O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Saindo da FNAC Pinheiros, cinco da tarde, no inverno o Sol se escondia às cinco e vinte. Sábado, só sairia umas dez da noite, então não custaria me infiltrar entre uma turma que abraça árvores e aplaude o pôr do sol.
Não seria novidade, para quem passou a tarde entre uma “galerinha natureba” que acha que vai salvar o planeta e a si bebendo suco detox, usando canudo de papel, usando copo reutilizável, construindo móveis com madeira de reúso, armazenando água da chuva e reciclando lixo, mas queimando diesel. Para completar minha inserção no universo “esquerda de IPhone” e elevar meu ranking de “bichogrilisse” ao máximo, fugi, sem sucesso, das onipresentes “contações de histórias”. Eu fui à FNAC sabendo que de sábado era, infalivelmente, assim. A livraria ficava muito perto da Vila Madalena, portanto sabia onde eu estava pisando.
Cheguei a pé à Praça Cel. Custódio Fernandes Pinheiro. Tá, Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros. O lugar ganhou esse nome, porque é um dos raros locais agradáveis, em São Paulo, onde se pode acompanhar a fuga da bola de fogo até a última borda.
Não deu outra, em meio à “selva de pedra”, o corre-corre, o trânsito, as cracolândias e “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, aquele bando de gente aplaudia efusivamente — aos gritos de “ú-hú” — o pontual espetáculo da natureza que resolvia embasbacar diariamente os paulistanos para lembrar quem é que manda.
Depois da concessão à natureza, após lembrar o que há além dos apartamentos, dos automóveis, dos eletrodomésticos, dos eletroeletrônicos, enfim, das facilidades do dia a dia, todos voltam à rotina da cidade grande. A Praça do Pôr do Sol é só uma lembrança.
A Praça do Pôr do Sol está muito popular. Eu comecei a frequentar ali quando ainda era agradável, parei de ir ali quando um arranha-céu cobriu a réstia dos raios solares que brigavam com o vento gelado e a Praça ficou tão popular que a frequência e a sujeira transformaram o tranquilo e limpo local numa filial da Cracolândia.
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🔴 Cancelamento da derrota
Nem Governo de São Paulo, muito menos a uma Presidência da República. João Doria achou que bastava se escolher, no entanto nem o PSDB, seu partido, acreditou na candidatura.
O político que representaria a terceira via dos sonhos para o “stablishment” é o Eduardo Leite. Discreto, ele é muito parecido com os social democratas europeus, portanto perfeito para cumprir as agendas da Organização das Nações Unidas (ONU), obedecer todas as diretrizes ambientais, demarcar terras indígenas, enfim, obedecer tudo o que vem do exterior, mesmo a ordem sendo de países muito poluidores. Entretanto, por trás daquele rosto inocente há um ditador, foi o que vimos durante a pandemia. Para impedir a contaminação, o, então, governador do Rio Grande do Sul lacrou corredores de supermercados.
Voltando a falar do ex-governador de São Paulo. Na despedida da candidatura, o tom da fala, a expressão, os gestos, exatamente tudo foi calculado e planejado a fim de atingir um efeito esperado e repercutir como almejado. Contudo, o tiro saiu pela culatra. O telespectador não cai mais nessas estratégias, em grande parte por causa da internet. Tudo em João Doria soou falso, portanto, não colou.
O coronavírus já foi expressamente festejado como “presente de Deus para a esquerda”, segundo Jane Fonda e Lula agradeceu pela natureza ter criado o vírus, mas, mesmo sem a cara de pau de dar glórias à vinda do vírus, Doria vislumbrou a oportunidade e fez muito para derrubar o governo de Bolsonaro. O governador, que quis ser o “pai da vacina”, não passa de um lobista chinês. O que chamam de trajetória política, eu entendo como plano nefasto ou, no mínimo, estratégia mirabolante. O Brasil, nas garras do João Doria, seria mera mercadoria.
Agora, resta ao “stablishment” apostar na Simone Tebet. Lançada, finalmente, como a terceira via, pesquisando bem é fácil descobrir que ela não tem nada de novo e tem relações muito perigosas.
