Lista de Poemas

Eu e o Mar


Nas minhas pupilas
O brilho-fosco das conchas.

Nas minhas mãos
Fragmentos de corais.

No marulhar das ondas
Um segredo vagueia.

Meus rastros na areia -
Efemeridades, não mais.

No barco silente
Um sonho perdido de mim.

A brisa que sopra
Sou eu... Que me desfiz...
471

Solilêncio

. . . . . . . . . . . . . . . .

de quando em vez
um sussurro -
breve brisa brinca
entre as folhas...
454

Poema ao amor que vem


Quero que me venhas nu
de versos e de toda poesia...
Desnudo de antigas peles,
antigos quereres, antigas elegias...
Quero que, sendo o mesmo,
me venhas outro, quase indolor.
Quero que me venhas nu,
como quem há pouco haja nascido
e que tragas apenas os velhos chinelos,
um sonho qualquer - colorido -
e o que em ti, ainda restar de amor...

(Rahna)
496

Entrelinhas

Entrelinhas

facas são
as palavras submersas
no não dito

são lâminas
as palavras que laceram
subentendidas no universo
circunscrito
dos lábios mudos
com seus silêncios
e significados absurdos

quando emergentes
saltam das profundezas 
do olhar contido
em frases restritas
de amigáveis metáforas
e aparentes sentidos

brandem ferozes as palavras
desvestidas de todo o resto
o verbo-cimitarra inaudito 
no interstício dos gestos

(Rahna)
206

POEMAR

são aves 
são cores
são risos
são feixes
de versos
precisos…

são linhas
são curvas
são retas
são rumos
e traços 
incertos…

são olhos
que fitam
errantes
espuma
de mar
flutuante…

são frutos
são frutas
rocios
é relva
é beira
de rio…

é bruma
é luz
é luar
são sonhos
de amor:
- Poemar!


(Rahna)
272

SER POETA



Ser poeta é ser apenas
Nada mais que o vento leva.
É ser a prece que enleva.
É ser a praga que extrema.

É amar sem nunca ter.
É ser mar e ser areia.
Plantador que ora semeia
Sem o tempo de colher.

Ser poeta é ser homem
E ser deus a um só tempo.
É existir em dualidade.

Tendo a poesia por alento,
Para os dias que o consomem
O amor, a dor e a saudade...

(Rahna)
276

TÁCTIL

Assim, à sombra das árvores vespertinas
A saudade fica mais táctil
A mansidão e a monotonia
Embalam o que ainda há em mim
De luz e sabor...
Há em tudo uma certa dose de letargia
Um torpor
E esse cheio-vazio de nada em polvorosa
Que se funde ao fundo grito da revoada de folhas
E das aves silenciosas...
258

IMPULSO



Da borboleta
Tocou a asa
A inábil sutileza
De seu dedos
 
Matou a coitada
Com o seu amor
Errado

(Rahna)
271

Insone


Hoje o dia 
Acordou mais cedo,
Com um gosto
Amargo na boca...

Talvez tenha
Se embebedado
De estrelas,
Tomado um 
Porre de lua
Ou nas orgias
Noturnas
se deleitado...

Nos meus olhos,
Apenas o peso
Da noite 
Mal dormida
E um brilho
De lágrima
Quase luz...
Quase sonho...
Quase amor...
423

Benedictum


benditos sejam
teus olhos
teu cheiro
teu beijo
teu corpo que se põe sobre o meu...
tua mão que pousa sobre a minha...
bendito o caminho
que te trouxe
despido de antigas verdades
e bendito o tempo
que me fora dado para aguardá-lo...
bendito esperado,
derrama sobre mim
este amor idealizado
e bendigas cada gesto
com promessas de eternidade...
463

Comentários (1)

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luisa13

poemas singelos, mas belos e profundos.

Meu nome é Claudia Dutra Gallo. Meu pseudônimo no mundo poético é Rahna, uma homenagem a uma cadelinha que tive na adolescência. Professora, Pedagoga, formadora e multiplicadora. Na rede estadual de ensino do Estado do Rio de Janeiro há trinta anos acumulei vivências maravilhosas, indizíveis e indeléveis. Gosto de escrever poesia, mas não me diria poeta. Parafraseando um velho amigo, Manoel Satyro, eu diria que "sou uma arrumadora de palavras". Bem, ao menos, é o que tento. Bem-vindos(as) ao meu espaço!