Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

Perfil
13 508 Visualizações

Mórbida Reflexão

Mais um anoitecer pensando em outrora, nostalgia que deveria me pungir, só me deixa desvairado com uma utópica felicidade. Algo falta para compensar o meu vazio. Aniquilo a mim mesmo com meus devaneios[...]. O perecimento me trará paz.
O desejo de eliminar-se desse mundo funesto, como um solitário no alto de um edifício, um problema qualquer no sistema de controle, emerge e cresce. Refletindo aqui não chegarei a lugar nenhum? Seria eu sadomasoquista mental? Por que tantas questões? Seria eu um alheio ao rebanho ou um inconsequente se preocupando com coisas banais?

''A vida a doce ilusão; a realidade a solidão; o abismo o medo; as correntes o eterno pesadelo''.

Clamo por felicidade nesse universo errôneo. Queria sentir o sabor da famosa felicidade; o paladar da existência. Enquanto isso não acontece, sentirei a dor na pele a doença chamada vida corroer-me por dentro. Agonia infernal inerente, talvez contingente. Para retribuí-la, sinto o sangue mortuário exaurir de minhas veias.
Minha alma aqui jaz...
Ler poema completo

Poemas

5

Não sei o que é beleza

Nossa arte morreu faz tempo 
O que sobrou são restos de desalento
Olho um quadro abstrato e vejo vômito
Regurgito o material do quadro insólito 

Minha náusea faz parte da obra moderna 
A barriga está fria, é a vontade que não se alterna 
Excrementos da feiura compõe natureza-morta 
A pífia subversão da beleza-morta
Deixaram no caixão velho uma mentira intelectual
Ou talvez eu seja apedeuta e não veja o novo normal?     

Não sei o que o é a beleza 
Não sei ver as formas da pureza
Talvez você não enxergue também 
Talvez seus olhos foram tampados com um ‘’além’’
Um dia a essência das coisas se mostre à tona
Até lá, pulemos de cabeça no kaliyuga atoa

O que resta ao poeta ao se autocontemplar? 
A caneta é o canhão da verdade ao lutar
A pólvora: combustão que ilumina o céu 
E a guerra: necessária, mas boa aos bêbados de fel
138

A Minha Luta

Não sei para onde vai levar
Sem objetivos a delegar,
Muito menos a exaustar
A virtude baixa do vivar.

Lágrimas me decaem ópio,
Perene deixa meu vil ócio
Sujeitando o passo ímpio
Na obscura falta de límpio.

Escreve, porém morrendo
Na ideia deixo nascendo
Aquele que luta sofrendo
No pelejo, mas fenecendo.
128

Lacrimosa

Rochas em seus pedaços arregaçados,
justaposto aos resíduos dos mares,
com sangue e tragédia, a azáfama
do apocalipse maldizente.
Nem rançosos Panzer’s são tão funestos
quanto os alicerces da história humana.
Decadência, virtude, vida, morte: nada
O nada agora importa, o nada se tornou
tudo, como era eu e você.
Insatisfação por milênios, nós carregamos
como Dybbuk sobrepondo nossos fardos;
A vontade, desgraçada vontade,
amaldiçoou o homem, em sã consciência
Como Zeus com Atlas segurando o céus.
Não há mais tempo, não sobrou ninguém.
Ninguém nesse mundo merece morrer.
Sou esmaecido na natureza, mas imortal
no meu dístico sofrer.
108

Belas Artes

As setes verdades de uma boa nação
Pedaços refectivos, feito ambrosia
A história consome com pressa amoralidade
Autofagia tua própria cultura, à desordem
do capital, Ourobouros do eterno finito.
A Ordu Natura: Apolo assassinado por espírito
Entrópico, teu canalizador, Dionísio, o rejeita
Já não podeis contemplar o virtuoso sublime,
Hei de apodrecer sem enxergar o belo.