Dissimulados, muitos tentam se lançar como a tal terceira via (nem esquerda nem direita). Essa tentativa ensaboada de parecer novidade não engana mais. Desse modo, Jair Bolsonaro surfa, apresentado-se rústico; o povo, notando a edulcoração e artificialidade dos candidatos de sempre, vota no doidão.
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🔵 Livros, café e rock and roll
Depois de ver (e ouvir) os últimos lançamentos de CD’s e alguns mais antigos, nada mais óbvio que fazer a mesma coisa com os livros. Tratando-se de uma livraria, era tudo o que eu poderia fazer, certo? Errado.
Feito o “upgrade” musical e literário, alimentando o espírito, era hora de alimentar o corpo. Pedi um salgado e um café no Fran’s Café da FNAC da Avenida Paulista. Encontrei uma mesa vaga. Sorte, para um sábado. Coloquei o diminuto, embora caro, café da tarde na mesinha e sentei.
Os “roadies” “plugaram” os amplificadores e retornos, afinaram a guitarra e o baixo, ajeitaram os microfones e a bateria, pronto. Era só a banda entrar e tocar. O “pocket show” do ‘Doctor Sin’ compensaria o caro desjejum, dando até uma boa vantagem no custo-benefício.
***
São Paulo, 16 de janeiro de 1993, estádio do Morumbi. O Dr. Sin subiria ao palco, naquele inesquecível Hollywood Rock, antes das bandas Engenheiros do Hawaii, L7 e Nirvana, respectivamente. Todas as apresentações foram OK, mas o Nirvana, no auge, foi uma porcaria. Diz a lenda que João Gordo (Ratos de Porão) falou pro “consciente” Kurt Cobain (vocalista e guitarrista do Nirvana) que ele tocaria num festival patrocinado por uma marca de cigarros. Sabendo disso, ele avacalhou o show. Uma banda cover teria tocado bem melhor. Tocar num evento financiado pela indústria tabagista, com absoluta e comprovada certeza, era o menor dos problemas para Kurt. Foi uma inicial, visionária e clara sinalização hipócrita de virtude.
A melhor performance foi do “power” trio Andria Busic, Eduardo Ardanuy e Ivan Busic, o Dr. Sin. Dessa vez, eu não enfrentei longas filas, mega lotação, as dificuldades de permanecer em pé e a distância do palco. Assistiria ao show de maneira corriqueira, apenas comendo algo numa lanchonete, não sentado numa cafeteria.
Pouco mais de um ano depois, Kurt Cobain (líder do Nirvana) estourou os miolos. A banda entrou para a história. Livros e documentários foram lançados. O mundo até ficou politicamente correto como o suicida Kurt. No show do Nirvana, mesmo que avacalhado, quem foi, foi.
***
Anos depois, eu estava assistindo ao show da mesma banda do Hollywood Rock, só que tomando um café da tarde numa cafeteria de livraria. Foi um sinal de que a idade estava se impondo.
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🔵 Eu poderia estar roubando, matando...
Eu apenas preciso que o transporte me leve do ponto A para o ponto B. Mas não é isso o que acontece. Sobretudo nos trens, vendedores oferecem comidas — à base de corante, aromatizante, conservante, acidulante e gordura vegetal — vencidas em troca do meu sagrado dinheirinho.
Eles surgem por baixo das catracas dos ônibus ou do fundo do vagão do Metrô ou trem ameaçando os passageiros com o seguinte discurso: “Eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou vendendo estas balas…”. Para despertar alguma empatia, a desgraça não podia ser pouca, então ele elencou um combo de mazelas para todos os seus familiares. Exemplos: unha encravada, câncer, desemprego e dívidas. De cara, sou levado a pensar: Que cara legal! Depois, penso: Que azar, mas ao menos ele tem alternativas, eu sou obrigado a cumprir meu horário na empresa. Finalmente, raciocino melhor e concluo: se ele poderia estar roubando ou matando, a vítima poderia ser eu. Isso foi uma ameaça.
