Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

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Luna

A melodia que se escorrega nua
Em seus florais que se revelam almas
Numa sonata que acorda a lua
E o seu som desliza em folhas calmas.

A sua beleza que se encarna crua
Pelas magnólias nos pés e palmas
E seu amor cheiroso atenua
O musical das madrugadas alvas.

Todos sorriem pelo tom solene
O lumiar, pelo contrário, chora.
A madrugada se tornou Selene…

E as magnólias viraram sono
Onde se dorme a perdida hora.
Não haverá outra voz nem outono.

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Poemas

2

Soneto ao Anjo de Grief

Os anjos da noite adormecem em tristezas
Da conformidade das pequenas criaturas
Em trazer nascituros às suas impurezas
As folhas dos túmulos jazem em brumas

Alogia da natureza em no arvorecer do luto
O funeral da carne é célebre por dor
Perpétua lágrima escorre de mais um viúvo
Sua amada perece no puro amargor

Homenagem a ela acorda do soporífero sono os senhores
Em suas monotonias eles se impressionam com a obra
O toque de perfeição é finalizado pelos dedos de fulgor

O sofredor agora em prantos dorme ao lado de sua cova
Aqui encerra a dança das criaturas: a festa do estupor
Fúnebre ocorrido escreve a história dos corruptores

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Lírio Avoliado

Espaço branco mental que deixei ocupar nesta devassidão de doces lírios que já não me animam cuidá-los. Os campos de outrora verdes que tanto amei, agora são murchados por avolia. Avolia espiritual essa que me aperta o coração por toda vez que devaneio em intuições circulares que não me levam a lugar algum. Sabe, esta avolia é aporia, ela tão incerta quanto sua própria proposição; não sei a verossimilhança dela para finalizá-la como concretização. Talvez tudo seja falta de um propósito, talvez seja a ausência de incômodo metafísico, ou todo meu campo que cuidei tenha levado um ataque vespas venenosas.

Anedonia da carne em saber que o relógio vira mais um segundo enquanto branquidão mental só está crescendo em sua girada de minutos. Estou deitado vendo os minutos passarem, enquanto a inexistência significativa de estar aqui mata meus lírios com seu magnânimo vendaval. Olhai os lírios do campo devastados por avolia de fé e veja como vossas aves morrem em seus ninhos e quanto os lírios definham, assim como vossos homens (Salomão) que também vestem avarezas e mentiras. Senhor, não há nada, só vejo o branco e esse branco não me é tão branco quanto vosso eterno brilho paliativo.
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