Hino às musas, como de costume a teurgia de uma noite
Filosofia de um passado, os acordes perfeitos no casamento
Em canto certeiro: o orgasmo do Ser ao Absoluto
Experiência sem narrador, a expressão não dita, mas berrante.
Do primeiro ato as formas organizadas no sensível sujeito
Fenece a deusa morte, e eclode a maravilhosa vida.


Lágrimas de eco decai a força vital de meu âmago.


Fandango cósmico imitamos sua natureza,
Sua alegria é velejar a natureza linda dos astros no movimento
Não somos distintos, a graça da forma é bailar sob os acordes
De uma música de frenesi opulento.
Aos povos com batuques aos iniciados nos hindus
Deleita-vos nas células turbulentas em movimento, a cada
atualizada nossa vitória perante a decadência, vive.

Jazigo de cor preta é meu desejo enquanto permaneço…

Com pincel ao castelo ou ao próprio instrumento,
Os deuses pressionam nossos dedos contra a poderosa tela,
Como uma mãe tentando dar algum ensinamento a pobre prole.
Intuição pura faz da impressão do sensível ao metafísico, balsa
Até o pior nefasto dos homens
Nem mesmo Nero Germanicus é capaz de negar a grandiosidade
De um retrato, seja do próprio corpo, seja da própria sombra.
Ao singelo solver de mistérios, a tinta intenta o oculto autor.


Nada mais importa, uma pena vossos corações pulsarem assim.


Homenagem, ego, soberania: os deuses precisam disso,
Vós sois abençoados por terem vida, os animais, o maldizer.
Mármore quebrado em formas é necromancia feita aos olhos,
Pega o herói de Homero e o transforma em perene matéria.
A vida ganhando perfeição, três dimensões como a tríade sagaz
De um triângulo imóvel
Rigoroso, mas delicado, perfeito, mas quebrável.


Ainda há néctar para se embriagar ao nascer do maldito sol?


Conforto vós necessitais, como os deuses vivem de histórias,
Precisais de abrigo, então temos nossas moradas.
Mais que isso, um signo unânime em mitologias.
Havendo formas, há designo.
O homem é soberbo perante ao seu horizonte, viveu construindo
Seus castelos simbólicos pelo mundo, como poder e virtude,
Para no fim tentar entender a dimensão do espaço no cotidiano.
Existe virtude e honra em simbolizar seu trono.


Sacrilégio da alma, a penúria mais pobre de meu ser!

O homem necessita de contos, não só para fugir da melancolia
Mas para sobrepujar a história de um povo.
O desenho contornando o mito aos fatos concretos na vida.
A metafísica vive nos escritos, pois, de fantasia e Deus vive o ser
Trilhas de Lusíadas a Fausto sendo elucubrado por Mefistófeles
A árvore da vida é regada pelas folhas de um livro, como se água
Fora Artemísia dela mesma.


Se onisciente assim fosse, por que deixaste que a amálgama da vida (arte) sumisse?


O espaço é insuficiente, a forma também, o sentimento é estranho…
Versos matam ou não uma legião, a ideia do movimento contínuo,
Para entender o sentimento, a cor, a ideia e a destruição, precisou-se
Regurgitá-la do instinto humano.
Os cinco sentidos são penetrados pelos deuses nesta forma.
As retinas chorosas ou risonhas, relativo ao ideal do autor.
Perfeição ideológica, a heresia, pois dessa arte o autor tem onipotência
De manipular como quiser os sentimentos da plateia, feito Deus.
117

Nas ruas de um poema

Um dia tentando rimar
ano passando a falhar,
no tic tac da lamúria
tempo cai em penúria;
do dinheiro e do vigor:
o mendigo em torpor.
Esmolas de si mesmo,
apoteose do soberbo.
Decrépito em teu ideal
Afasia da morte final.
O soterrado, carece
uma vigília de prece,
em respeito ao velório
ao poeta irrisório.
Teu cântico do drama
acaba nas linhas em lama.
115

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.