Entretanto, enquanto eu fiquei filosofando, o vendedor — que tão generosamente optou por trabalhar em vez de roubar e matar —, ligeiramente, equilibrou um pacote de balas sobre minha coxa esquerda. Eu observei aquilo, confesso, ignorando a desastrosa estratégia de venda, esperando que o objeto fosse recolhido ou minha estação chegasse. Mas resolvi examinar a embalagem. Além de exibir um vencimento digno de interdição da Anvisa, o pacotinho denunciava que o doce viajou, em diversos colos, do Tucuruvi ao Jabaquara umas quatro vezes.
Dirigindo, também não escapo dos ambulantes. Percebo que não há nada por perto, quando sou retido pelo semáforo (sinaleira) vermelho. Durante algum tempo, foi uma coqueluche em São Paulo os circos-escolas. A iniciativa foi boa, contudo o que se viu foi a proliferação de mendigos malabaristas nos semáforos. Começaram a aparecer mímicos. Bastava acender a luz vermelha para a faixa de pedestres virar um picadeiro. No início, até que era legal, os mímicos, com a cara cheia de pó-de-arroz e usando um chapéu coco, coloriam o dia com ares de Cirque du Soleil; mas, pouco tempo depois, eu tinha vontade de, quando o farol verde abrisse, sair como um carro de Fórmula 1.
No trânsito, nas Marginais ou nas rodovias, por mais isolado que seja o local, sempre surge, do nada, um vendedor de videogame ou carregador de celular. Eu me pergunto: quem compra um videogame Polystation nessa situação (os em qualquer outra)? Nunca me passou pela cabeça, alguém resolvendo comprar um videogame no trânsito. Tem que ser muito desavisado e ter muita fé para crer que um aparelho da Polystation, adquirido nessas condições, vai funcionar.
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🔴 “Dá que eu te dou outra”
Bolsoringa, corruptela das palavras Bolsonaro e Coringa, traduz o comportamento destruidor do Capitão. Cansado de ser enganado por políticos polidos, fala mansa, ternos bem cortados e respeitadores da chamada liturgia do cargo, articulando às escondidas, ciosamente costurando exitosos acordos e dialogando com a oposição, queria um presidente que chegasse chutando a porta, voando com os dois pés no peito, malucão, boquirroto e com um portfólio de piadas ruins (tiozão do churrasco).
O sujeito sem modos, até engraçado, de um autoritarismo folclórico, anacrônico é o presidente. O frequentador de programas “trash”, como o SuperPop, e zoado no CQC, chegou lá. No início, achei bem cômico aquele militar sisudo e mal ajambrado, nos aeroportos, sendo carregado nos ombros aos gritos de “1,2,3... 4,5mil... queremos Bolsonaro, presidente do Brasil”. Sinceramente, achei que era curtição da molecada a fim de colher algumas boas fotografias para o Facebook. Engano. O cara estava sendo conduzido ao “trono”. “Trono” que, segundo ele, só Deus tira ele de lá.
Tirá-lo de lá, ou pelo menos evitar sua reeleição, é a razão de viver (“leitmotiv”) de muitos. Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), velha imprensa e pessoas que ficam mais felizes quando chega o motoboy trazendo uma “meia frango com Catupiry, meia quatro queijos” do que quando chega água no Nordeste.
A resistência de ministros do STF, que esticam seus tentáculos ao TSE, joga o obscuro sistema eleitoral ainda mais em suspeita. Pavimentando o caminho para os antiBolsonaro e complicando a vida dos apoiadores do Bolsonaro, os ministros fazem conluios, propagandas, reuniões e jantares com a oposição. Os conluios, manobras e muitas ilegalidades vão sendo realizadas escondidas nas frases contendo as palavras e expressões “democracia” (e derivadas), “republicano” e “Estado democrático de direito”.
A situação nunca esteve boa, e agora observamos a olho nu uma força-tarefa e a oposição se movimentando para sabotar e derrubar o governo atual. Com essas investidas, o maior prejudicado é o povo. E eles não estão nem aí. Por isso tem que ter alguém malucão lá: Bolsoringa.
