rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔵 Sempre rir




Existia um programa, pretensiosamente classificado como, de humor chamado ‘Zorra Total’. A vinheta que anunciava o início do programinha soava como um macabro sepultamento do sábado à noite. Mesmo não fornecendo minha audiência ao humorístico, a vinheta significaria que minha noite de sábado se resumiria a um motoboy entregando uma pizza de frango com catupiry e quatro queijos e uma ‘Coca’ dois litros.  




Já resignado com o desperdício da noite de sábado, animadamente, eu corro para o banheiro enquanto as pipocas estouram. A musiquinha do ‘Supercine’ é a senha para correr para a frente da televisão. Pronto. Equipado com uma tigela com pipocas, eu tento descobrir quem é o assassino no filme. Tudo isso é muito triste. Definitivamente, eu preferiria passar o final de semana jogando Tranca com a minha avó.




***




Não tive saída, ‘fazendo sala’ para uma amiga, esperando alguns amigos chegarem, assisti ao ‘Zorra Total’, acompanhando a família da garota. A reação coletiva parecia uma convulsão, um ataque epilético e uma possessão demoníaca. Todos eles talvez realmente achassem aquilo engraçado, fato que me fez sentir em companhia dos ‘Simpsons’.




Contudo, não foi difícil gargalhar com a situação. Talvez eu tenha sido o que mais riu. Repito: não gargalhei das odiosas esquetes, mas do cenário inusitado. Embora, eu realmente desconfio se aquela família também considerava aquilo a morte do humor e uma subcultura imbecilizante, portanto, ria para não me deixar sem graça. Assim, eu me diverti com as reações absolutamente hilárias.




Aquela família deveria liberar doses acachapantes de algum neurotransmissor ultrapotente desconhecido. Diluído nessa plateia, eu me entreguei a bordões e personagens forçadamente estereotipados.




***




Mais estranho foi uma família que acompanhava as histórias dos comerciais. Como, obviamente, as historietas eram demasiadamente repetidas, foram decoradas. Então, os acontecimentos eram previstos com entusiasmo: “Olha lá, olha lá”. Eu apenas obedecia e prestava atenção. Tratava-se de uma experiência interessante: eu estava enxergando com outro olhar o que antes eram enfadonhos filmetes com o único objetivo de vender. Antes, esses intervalos significavam o momento de conferir outros canais, beber água ou ir ao banheiro. Como herança da plateia das propagandas, eu passei a prestar atenção a anúncios de sabão em pó, mistura para bolo ou pasta de dente.




‘Casos de Família’, ‘Teste de Fidelidade’ e as pegadinhas do João Kleber parecem programas escancaradamente combinados, porém eu adoraria assistir no meio de uma turma simploriamente empolgada com aquilo.





















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🔴 Um bate-boca supremo




Parece que a discussão entre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e um brasileiro no aeroporto de Roma ganhou uma repercussão exagerada. Ao que parece, o ministro deu uma carteirada suprema, na modalidade “Você sabe com quem está falando!?”. A suposta agressão foi retaliada com uma suprema busca e apreensão.  “Deu ruim”, agora não tem como parar.




Finalmente, as imagens do aeroporto (que demoraram) chegaram, porém não foram divulgadas. As filmagens que estão circulando revelam um ministro raivoso e acusando o brasileiro de “bandido”. O que foi divulgado inverte  o que foi declarado pelo ministro do Supremo. 




No entanto, grande parte da imprensa, demonstrando “rabo preso”, subserviência e temor, correu para corroborar a acusação. A imprensa amestrada, dando um jeitinho semântico, escreveu: CNN, “Imagens mostram suposta agressão a filho de Alexandre de Moraes no aeroporto de Roma”; Fórum, “Filho de Alexandre de Moraes parece ter levado mesmo um tapa do empresário, diz PF; UOL, “PF indica que empresário ‘parece’ ter batido no filho de Moraes em Roma”; “Reconstituição aponta que empresário “parece” agredir filho de Moraes”. Note que o “tá ruim, mas tá bom” da imprensa procura forçar uma verossimilhança inexistente.




