Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
24Poesia no sinal
Paro no sinal, e fico só observando.
Andando por entre carros, o vendedor.
Fervor na cabeça; com o sol estrelando.
Ofertando balas, e de qualquer sabor.
Entregador de filipeta se esbarrando
Empurrando e tocando no retrovisor.
Catador de latas fora da faixa andando.
Mancando e mendigando lá vem um senhor.
Lavador de para-brisa; vai ensaboando.
Dando outra visão; mas sem dizer o valor.
O ator do circo num fio se equilibrando.
Olhando; quis fazer parte e sem fiador.
Amor recitei, em poesia declamando.
Terminando, ganhei palma e atiraram flor.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A poesia é (ré)médio
mesmo num sol maior.
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De: carta para: e-mail
De: Carta
Para: E-mail
Estimado e-mail, espero encontrá-lo bem.
Sem muitas apreensões: sinceridade.
Verdade: esqueceram de mim. A carta? Quem?
Alguém, do correio sabe a realidade?
Formalidade e protocolo sei que atém.
Vem e vai, vai e volta a toda velocidade.
Capacidade que não tive, muito aquém.
Porém fiz história, mas nem sei a minha idade.
Dificuldade, extravio, roubo, refém.
Trem, barco, avião, bicicleta e dignidade.
Cidade, vilarejo; destinada a alguém.
Bem, me despeço aspirando vitalidade.
Integridade pra manter a escrita e amém.
Convém cuidar. - Viva sua praticidade!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Cada um no seu tempo
Antes envelopes a galope
Hoje, freio.
84
Entre pezinhos e asinhas
Caiu no chão; porém já nasceu muito leve.
Atreve-se a caminhar; ‘é tanta perninha’.
Perdidinha da Silva, o poeta a descreve:
-Deve ser uma lagarta! Mas que gracinha!
Aninha nunca canto; e logo sai. Que forte!
O norte faz; e sobe pelo tronco afora.
Agora é chegar num lugar que a conforte.
Morte? Ainda não. É a transformação; chegou a hora.
Penhora-se no galho. Lá em baixo, a buva.
Chuva e sol a toca; mas o vento, ali mora.
Demora a pupa; e crisálida é a luva.
A saúva passa; o sabiá é xereta,
na vareta, balança a caixa de pandora.
Estoura. E estica as asinhas, a borboleta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
cabe com perfeição no silêncio...
45
Diário
Hoje pela manhã, outra vez li o jornal.
Local de desgraça; horrores em descarrego.
Emprego ofertando um salário malemal;
Viral, tantas ofertas; charlatão em chamego.
Sossego algum. Notícia boa? Nem sinal;
Abismal até; e o mundo pedindo arrego.
Chego a pensar: seria assim mesmo o final?
Surreal; homem lobo do outro num refrego.
Labrego a listagem, de protesto normal.
Brutal o tributo, a ilicitude, o morcego.
Pelego de mãe, em um amor fantasmal.
Banal morar em likes; vida em desapego.
Escorrego em caráter; dor universal.
Na moral? Tenho muito medo; e em Deus me achego.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Olhos, abrem e fecham,
informações que chocam ali no papel
com o seu cheiro padrão.
Se espreme, escorre vermelho.
o jornal.
36
O ódio ficou com ódio
- Pronto, olhem a alegria sorridente!
- Gente, gente! Como é que isso pode?
- Que bode! Veja o humor todo contente!
(Sente a úlcera e a vesícula eclode.)
(Sacode o ódio; inveja remetente.)
- Atente, há uma coisa em mim, e explode!
- Acode, até meu alho tem dor de dente!
- Quente sangue; de torcer o bigode.
-Pode essa exultação! Corte bem rente!
-Sustente o seu veneno! Disse o amor.
-Ditador do mal, que você se aguente!
(Impotente o ódio tragou o rancor.)
(Vapor se tornou; em fumaça doente.)
(E silente o afeto o fez decompor.)
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Quem pode, pode...
E o amor, é desses...
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Intimismo
Da sala observo através da vidraça;
Abraça a minha visão adiante.
bastante; aprecio a efêmera graça.
Engraça o pássaro em canto constante.
Instante ímpar, estar viciante;
Variante em cores; nuvem que passa.
Enlaça o galho na galha, incitante.
Vigiante eu, essa cena não repassa.
Transpassa a alma; viver é instigante;
Tocante sentir, ainda que nada faça.
Traça dentro afora asa esvoaçante.
Calmante; o tempo feito uma trapaça.
Taça cheia liquefaz, visitante;
Confiante acontece; em nada espaça.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
tempo é essa imensidade
fragmentada...
Segundos, minutos, séculos...
Talvez um visitante...
Sinta-o.
53
Conto sem desconto
A chuva despencou. – Mas que surpresa!
Acesa a lanterna, o farol de milha.
-Filha, blusa molhada é beleza!
-Certeza! E nem estou botando pilha.
Partilha incrível. Quanta sutileza!
Leveza surreal; perdido em trilha.
Ilha atraente a sua natureza.
A grandeza estampada que fervilha.
Cartilha inocência; moça princesa.
Pureza, sem intenção da guerrilha;
Humilha com farta delicadeza.
Indefesa perante a chuva; e brilha;
Sapatilha aguada; alma reacesa.
Represa de olhos; do ombro cai a presilha.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A beleza é colírio
Perfuma a alma
De’lírio...
35
Ex-vendedor de poesia
Pegou os seus poemas impressos no papel.
Véu cai da alma, sua essência em exposição.
Coração num fio de veia em carretel.
Carrossel: letras, palavras, verso, emoção.
Intenção: era espalhar muito além do céu.
Tropel de sentires da sua inspiração.
Sensação livre, sentimentos em rapel;
Cordel, soneto, haicai, até mesmo uma canção.
Pretensão apenas: bem distante do Nobel.
Escarcéu; sem venda, nem numa promoção.
Percepção desvalor; do fundo vem o fel.
Ao léu jogou seus versos; que decepção!
mão vazia, o dedo acusando: és cartel.
Cruel; tesouro que morre por rejeição.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Olhou o livro de poemas,
Mas o “sistema” disse no ouvido:
É bobagem...
37
Ela calçava 33
Ela tinha um pezinho. Não, um parzinho.
Pequenininho, mas muito macio.
No frio abrigo: meia e sapatinho.
Tempinho quente: sandalinha a fio.
Subiu a escada; mas que bonitinho!
Limpinho; havaianas pink floriu.
Partiu pra praia, pegar um solzinho.
Branquinho de doer, dava arrepio.
Vazio o espaço; seguiu o caminho.
Igualzinho no tom; fiu, fiu!
Riu, a boca mexeu só o cantinho.
Friozinho, pois a água os cobriu;
Feriu-se ali; pisou num caquinho.
E beijinho é remédio, viu?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A borboleta da tatuagem
quase seguiu viagem,
Não fosse afixada com tinta...
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Respeito
Respeito: palavra de peso com doçura,
Altura: acima de todo e qualquer sujeito.
Jeito simples, revela caráter, postura;
Jura silenciosa do fundo do peito.
Leito que comporta, leve e sem armadura;
Estrutura, cabe pequeno e grande feito;
Suspeito é quem não pratica, áurea escura;
E finura é abraçar esse conceito.
Direito é ser respeitado com lisura.
Censura quem por acaso sair do seu tom;
Dom: considerar; depreciar: rachadura.
Cura, revela da alma o melhor entretom.
O som dito conta muito; e muda a leitura.
Pintura 'ADEUS' no espelho, não gaste batom.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.