Resistência de um homem qualquer
Eu olho para esses lugares abandonados onde a sinergia entre as pessoas já inexiste, a nostalgia melancoliza minha pele e me faz chorar lágrimas de sangue com aquilo que poderia ser belo, que os pássaros grisalham em cadáveres e a vida derretida pela lava de desolação. O sol a mim é eclíptico e, as nuvens, carbonos flutuantes. Impetuosamente o passar dos dias foram como uma bomba relógio prestes a explodir; realmente explodiu. Não só de necroses, sangues e órgãos foram espalhados neste local, mas também a dor provocada por ideias malévolas. O mau tornou-se a essência do homem, junto com as correntes invisíveis que prende a sociedade aqui; a escravidão é a nova liberdade. Destrutíveis em grupo, sozinhos, imundos. A auréola da esperança foi pega e escondida, porém, o altar-mor da persistência ainda permanece comigo. Me resta ir na contra mão da complacência humana, eu necessito dilacerar os demônios do ódio e secar lago de tristeza.
Em virtude morrerei e meu túmulo será jazigo um homem de vidro que não quebrou a meio a milhares de espelhos falsos.
Jardim
Magnólia aroma a anima harmônica,
cravina adocica o animus racional.
Gardênia oleia o ar com seu perfume,
kalanchoe rega pestilência pulmonar;
desmazelo floral sangra as raízes da vida.
A púrpura, energia do absoluto:
sua nobreza transcendental na víscera do todo.
Duplo significante entre paradoxo e axioma,
como a perfeição da peônia que anula o brutal;
ao tempo que o afirma, o cíclame do bem e mal.
Estático
A minha mente é como a neblina estática e vazia. Ela permanece ali, com seu cheiro amadeirado e com seu toque adocicado de tenaz idealização; o contraste da incoerência foge de minhas mãos, assim como a clara luz desaparecida no breu que é o meu sentimento. A vontade de permanecer no ar transpassando noites, dias, verões, outonos, invernos e primaveras está esgotada por amargos pedaços de ambrosias angustiantes. Após mastigá-las, a explosão de sofrimento sai dos meus lábios e transpassa em estações obscuras para o meu próximo. O néctar do grotesco é como minha psique é demonstrada, ela é feia, mas é sincera. A sinceridade que forma minha moral é como o fruto proibido: todos desejam comer, mas não estão dispostos a pagar pelas consequências.
Todas palavras, verbos e sentenças foram lançadas em orquestras sinfônicas de mestres que um dia partilharam minha neblina. A nota em baixa escala é a música de minha existência, lenta, deprimente; melodramática em si mesma. A corda do violino é rasgada por persistência de crenças inferiores. Mas veja bem, não tenho culpa em enxergar o óbvio. O meu assento é impotência e falta de vontade. Mãe letargia me petrificou com seu olhar apático. Eu não me movo, não choro, não rio, não faço nada. O martelo da morte seria-me como a amálgama da filosofia: fundir a fraqueza com falta de fraqueza, o bem e o mal e a vida com a morte.
Agora eu me vejo estático nessa sala pela vida — mastigando minha dor, na escuridão do amor, sugando a brutalidade da honestidade, ouvindo a sinfonia da agonia e quebrado pela vontade.
Mal-estar
Degredo do meu ego superveniente a problemas,
prostrado, quase morto em meu solipsismo.
Vertigem mental confunde minhas crenças.
Ânsia filosófica é a náusea que enferme;
onde vômitos mancham meus lençóis em nojeiras
que prospectam o temor do porvir.
O não-ser é a tragédia que será, e quando ser,
meu imunológico se comprometerá com esse dever.
Talvez sejamos estrelas... nas fronteiras da vida
Renascimento ilusório aquele na qual às artes, os costumes e as virtudes faustianas são nébulas que um dia respiramos. Não houve renascer, não houve fênix que de suas labaredas jorraram brasas ao redor do campo, iluminando a faceta jovial de nossos povos; o contrário, o espírito apolíneo construído na arquitetura dórica do nosso ocidente, foi plasmado por quedas contínuas e longínquas. A escultura do mundo trinca por antagonismo dos homens em compreender o conjunto vazio que eles mesmos criaram. Não há espírito antigo e tampouco metafísica do infinito. Dores do mundo em uma cruz virada e enterrada de cabeça para baixo representa o herói de nossa civilização. Este herói que nunca velejou angustiantes tempestades, não conjurou maldições pagãs aos seus inimigos e muito menos salvou sua amada no castelo de nossas trovas mitológicas.
Somos estrelas que explodem em anelos sociais; ‘’novos’’ tempos para velhas almas. Diferente de uma supernova, somos uma escada babilônica em decadência permanente em rumo ao nada, enquanto a estrela do amanhã em seu esplendor, fulge a quintessência da luz à história universal do ocidente.