A velha imprensa, bem remunerada pelo governo federal, já havia feito parte do seu serviço quando imprimiu um “storyboard” (desenho) surreal.  O desenho realça a violência e a dramatização da cena que ninguém viu.  Segundo o desenhista, após o tabefe, um óculos levantou voo como um drone. De tão ridícula e hilária, a história em quadrinhos virou “meme”.




A imprensa interpreta, de maneira muito original, o que pode ter ocorrido no aeroporto, como quem enxerga num quadro em branco um cavalo que comeu o capim, bebeu a água e saiu. Ou seja, uma interpretação bem subjetiva.




É claro que parte da imprensa pautou “o caso de Roma” previamente. Mas, atuando como torcida e prestando uma assessoria bovina, ela briga com obviedades: 






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🔴 Diga-me com quem andas...

A primeira vítima de uma guerra é a verdade. Mas foi justamente por causa da guerra que a verdade foi revelada. A resposta de Israel aos ataques do grupo terrorista Hamas revelaram quem tentava disfarçar numa dissonância cognitiva oculta.




A dissonância cognitiva dos que insistiam em chamar a turma do “Golpe do Algodão-doce” de golpista  e terrorista deu um nó ao se espalharem vídeos do verdadeiro terrorismo sendo praticado pelo Hamas. Entretanto, dobrando a aposta (mesmo tendo um jogo fraco), quem usava a palavra “terrorista” fora de contexto caiu numa contradição inepta. A falta de palavras para descrever as coisas tal qual elas são revela uma limitação semântica, e isso é imperdoável para um jornalista. Mas, como vimos, foi pura falha de caráter e suicídio de credibilidade.




Os jornalistas, esquecendo seu juramento, puseram a ideologia como prioridade em detrimento da verdade. Abusando do livre arbítrio editorial, os jornalistas esgotaram o adjetivo “terrorista” (para os patriotas de 8/1). Conclusão: o terrorismo do Hamas foi atenuado com: “ataques e ofensiva”; e o próprio grupo como: “combatentes, militantes e resistência.




Quando há concessões ao bom senso, vêm precedidas das conjunções adversativas “mas, porém, no entanto, entretanto etc. Ou seja,  muitas vezes, essas conjunções desdizem a frase anterior, para, depois.trazerem a real intenção.




Os estudantes também classificaram velhinhos, crianças e animais de estimação, que não barbarizaram ninguém, como terroristas. No entanto, a infantilidade de uma turminha que sacoleja uma bandeira da Palestina, como se estivesse com uma bandeira de futebol, exagerou. A galerinha, alimentada com ‘Quick’ sabor morango e biscoitos ‘Passatempo’, apesar de vibrar em apoio a grupos terroristas, correm de medo na primeira discussão de trânsito.




O governo federal evidenciou aquilo que quem jamais pensou nessa turma em Brasília, já imaginava como uma das suas facetas: o apoio mútuo PT/Hamas. A reação do PT e seus asseclas foi como a de baratas debaixo de uma telha removida: correu cada um para um lado. Sempre atenuando as coisas, nosso governo emitiu uma nota tratando assassinato como falecimento e, como a ONU, evita chamar o Hamas de grupo terrorista.




Guilherme Boulos foi um que correu tentar apagar os rastros terroristas. Ao Boulos convém maquiar-se para “ajudar a imprensa a ajudá-lo”, se é que você me entende. O incendiário de estimação quer ser prefeito de São Paulo, e a imprensa está disposta a edulcorá-lo.




Em todos os casos, o apoio à Palestina é um modo socialmente aceitável de defender o Hamas e ser contra Israel. Como sempre, elegem um opressor e um oprimido para, novamente como um time futebol,  torcer.




