma familía verdadeira e unida.

Guardo os vossos sorrisos

como leves memórias,

que me alentam ora a sorrir

ora a chorar meus dilemas e juízos.

Na noite, filhos dac ombustão,

do fogo que ardemos

por vermos

com o coração

aquilo que os olhos jamais saberão.

154

A Janela de Janeiro

A Janela de Janeiro,

foi lá por ela

que me perdi inteiro.

Na solidão de Inverno,

o meu primeiro,

de um tempo eterno

com a ausência do teucheiro.

As amizades com as letras

de idades

por pó cobertas,

de tempos e vidas certas,

de outrora portas abertas.

Foi nelas que passei,

a ausência de ti

o que hoje sei

com elas aprendi

na luz dímea do sol

que espreita nas nuvens,

foi aí que fiquei.

Lá na Janela de Janeiro,

voltei a ela

por juras de guerreiro

de resolver a batalha

como os fantasmas do roupeiro,

uma luta muda

de um monge no mosteiro.

O vento espalha,

a memória do teu cheiro,

um dia calha

e voo do poleiro,

Um dia ameno,

Um dia...
O meu primeiro.

119

A última folha do Outono.

Sei que gostas de mim,

que te agarras nos meus braços,

e que negas o fim

que vês nos teus passos.

Do frio nasce a neve

fruto do ventre de uma miragem,

e o vento polar ferve

a tua grande coragem.

Já todas caíram

mas tu ficas, longe do calor,

surda ás que desistiram

da melodia do nosso amor.

Admiro-te pela preserverança

face ás leis da Natureza,

pela inquebrável esperança

que mantém a tua luz acesa.

Mas eu conheço o vento polar

e a dureza desta estação

e sei que nada te vais alvar

do teu caminho até ao chão

O fim a todas é igual,

e disso não podes fugir

mas na solidão invernal

foste tu, quem me fez sorrir.

E por isso não te esquecerei.

127

O inverno e a tempestade

Faz tempos de um dia em que na neve me perdi

com o coração da montanha e o frio como companhia

Foi aí entre pinheiros queas tuas sardas vi

Dançavas selvagem com aleveza da neve

e eu aproximei-me,nervoso, seguro de que eras magia,

seguro de que um suspiro te levaria em breve.

Mas eras veradeira e com olhos de cristal,

que pude ver quando os olhares se cruzaram

ficámos estáticos numa linguagem transcendental,

e foi aí que conheci a beleza do teu Inverno

nos olhos de um animal que os Deuses marcaram,

aí ficámos congelados por um silêncio eterno.

Larguei a arma, a roupa e por fim larguei-me a mim

Nu, renasci perante ti sem sonhar que sequer morri.
Tu avançaste lentamente e a minha testa tocaste

e ainda no silêncio eterno os meus lábios beijaste.

Aí ficamos congelados porum tempo incerto

na floresta, no silêncio,esperando a explosão

de um futuro que se tinha aberto

do qual haviamos sido ignição

e do frio viria a última revolução.

138

Que é de tudo?

Que é de um poeta sem musa

sem beleza para oinspirar.

Que é da noite semestrelas

sem nada lá para brilhar.

Que é de tudo isto

senão o perfeito escuro,

senão trevas de veludo

sem promessas de futuro.

Que é do escuro

senão uma branca tela,

paciente à espera

que alguém pinte nela.

Que é da tela

senão a nossa vida,

uma viagem única

e um bilhete de ida

Que é de um caminho

senão para andar

nas pegadas do destino

até onde este nos levar.

123

Velho, no vale da vida boa

Hoje sou velho sentado no orvalho,

Há dias em que vivo a aventura

mas hoje dá-me paz o trabalho

que a mente não procura.

Hoje sou velho aqui e ali,

mas podia não estar de todo

que importa que rume aí

no alto ou no lodo.

Hoje sou velho sentado aolhar

o vento soprando-me a paz,

lento e forte no meu andar

pode ser que amanhã acorde rapaz.

153

Que me guardas hoje?

ao que tenho sido?
Dar-me-ás uma flor,

rios de tinta e cor

enchendo-me o caderno?

Ou lembrar-me-ás do amor

que me aqueceu o Inverno?

Brinda-me com a presença

da incerteza do futuro,

do medo de não saber

o que esconde o escuro.

Pois hoje quero descobrir

as virtudes do medo,

quero acordar e sentir

como na vida é cedo.

Que falsa é a certeza

que te dá como garantido,

de saber de um momento

que ainda não o tenha sido.

Escondes a mudança

em frente á vista

num passo de dança

na alma do artista.

Hoje quero navegar

nas ondas do desconhecido,

e se me perder voltarei aomar

de onde nunca havia partido.

Essa casa de eterna Mudança

és tu a esperança

nas voltas da minha andança,

és tu o acreditar

que um dia,

um dia como tantos,

vou abrir as asas

e voar.ça ÇÇÇÇsdqwieasdasdasda

146

Pensamento Horticula

Vagueio nas ruas do pensamento, e do ser

solto no mundo onde tudo vi

penso no que me rodeia e concluo

que sou consequência dos caminhos que escolhi.

Não faz muito desde que escolho

as consequências de ser quem sou,

tento ser melhor pois o mal eu colho

tento mas já todo o homem tentou.

É necessário procurar

levar palavras da potência á acção

é essa a lei do meu viver

interpretar a lingua do coração

Desconstrui-la num mero acto

esperar como quem espera seu tempo

equanto o acto solto, solta seu impacto

e se difunde pelo momento.

Encontro-me a cada segundo

na crista da onda impossível,

nela descubro um mundo

onde a minha loucura é credivel.

117

Inexplorável Horizonte

Misteriosos caminhos do anoitecer

da aventura ainda por acontecer,

de tudo o que fica por saber

aí, á espera que o vamos viver.

Oh! magia do amanhecer,

de rir e de o agradecer,

ser livre e livre poderser

que encanto é este viver

Rei do meu próprio querer

sem um reino para ter.

116

Renovar

Trabalho sobre o que se deteiorou

sobre o tempo que passou,

esse tempo que me levou

e depois me deixou

parado a acontecer,

num futuro ainda por ser,

num passado sem o querer,

só ao agora não fui ter.

Intemporal viajante do espaço

segui-me perdido no passo

ainda assim sem embaraço,

pois o ego era escasso.

Encontrei-me já sem nada

como uma jarra entornada,

vertendo pela estrada,

a água, agora, libertada.


148

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