Reirazinho

Reirazinho

n. 1999 BR BR

Túneis de pensamentos perdidos.

n. 1999-01-09

Perfil
13 549 Visualizações

Luna

A melodia que se escorrega nua
Em seus florais que se revelam almas
Numa sonata que acorda a lua
E o seu som desliza em folhas calmas.

A sua beleza que se encarna crua
Pelas magnólias nos pés e palmas
E seu amor cheiroso atenua
O musical das madrugadas alvas.

Todos sorriem pelo tom solene
O lumiar, pelo contrário, chora.
A madrugada se tornou Selene…

E as magnólias viraram sono
Onde se dorme a perdida hora.
Não haverá outra voz nem outono.

Ler poema completo

Poemas

4

Quadro disforme

Detestei amar àquela donzela
Coração pinta a aquarela
Gotejamento de tinta fulcral
Que respinga quadro surreal
Angústia disforma a beleza
Sangue lacrimal escorre pureza
Mausoléu de paixão lacrada
Enterrada a obra enleada
Vendido ao amor bulício
O trabalho puramente exício
349

Noite de inverno

Reminiscências de nevadas de outrora que congelam seu cadáver. Morto corrosivamente pela nostalgia do silêncio do amanhecer gelado. Espírito de porco embalsou-se no chiqueiro da insolência.  Obscuridade de toda sua índole: afastou ovelhas, atraiu lobos; traído por lobos, desvanece sua carne na noite de inverno, justaposto a memórias. Silêncio da madrugada é o concerto musical que paira em seus ouvidos. Sua saída do caixão seria a esperança de sua metáfora anafórica: viveu de pura algidez em seu interior enquanto hibernava os corações de outrem.
A vida ressalva que perdeu durante as estações da longevidade o tempo para aprender. Infelizmente construiu seu castelo glacial sem pestanejar as estações emotivas do outro. Hoje seu castelo derrete no mais alto fervor de verão que é o perdão que nunca existiu.
346

Afogado em gritos sanguíneos

Em miríades de delírios criei o afastamento das coisas
No fervoroso ardor em ver o prazer de outrem que não respinga em mim
Eu sou como um demônio que sobrevoa a vila dos prazeres dos arcanjos
Eu grito por dentro; minha garganta rasga e transborda o sangue rubro
Quase rubro, é da cor de uma rosa que sangra, como um flamingo perdido
Diria Anne S., mas eu a memetizo, pois como disse, afastei de meus próprios ideais
O poeta é um vampiro, vive de sugadas, enquanto não sente seu próprio sangue
O sangue que escorre de mim é preto e fede como graxa
Eu queria a vermelhidão, mas infelizmente sou um Nosferatu na vida das pessoas: vivo de mágoas, bizarrices, choros e mentiras.
344

Epístola a Bathory

Súplica a Bathory, rainha do sangue
Derramando as gotas de fervor infame
As servas em lágrimas corcovam em medo
Elas pressentem o temor do mal vermelho
Com rosto aristocrata se esconde a maior depravada
Nobre húngara com a sede Transilvânica exumada
Sua feiura ofende sua busca mórbida do belo
Da brutalidade herdada seu sangue queima no inferno
Terror do castelo Čachtice assombra curiosos góticos
De muita dor e mesquinhez foi instituída os imaginários mórficos
O opressor se deleita com os pingos de tristeza daquilo que ele manda
O oprimido soa em sofrimento para embebedar o ego de quem o zanga
342

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.