Paradoxalmente, o próprio Jornalismo já vinha armando a arapuca que anteciparia o suicídio. A internet vem preparando a morte do antigo Jornalismo, mas, não abrindo mão do protagonismo, ele faz questão de acelerar o processo. Se o Hamas não convenceu o que significa “terrorismo”, o Hezbollah poderá convencê-los.
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🔴 Notícias popularescas

O Jornalismo do “duplo twist carpado” e do contorcionismo semântico é ideológico. Isso produz manchetes estranhas como: “Pode cair, subir ou ficar parado”; “A inflação subiu, mas isso é bom” e “Mudança climática castiga eleitores de Bolsonaro no Sul”.




Um exercício mental amplia ou escancara o quanto a imprensa puxa, empurra ou arrasta os acontecimentos para onde interessa: substitua o Lula pelo Bolsonaro, dizendo que “o entregador precisa de banheiro para deixar de usar fraldão”. Sem viés (mas com muita ironia), a mágica acontece.




Estatísticas apontam que 7 em cada 10 brasileiros apenas leem os títulos das notícias. Sabedor desses dados, o jornalista escreve uma manchete tendenciosa, para logo depois cair em contradição (ou desmentir) no corpo da matéria.




Notícias colhidas no ‘X’ (antigo Twitter) estão desesperadamente chegando junto dos fatos. Essa é a maneira errada de substituir a velha e boa checagem dos fatos. Aí chovem as seguintes manchetes: “homens grávidos”, “pessoas que menstruam” etc.




A imprensa, que se leva a sério, está, por causa do “click bait” (caça clique), publicando matérias e frases horríveis, por mero sensacionalismo. Sensacionalismo era o resto jornalístico aproveitado pelo saudoso, e propositalmente absurdo, jornal ‘Notícias Populares’. O ‘Notícias Populares’, que não se levava a sério, era conhecido como “Espreme que sai sangue’ ou, muito pejorativamente, como “imprensa marrom”. No entanto, o ‘Notícias’ era mais honesto que essa imprensa do: tá ruim, mas tá bom; e despiora.




É óbvio que a derrama de verba pauta o viés da notícia; infelizmente, vimos uma emissora de televisão lutar com todas as forças para influenciar o resultado da eleição presidencial brasileira. O canhão de raios catódicos conseguiu. Novamente, a ideologia, que foi mais forte que a isenção, viciou as notícias.




Há um claro esforço para adequar os fatos à narrativa; como eles são teimosos, surgem os textos bizarros. Portanto, não causará espanto escreverem: “o desemprego sobe para baixo”, “o emprego caiu para cima”, “o combustível subiu para o menor patamar da história”,”tá ruim, mas tá bom”, “o dólar subiu, o que prejudica apenas os ricos” etc.










Texto com imagens no blog:

Gazeta Explosiva
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🔵 Vozes do além




Acordei ouvindo vozes. Na verdade, era uma só voz, o que me pareceu bem mais assustador. Ainda com sono, eu demorei a entender o que estava acontecendo. Já que à medida que a idade vai avançando, a possibilidade de comunicação com os mortos aumenta, me conformei que aquela voz vinha de algum espírito.




Devidamente desperto, livre da desorientação típica de quem acordou de madrugada apavorado e com o coração acelerado, me localizei e prestei muita atenção no conteúdo da voz do além.




Juro que, mesmo acreditando em comunicação com os mortos, imaginava que quando isso acontecesse, eu ouviria algo como: “Aqui é o..., eu estou bem, não se assuste”. No entanto, o discurso continha teor futebolístico. Constatei que há muito tempo eu deixei de ser fanático, portanto descartei a possibilidade de serem vozes da minha cabeça.




A palestra noturna era sobre futebol, o que parecia bem estranho. Cercado de interrogações, inclinei-me sobre os dois cotovelos a fim de localizar a origem do monólogo esportivo e resolver a gincana sobrenatural.