Bolsonaro não só é refratário a todo tipo de ofensa, como cresce em popularidade. Como não surtiu o efeito esperado, as ofensas são dirigidas aos seus eleitores. Recentemente, Paola Carosella chamou-os de “burros e escrotos”; Joice Hasselmann, usando a mesma tática desesperada e suicida, classificou-os como “asquerosos e lixo em forma de gente”. Todo esse “ódio do bem” revela o desespero, principalmente da política Joice.
Antes, acreditávamos na infiltração de bandidos (disfarçados) utilizando as instituições a serviço do crime; hoje, ficamos surpresos com a “bandidolatria”. Eles estão aí.
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🔵 Andando com umas companhias esquisitas 🔵
Esse é o tipo de aventura que só se vive na Disney ou, com muita sorte e baixo orçamento, no Beto Carrero World. É provável que, com parcas finanças, você tenha visto no filme ‘O Mágico de Oz’. Porém, mesmo sem nenhuma moeda, vivi esta improvável e inesquecível saga.
Nas férias de verão, um trenzinho cheio de personagens (como a Carreta Furacão) surgia como opção de entretenimento infantil: Snoopy, Fofão, Mickey, Pica-pau, Cuca etc ficavam responsáveis de enganar os pirralhos. Mesmo quem não tinha dinheiro para embarcar no trem, queria participar da atração. Entre os meninos menos endinheirados estava eu, também porque essa modalidade era mais divertida. Assim seguia o séquito de moleques com bicicleta ou correndo, interagindo com os bonecos.
No meio do périplo animado, o Fofão e o Snoopy ou o Mickey foram deixados para trás. Eu e uns 3 moleques, não lembro se ficamos no caminho ou em solidariedade aos personagens, ficamos caminhando pelas ruas do bairro numa configuração curiosa. Confesso, a imagem daquela odisseia foi uma das coisas mais tristes de se ver: algumas crianças conduzido personagens infantis perdidos.
A inusitada saga se estendeu pelas principais ruas e avenidas do bairro, intrigando os transeuntes e comerciantes da região. Três ou quatro garotos acompanhados do Fofão e outro animal de desenho animado caminhando com a certeza de quem sabe aonde vão, não é algo que se vê todo dia. Afinal, íamos ao ponto inicial do trenzinho. Nós, os “humanos” da expedição assumimos o dever moral de entregar nossos novos amiguinhos sãos e salvos.
Quanto mais longe, mais poética devia ser a inédita cena dos nossos heróis seguindo com um firme propósito. No trajeto, fomos conversando com os personagens. Certamente, aquele passeio já estava valendo muito mais que uma simples volta de trem.
O final da fábula teve uma triste coincidência. Como a busca terminou juntamente ao expediente, testemunhamos Fofão e Snoopy ou Mickey retirando suas respectivas cabeças com sorrisos estampados, revelando trabalhadores extremamente mal-humorados. A decepção foi que toda aquela alegria era uma farsa. Descobrimos, Fofão e Mickey ou Snoopy realizaram a epopeia profundamente entediados e querendo que aquele maçante imprevisto acabasse logo.
Essa jornada serviu para eu desconfiar de mascotes de equipes, vendedores fantasiados, animadores de parques de diversões e personagens de trens que sorriem o tempo todo. Descobri que meus novos amigos de “papel marché” e tecido eram uma fraude.
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🔴 A revolução dos imbecis e a revelação do imbecil 🔴
Tem uma turminha que cospe palavras e expressões fora de contexto. Tudo dá a entender que nem sabem o sentido do que dizem, nem sequer o significado das palavras e expressões, que funcionam como coringas. Fiquem espertos, estão querendo te enganar, quando tascam: democracia (e variações), republicano e Estado democrático de direito. Quem diz isso, do nada, para se livrar de uma questão embaraçosa, provavelmente, está querendo tergiversar e, por sua vez, te engambelar. Afinal, quem seria contra o Estado democrático de direito (seja lá o que isso signifique)? Quem contestaria uma frase que contivesse a palavra “democracia” (essa palavra tão linda)?
