Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

44

Enfático

‘São Paulo - SP, em 12 de abril de 1995, às 23hs00’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
O sol se punha
A lua se ressalta
Tão pouco o ocaso some...
               Tudo consome.
 
O esplendor daquele olhar
Inverte sol a luar
Engana, a todos ilude.
 
A lua não mais aparece
É chuva que do céu desce,
Não lagrimas de amor...
               A chorar.

                  Rerismar Lucena
810

Insensato amor

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 24 de maio de 1995,
às 13hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
Sonho que se foi
Estrela que caiu
Nas águas do oceano
                    Se imergiu.
 
A noite estava linda
Num sonho a navegar
A lua resplandecida
                    Me vi a te beijar.
 
Acordo na insensatez
Se “o amor” é a embriaguez
De um coração a sonhar.

                     Rerismar Lucena
586

Papelão na calçada

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 02 de março de 1995,
às 21hs00’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Chego à rua, descalço
- Papelão na calçada
Chove chuva, chove nada
Chove... – cansaço.
 
Frutos verdes. A feira
Lama, poeira. Suja
A rua, que queira ser tua.
 
Apaga o brilho, da rua
Tristes focos. Nua,
A calçada suja.

 O sol despoja
Afrouxa a tua luz na rua.
 
Afrouxa essa ilusão, essa maldição
Num olhar audaz, que traz
A frieza crua da rua.

                   Rerismar Lucena
565

Debilidade noturna

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em 03 de março de 1989,
às 20hs43’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
À noite, na sombra de minhas inquietações,
O drama do ser me atormenta
Sofro de insônia, opulenta
Na enfermidade da mente doentia.
 
Tão somente é hipocondria
Que não me deixas, nem me solta
E quando ao dia abro a porta
Choro do nascer ao pôr do dia.
 
Nas noites mal dormidas
Sentia mórbido o meu ser...
- Meu corpo treme sem vida.
 
Mas no resplandecer, o dia
Refletindo a hipocondria
Das práticas débeis da vida.

                                 Rerismar Lucena
546

Despedida

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 07 de outubro de 1992,
às 13hs50’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
  
Estava chovendo...
Lágrimas dos teus olhos caiam
Um adeus disperso ao ar
Um sonho, um mundo
               Vidas separadas.
 
A força do apego nos massacrava...
               E ela chorava.
 
A chuva caia,
E as lagrimas daquele rosto
Que não cessava...
 
Era um adeus. Uma despedida
Um sonho preste a se findar.
 
Nas águas, que na rua caiam
Nas lagrimas, que mais pareciam:
               Dois corações a se afogar.

                           Rerismar Lucena
734

Flores para um amigo desconhecido

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em 22 de abril de 1989,
às 09hs27’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Andarilho onde me levas, neste mundo de restrição
A busca da felicidade em terras obscuras?
- A noite, são monstros que devoram
O dia, mais tormento. Uma maldição!
 
Andarilho, por quê és transeunte a tudo, a todos?
Não vedes, somos a amplitude de seres amorfos
Amortalhas o pouco da vida que nos resta?
- Sou andejante, por amizade indiscreta
Angustiado por antagônicos entes, estúpidos.
 
- Vem! Vamos nos coadjuvar e viver...
Não deixes tua inócua vida se dizimar;
Que amigos são como nós que se unem,
E na putrefação dos vermes que lhes consomem
..............................................................................................................................
Vão-se em féretro dois corpos à necrópole.

                                                    Rerismar Lucena
616

Recordações passadas

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 25 de maio de 1989,
às 15hs45’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Cercado, isolado pelo passado
Um grita, um geme, um chora
- ô João, não dormes, é hora
De irmos embora de casa.
E João murmura num cantinho:
- Não dá primo, tenho irmãozinhos
Meus pais, coitadinhos
Não consegue lhes sustentar.
 
E João em silencio permanece
Com lagrimas no rosto a rolar.
Os dias se vão, o tempo passa
E João um dia cresce
Não se sabe se a vida floresce
Ou germina no seu quintal.
 
- Vedes primo, estou velho
Irei vegetar no cemitério
E guardar as lembranças de um passado letal.

                                    Rerismar Lucena
449

Desejos

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Traz-me o vento a brisa noturna
Eu me recolho em meu canto
Os meus olhos, como se em pranto,
Caem lagrimas... infortuna.
 
Traz-me vento desejos profundos
Arrasta com força águas do mar
Em puros sonhos de luar
Molha os encantos daquele corpo.
 
Se pra mim és desejo
Se me perco em teus beijos
Fico louco, louco ao mar.
 
Que me lanço em meio às águas
Encobrindo as minhas magoas
De só em sonhos te amar.

                                                    Rerismar Lucena
574

Saudades

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 23 de dezembro de 1991, às 18hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
A lua chorava
E a noite fechou
As estrelas sem brilho
O mundo parou.

               Que dia tão triste,
               Você a chorar
               A noite lamenta...
               Não pude te amar.

 Por que foi embora
Que vagas lembranças
Dos dias de outrora
Sonhos de crianças.

                Vivíamos felizes
               Contentes a amar
               Depois que partistes
               Sou “Réris” sem “Mar”.

                                         Rerismar Lucena
605

Discreto sonhador

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 26 de abril de 1989,
às 20hs10’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Deslizando através do tapete.
Não voa. Não corre. Enfim,
Não sai do lugar.
 
               Estreito corredor
               Cauteloso sonhador;
               Saqueador de paciência de vida alheia.
 
Surpreendido pelo horror
Desprotegido pelo pavor
De minúsculas projeções na porta:
Que não são sua vida.
 
               São sombras preenchidas
               Por espasmo de vida
               Que o faz sonhador.
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... E mais uma vez, não crê que sonhou!

                                                Rerismar Lucena
772

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