Embora aquela voz lembrasse um rádio mal sintonizado, eu já admitia que alguém queria me comunicar algo. A linguagem futebolística era muito superficial, então deveria haver algum sentido escondido nas entrelinhas, portanto aquela glossolalia oculta precisava ser decifrada.




Concentrado no timbre da voz e buscando interpretá-la, percebi o sotaque carioca. Este novo elemento só complicava o dilema. Entretanto, foi justamente isso que me ajudou a, literalmente, descobrir a inverosímil voz.




Enrolado no cobertor, meu tablet reproduzia uma entrevista com o  carioca Oswaldo de Oliveira, ex-técnico de futebol do Corinthians. A expectativa de finalmente saber de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos foi por água abaixo, terminou com um conteúdo tão relevante quanto um papo de boteco.




A descoberta gerou uma sensação dúbia: frustração por não ser o escolhido para ser o portador das notícias do outro mundo; e alívio pela certeza de que eu não estou acompanhado por figuras ocultas.
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⚫️ O conceito do nada a nível de pertencimento enquanto arte

Em exposições artísticas, se, acompanhando a peça, vem o aviso performance ou instalação, logo sei que vem picaretagem. Talvez eu não entenda nada de produção artística; quem sabe a mente do artista acesse uma dimensão que eu jamais compreenda. Entretanto, eu nunca vou fazer o papel de palhaço admirando uma tela em branco ou entulhos de construção; pior, enaltecendo um simples mictório.




Algo que promete a subversão ou a mudança dos rumos da arte tem tendência a ser um embuste muito caro. A suposta explicação geralmente tem a probabilidade de ser extensa e falsamente complexa, diferente da obra, que revela falta de criatividade e talento.




Nas exposições que fui, jamais corri o risco de contemplar um objeto aleatório. Mesmo que por pura paranoia, acredito que o autor fique rindo desse público que leva tudo a sério. É preferível passar por ingênuo, tentando decifrar um barquinho na beira do rio ou uma casinha com fumaça saindo pela chaminé, do que ser vítima de um charlatão. Tentando não deixar passar nenhuma manifestação da observação privilegiada do artista, o observador metido a culto corre o risco de parar em frente a um porta guardanapos ou uma torradeira elétrica esquecida por alguém do refeitório.




Certa vez, assisti a uma mostra onde resolveram incorporar o resto de uma obra (demolição). O entulho ganhou o “status” de “instalação” e deve ter sido contemplado com criativas interpretações. Quem perscruta o significado oculto de um objeto aleatório corre o risco de terminar prostrado em frente a um extintor ou cesto de lixo.




As mostras de arte moderna são armadilhas para esse tipo de truque, bem como um chamariz para esse naipe de público. Por exemplo, quando bebia vinho, eu me arriscava, no máximo, a cheirar a bebida, para não ser confundido com um alcoólatra; no entanto, a falcatrua viria à tona se eu fosse arguido sobre a procedência do produto: provavelmente, eu confundiria alguma cidade francesa com Diadema ou Osasco.




A vantagem de gostar de obras simples, e inteligíveis, é não ser flagrado contemplando um mictório, uma tela baldia, uma pilha de entulhos, um cesto de lixo ou um extintor.




Para encher a cara de vinho branco, num vernissage, basta dizer bobagens pretensamente intelectuais com um “pedágio ideológico progressista” como: urbanidade imersa na decadência capitalista.
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🔵 Tribunal inquisitorial




Foi um aparente ato de fé ter como itinerário do catecismo o estacionamento do banco onde aquela turma jogava futebol. Além do curso da Igreja Católica, era obrigatório assistir à missa. Apesar de ser cristão, para um moleque, era uma tortura medieval perder a tarde de sábado.




No começo, eu me dediquei ao questionário bíblico, mas começar a noite de sábado acompanhando um sermão, era muito. Não resisti ao dilema que me fazia sentir uma culpa comparável aos hereges e fariseus, portanto, sacrifiquei a obrigação da cerimônia católica.