Temos visto ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes e o presidente do Senado Federal se inflando com arrogância, suntuosidade e pompa para embutir um (ou mais) destes termos. Tenha certeza, esse fingimento todo é para nos enganar. Ultimamente, esta estratégia está sendo usada para “rasgar” a Constituição.
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, exerce a função em prol apenas dos seus interesses advocatícios. Esqueceu-se das prerrogativas de equilibrar os pesos e contrapesos dos três poderes e se lembrou do “quem quer rir, tem que fazer rir”, “cê me ajuda que eu te ajudo” ou “uma mão lava a outra”.
Pacheco acha que sua covardia e “rabo preso” soam como postura conciliadora. Nessa crença, deve ter se entupido de remédio tarja preta e lançou (como balão de ensaio) seu nome como uma possível terceira via (mais uma). Seu principal atributo (segundo ele mesmo): parecer com o conterrâneo Juscelino Kubitschek. Esse cara gosta de brincar de presidente da República em seus pronunciamentos.
Blindado, o STF segue urdindo nossa fraude eleitoral a céu aberto. No esquema “Diga aonde você vai, que eu vou varrendo”. Essas eleições, nas quais já se escolheu quem pode e quem não pode ganhar, só não serão tão absurdamente roubadas quanto o escrutínio norte-americano.
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🔵 14 Bis e as meninas dançarinas do Centro Cultural 🔵
Chegamos atrasados, mas o show não havia começado. A sorte foi não existir lugar para sentar. O jeito era ficar em pé ou sentado no chão... ao lado e da mesma altura do palco. Foi simplesmente o melhor lugar para se assistir a um show musical: o 14 Bis.
Foi muito interessante testemunhar a tensão de um show. Estávamos tão próximos que os impropérios do Claudio Venturini e Marcão pareciam endereçados a nós. Entretanto, era o “roadie” que, entre fios e botões, recebia os xingamentos, procurando a regulagem ideal do som.
Ver uma apresentação tão próximo do palco era uma experiência única, mas também frustrante, porque eu estava acostumado a assistir, de longe, a uma ilusão. Contudo, pelo contrário, o que testemunhei foi o conjunto musical, cujas letras falam de futuro, esperança e amor, distribuindo farto repertório de palavrões para o pobre funcionário. Sendo assim, a magia da música e seus significados perderam sua magia e tudo parecia uma fábrica de salsichas. Diria mais, eu paguei para testemunhar o Claudio Venturini e o Marcão agindo como quem briga no trânsito ou em um boteco. Jamais pagaria para isso. A decepção foi como visitar a cozinha de um restaurante francês e encontrar larvas, ratos e baratas.
No entanto, algo longe do concerto chamava mais a atenção. Duas moças dançavam, cabelos compridos soltos, roupas indianas e descalças. As duas pareciam estar num transe, numa dança pagã, reverenciado o Lua. Confesso, aquilo estava muito mais interessante que o show do 14 Bis e seu festival de reclamações.
O ineditismo e a inesperada performance foi notada pelo 14 Bis, de modo que o humilde roadie teve um descanso merecido. Suspeito até que o incrível número de dança ocupou a atenção do garoto. Enfim, o técnico, depois de “comer o pão que o diabo amassou”, teve seu sossego, assistindo de graça a um show na hora do trabalho.
Justamente quando fiquei no pé do palco, teoricamente no melhor lugar, o melhor espetáculo estava na plateia.
56
Chorão — Marginal Alado 🔘
Excelente o documentário “Chorão - Marginal Alado”. Documentário, que deveria ser um filme, tem mais a característica de uma biografia do vocalista da banda “Charlie Brown Jr.”. Embora, além do ótimo baixista Champignon, a banda tivesse bons músicos, quem se destacava era o Chorão — muito pela personalidade explosiva. Ele foi um roqueiro de verdade, com a tal “atitude” antes de a palavra virar modinha e esvaziar-se.
