Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

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Mórbida Reflexão

Mais um anoitecer pensando em outrora, nostalgia que deveria me pungir, só me deixa desvairado com uma utópica felicidade. Algo falta para compensar o meu vazio. Aniquilo a mim mesmo com meus devaneios[...]. O perecimento me trará paz.
O desejo de eliminar-se desse mundo funesto, como um solitário no alto de um edifício, um problema qualquer no sistema de controle, emerge e cresce. Refletindo aqui não chegarei a lugar nenhum? Seria eu sadomasoquista mental? Por que tantas questões? Seria eu um alheio ao rebanho ou um inconsequente se preocupando com coisas banais?

''A vida a doce ilusão; a realidade a solidão; o abismo o medo; as correntes o eterno pesadelo''.

Clamo por felicidade nesse universo errôneo. Queria sentir o sabor da famosa felicidade; o paladar da existência. Enquanto isso não acontece, sentirei a dor na pele a doença chamada vida corroer-me por dentro. Agonia infernal inerente, talvez contingente. Para retribuí-la, sinto o sangue mortuário exaurir de minhas veias.
Minha alma aqui jaz...
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Poemas

4

Supremo

Esculpido na influência venusiana,
perfeito e grandioso mármore,
o corpo pintado pelo sangue divino
das cores mais vitais.
Puro como conceitos não compostos,
Uno por clara excelência,
imortal e rei do esplêndido florescer:
conhecei-vos o inominável!
Excita todos os corpos existentes,
e outrossim, ninguém o toca,
traz metáforas mais que poesias
e aquém da imaginação.
Vislumbrado nas belas-artes,
crucificado pelos fracos,
abre os braços para universos,
deuses e mundos subjugados.
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Talvez o tempo me matará

Sinto que a dor será eterna.
Sinto que felicidade é ilusão,
os jovens são a plateia,
o sistema é o circo e os palhaços,
adultos pagando os ingressos.

O mundo para mim é intenso,
mas eu sou tão palerma
quanto o desabrochar da rosa.
Sou tão morto quanto o outono,
quando o outono chega a rosa já murchou.

119

Os tais sofredores

I

Você, o tal salafrário
daquelas noites sem fim,
madrugada, tal horário
pra tentar fugir assim:
rastejando a escuridão
sob as presas do acaso,
as drogas acabarão
nas picadas do trago.

II

Você, tal itinerário
no qual viaja sem rumo,
sem bagagem, solitário,
vai na estrada do luto.
Foge da tal polícia:
sentenciado por ter medo
de caminhar sem carícia...
de ser réu por ter apego.

III

Você, o tal hereditário
programado pro inferno,
e num maldito cenário
sofrer por quem está perto.
Mas não tem culpa de nada,
pois então, aguente a vida,
cairá como gota d'água,
e sofrerá em seguida.

IV

Você, o tal dicionário
das mil palavras perdidas,
acha até o meu diário
de anotações castiças.
Sou casto por amar muito,
amo o verdadeiro amor,
mas eles riem no intuito
de anotar a minha dor.
128

Liberdade de expressão

Liberdade de expressão é quando nossa essência expande ao desconhecido. Quando somos folhas transvoando todas as ruas e os novos bairros. Para alguns, as folhas ao vento são uma dança da natureza, bailando o ar no compasso da beleza. Já para outros, as folhas sujam as avenidas, amiudadamente tendo que serem varridas para em seguida serem sujas novamente. Nada mais claro que expressão é o nosso ser interrompido e fomentado ao mesmo tempo. Vivemos na era da censura, pois somos afetados pelo açoite do outro, ainda mais que a subjetividade apoquenta a civilização. Ser sem essência nada é, então como podemos ainda estar de pé? Somos livres amenos quando afeta o outro, o que é deveras correto, mas e quando somos todos afetados? Quando nossos sentimentos ditam as regras? Nem sempre as folhas ao vento podem ser belas, podem perturbar com a feiura do vendaval. Todavia, liberdade de expressão agora é uma árvore com troncos caídos e quebrados: somos todos podados. Folhas incomodam.
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