Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

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Luna

A melodia que se escorrega nua
Em seus florais que se revelam almas
Numa sonata que acorda a lua
E o seu som desliza em folhas calmas.

A sua beleza que se encarna crua
Pelas magnólias nos pés e palmas
E seu amor cheiroso atenua
O musical das madrugadas alvas.

Todos sorriem pelo tom solene
O lumiar, pelo contrário, chora.
A madrugada se tornou Selene…

E as magnólias viraram sono
Onde se dorme a perdida hora.
Não haverá outra voz nem outono.

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Poemas

3

Talvez o tempo me matará

Sinto que a dor será eterna.
Sinto que felicidade é ilusão,
os jovens são a plateia,
o sistema é o circo e os palhaços,
adultos pagando os ingressos.

O mundo para mim é intenso,
mas eu sou tão palerma
quanto o desabrochar da rosa.
Sou tão morto quanto o outono,
quando o outono chega a rosa já murchou.

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Os tais sofredores

I

Você, o tal salafrário
daquelas noites sem fim,
madrugada, tal horário
pra tentar fugir assim:
rastejando a escuridão
sob as presas do acaso,
as drogas acabarão
nas picadas do trago.

II

Você, tal itinerário
no qual viaja sem rumo,
sem bagagem, solitário,
vai na estrada do luto.
Foge da tal polícia:
sentenciado por ter medo
de caminhar sem carícia...
de ser réu por ter apego.

III

Você, o tal hereditário
programado pro inferno,
e num maldito cenário
sofrer por quem está perto.
Mas não tem culpa de nada,
pois então, aguente a vida,
cairá como gota d'água,
e sofrerá em seguida.

IV

Você, o tal dicionário
das mil palavras perdidas,
acha até o meu diário
de anotações castiças.
Sou casto por amar muito,
amo o verdadeiro amor,
mas eles riem no intuito
de anotar a minha dor.
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Liberdade de expressão

Liberdade de expressão é quando nossa essência expande ao desconhecido. Quando somos folhas transvoando todas as ruas e os novos bairros. Para alguns, as folhas ao vento são uma dança da natureza, bailando o ar no compasso da beleza. Já para outros, as folhas sujam as avenidas, amiudadamente tendo que serem varridas para em seguida serem sujas novamente. Nada mais claro que expressão é o nosso ser interrompido e fomentado ao mesmo tempo. Vivemos na era da censura, pois somos afetados pelo açoite do outro, ainda mais que a subjetividade apoquenta a civilização. Ser sem essência nada é, então como podemos ainda estar de pé? Somos livres amenos quando afeta o outro, o que é deveras correto, mas e quando somos todos afetados? Quando nossos sentimentos ditam as regras? Nem sempre as folhas ao vento podem ser belas, podem perturbar com a feiura do vendaval. Todavia, liberdade de expressão agora é uma árvore com troncos caídos e quebrados: somos todos podados. Folhas incomodam.
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