Alexandre Magno Abrão, o Chorão, iniciou como “bandleader” “metendo o pé na porta”. Ele subiu no palco para “brincar”, enquanto o vocalista ia ao banheiro. Cantou uma do “Suicidal Tendencies”, a galera pirou e ele ficou em cima de um palco até o fim da vida.
O documentário passeia por diversas fases do músico, bem como do “Charlie Brown”. “Brother” ou marrento — Marcelo Camelo, João Gordo e Champignon conheceram a fúria de Chorão —, o cara foi a tradução do (mau) comportamento de um roqueiro. O filme enriquece muito e ganha aspecto de documentário clássico com depoimentos da esposa, filho, amigos, inimigos e músicos (a banda “Charlie Brown Jr.”, Marcelo Nova, João Gordo, Zeca Baleiro etc).
Chorão, o Marginal Alado, cantava e discursava com a linguagem da molecada (preferencialmente aquela que os pais não compreendem). Usando mais palavrões do que vírgulas e dando conselhos tão óbvios quanto livro de autoajuda de banca de jornal, ele falava direto, como quem conhecia os atalhos, sem parecer piegas. O roqueiro e skatista foi a síntese do “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.
Apesar de aparentemente possuir tudo o que uma pessoa quer ter, algo o deixava introspectivo. Essa introspecção escancarou a solidão no centro da multidão. O marginal entrou demais para a sociedade que ele gostaria de estar distante. Tudo isso levou à fuga mais destrutiva: drogas. Essa combinação era perfeita para resultar no óbvio. Sim, a tendência suicida venceu novamente.
Eu não considero “spoilers” fatos tão conhecidos porque foram muito noticiados, mas quem ainda não sabe da história completa, o documentário traz algumas surpresas.
73
Se beber, não dirija 🔵
Entrei no meu carro e comecei a persegui-lo. Era um Voyage antiguinho, portanto equivalente ao meu Gol L 86 (“Gol quadrado”, portanto equivalentemente antigo), também da Volksvagen. A perseguição insana e implacável não poderia acabar bem. A busca frenética terminou depois de uma curva, de maneira abrupta, contra a vontade de ambos, mas cumprindo a previsibilidade.
Recapitulando, sem chances de neutralização, o motorista seguia em ininterrupta e veloz corrida. Impossibilitado de detê-lo, mas sem perdê-lo de vista, eu me aventurava com o valente Gol. A perseguição só cessou após uma curva. Depois da inoportuna esquina, na rua transversal, vinha outro veículo. Isto fez com que o Voyage fosse freado, e o golzinho também parasse. Só que em sua traseira.
A caçada frenética findou somente com um desastre automobilístico. Eu e o outro piloto saímos dos carros para conferir os prejuízos. Os outros motoristas, pedestres e alguns moradores da região aguardavam uma briga, tiros ou, pelo menos, uma ofensa e alguns xingamentos.
[Minutos atrás]
Depois de várias cervejas (antes da lei: “Se beber, não dirija”), saímos com o Gol e o Voyage rumo à casa das nossas amigas. Chegando lá, mais álcool e um pouco de “stress” foram suficientes para o alterado piloto do Voyage ser visto arrancando e “cantando os pneus”, procurando um desastre automobilístico e consequentemente a morte. Diante do espanto e das súplicas, não me restava outra atitude senão persegui-lo.
[Voltando à batida]
O desfecho do desastre frustrou todos os expectadores. Contrariando as expectativas, não houve as esperadas vias de fato.
Diálogo dos proprietários dos automóveis envolvidos no mini-engavetamento:
— O que a gente fez!?
— Amanhã a gente conversa.
Acredito que todos perceberam que se tratava de dois amigos numa infeliz jornada. Cada um saiu com seu veículo, algum prejuízo e muita dor de cabeça.
Minha única batida de carro não causou nenhum ferimento, não atropelou ninguém e não deu em perda total (PT), mas talvez entre para o “Guiness Book” (Livro dos Recordes) como um ridículo “menor engavetamento do mundo”.