A partir do instante que decidiram pela minha expulsão do curso, me senti como algum indivíduo que cometeu alguma heresia diante de um sacerdote medieval ou um papa inquisidor. Contudo, graças à Deus, aquilo não era a Santa Inquisição, aquele clérigo não era o frade espanhol Tomás de Torquemada (o Grande Inquisidor) e aquela construção fazia parte da paróquia guarulhense.




O padre estava imbuído dos poderes de Deus. Então, como o representante do Senhor seguia as Leis do Antigo Testamento, não fui perdoado, fui sumariamente expulso. Esgotadas minhas súplicas, sem argumentos e quase chorando de raiva, melancolicamente me retirei. A minha descida das escadas da igreja, cabeça baixa, acredito que foi observada por  uma autoridade eclesiástica  assistindo triunfalmente a cena deprimente.




Naquele momento, numa reflexão superficial e confusa, passei a me conformar com o castigo divino. No entanto, fiquei desconfiado que Deus não era vingativo, como falavam. Portanto, sem reunir motivos graves como aqueles punidos com um raio bíblico, uma chuva de rãs ou uma praga qualquer como uma nuvem de gafanhotos, nem sequer o banimento temporário. Pela grandiosidade da existência humana, fiquei convencido de que não seria por tão pouco que eu seria punido eternamente. 




No ano seguinte, cumpri os dogmas religiosos, até lá, creio que realizei todas as potencialidades que Deus esperava de mim naquele momento: fazendo gols.


















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🔴 A corte pede carona




A turma desse governo federal, apelidada de Carreta Furacão, está muito ocupada viajando o mundo para aplaudir o presidente Lula. Como não há motivo para aplaudi-lo, a Carreta Furacão cumpre a necessária função de claque.




Nesse embalo, a corte lulista pega carona e faz um périplo aéreo nos jatos da FAB (Força Aérea Brasileira). O nível de deslumbramento e aproveitamento da boquinha estatal só é  comparável ao desembarque da corte de Dom João VI aqui. Os “aspones” alojados em Brasília sobrevoam o Brasil para visitar parentes, participar de eventos particulares e, inclusive, assistir a uma partida de futebol.




Dia 24 de setembro, a ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco, Anielle Franco, foi ao estádio do Morumbi... num jatinho da FAB. O que qualifica Anielle não é o currículo ou a esperada competência, mas o histórico de ser... a irmã de Marielle.




Pois bem, a moça embarcou no jatinho e foi à final da Copa do Brasil assistir ao jogo. A justificativa que a ministra sacou  foi que a viagem era para combater o racismo. Ah bom! Suspeito que se ela fosse titular da Pasta da Economia sua desculpa seria o preço do ingresso.




Não numa tentativa de reescrever a história, mas, sim, numa justa reparação histórica, eu finalmente explico que fui naquela semifinal de 1983, ainda criança, lutar pelos direitos infantis; assisti àquela finalíssima pelo comércio ilegal de madeira da Amazônia; estive numa partida para proteger o Planeta Terra do aquecimento global (ou mudanças climáticas); e acompanhei aquela goleada, protegendo o mico-leão-dourado da extinção.




O Corinthians está disputando a semifinal da Copa Sul-americana; se classificar para a final, a possibilidade de jogar contra uma equipe estrangeira será total. Por isso, solicito um jatinho da FAB, porque, inspirado no altruísmo de Anielle Franco, vou sacrificar minha agenda para combater esse crime que assola a América do Sul: a xenofobia. 




A abnegação não se intimida nos domingos ensolarados. Por coincidências dessa vida, vejam só, a ministra trabalhou enquanto seu Flamengo jogava; e eu, o meu Corinthians.
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🔵 Um furto furtivo




Não seria nada fácil levar o Vectra prateado. As luzes estavam acesas, então havia gente na casa. Provavelmente, estavam todos dormindo, pois era bem tarde, no entanto, tratava-se de uma casa de praia em Ubatuba. Esse cenário exigia uma dose extra de precaução, já que os hábitos das famílias nas férias são imprevisíveis.




Para não acordar a família, abrimos o portão e empurramos o carro sem ligá-lo. Pronto, ganhamos a rua e fomos andar na cidade. Tudo saiu conforme o planejado. A molecagem quebrou o marasmo que seria uma noite jogando cartas e nos empanturrando de refrigerante barato numa casa isolada no litoral de São Paulo.




Sim, “furtamos” o carro do pai do meu amigo, com a colaboração da turma hospedada na “choupana”. Apesar do deliberado conluio e da ação sub-reptícia, por uma infeliz coincidência, a turminha  tinha descendência e dependência da vítima.




Depois dessa “associação criminosa”, subimos ruas, descemos, contornamos, aceleramos, freamos e fingimos ser os donos daquela “nave espacial”. Tudo com muito cuidado, para não transformar a molecagem numa ocorrência que envolvesse a intromissão de autoridades e necessitasse da presença do proprietário do veículo.




Depois de tudo, por maior que tenha sido o cuidado na devolução do automóvel, fomos descobertos. Alguém delatou, por puro sadismo, zueirinha e inveja. Deve ter sido difícil jogar “Rouba-monte”, bebendo ‘Dolly guaraná’, ou dormir enquanto acelerávamos o ‘Vectra’ na noite de Ubatuba.




Fomos convencidos de que o crime não compensa, ainda mais depois que ficou evidente que o motivo foi fútil, portanto, sem qualquer justificativa. Assim, terminou minha desastrosa e atrapalhada vida no submundo imundo do “crime”. Por índole, sei que causaria prejuízo a qualquer quadrilha. Mas terminar nossa incursão no ramo do furto sendo trapaceados por um bando de pirralhos, bem como levando um “puxão de orelha” foi bastante embaraçoso e humilhante.
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🔴 A História se repete

Reichstag, o parlamento alemão que foi incendiado em 1933, supostamente, sofreu um autogolpe. O partido nazista teria provocado o incêndio e colocado a culpa nos adversários políticos. De qualquer maneira, o fato deu abertura a medidas arbitrárias. Ou seja, quem obteve “lucro” com a situação foi a aparente vítima.




A invasão do Capitólio, Estados Unidos, impressionou os mais distraídos, os influenciáveis e os torcedores anti-Trump. No entanto, depois de muitas exigências, as imagens foram exibidas, revelando uma condescendência com os invasores, parecendo muito uma visita monitorada. Resultado: tudo lembrou a estratégia que teria sido implementada no Reichstag. Acabou prejudicado o ex-presidente “nazista, fascista, homofóbico, supremacista branco” etc.




No Brasil, alguns jornalistas previram que aqui haveria a replicação da infalível tática. Não deu outra. O nosso país não deixou de confirmar o eterno vaticínio: “Brasil, o país do futuro”. Por falta de um Capitólio, destruíram o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Lembram muito a estratégia do Reichstag, sobretudo a invasão do Capitólio, com o recebimento cordial e um general ciceroneando o que seria uma turba enfurecida. Algumas imagens, que esclareceriam muito, sumiram. Tudo reforça a suspeita de que havia infiltrados instigando a destruição. Lula acabou sendo o grande beneficiário da invasão, e o “nazista, fascista, homofóbico” etc ex-presidente, o prejudicado.




Se eleger Javier Milei presidente, a Argentina deverá seguir o covarde e triste caminho. Com a derrocada do governo Alberto Fernández, o kirchnerismo só tem uma chance de voltar. Seguindo a sequência EUA e Brasil, a Argentina se torna vulnerável à previsão maldita. Logicamente, a Casa Rosada é um suposto alvo preferencial. Javier Milei já vem sendo adjetivado, pejorativamente, de “extrema-direita”. É uma questão de tempo (ou poder) para ele ser chamado de nazista, fascista, homofóbico, maluco etc.




Diz o ditado, a História se repete como farsa; nesse caso, ela já pode ter começado assim.
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