rianribeiro

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Poeta amador

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Como eu te amo, querida?

Como eu te amo, querida?
Faltam palavras para dizer-te quanto;
Toma-me o amor em encantos.
Amo-te como se ama a vida.

Amo-te tanto querida, amo-te assim,
em silêncio, com graça e carinho,
Sem medo de ser sozinho,
Amo-te sem ter fim.

É por isso que minha voz te chama,
nascendo nas espumas,
Em rugidos amorosos como um puma.

É por isso que minha voz te chama, querendo em ti beber os aromas das flores: te chama para morrer de amores.
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Poemas

42

Assim cansado, assim calado

Assim cansado, assim calado,
foste embora, marido;
Um pouco mais, e preciso:
Não quero a ter ao meu lado.

Indeciso? E posto, sem fim,
Sofreu doído e morno
Tocou-me a flor do rosto;
Morreu em mim.

Teu silêncio é uma espada, amor,
Contra o peito meu,
esse coração que é teu,
padece em dor.

O amor é uma flor amarga, aquém!
Na boca, fere a alma sem dó.
Deixou-me num pranto só,
Como de novo amar alguém?
203

Meu amor! Meu amor!

Ah! Minha querida,
Vai a janela ao sentir minha falta
e proclamando ao vento a tua fala, bela, responderá minha alma em serenata:

Meu amor! Meu amor!
Não me procureis entre os cravos
e entre os lírios, porque a mim não vereis, não façais do amor, escravo, nem martírio.
177

O teu amor fez-se semente em mim

O teu amor fez-se semente em mim, trazida pelo vento.

E as tuas raízes atravessaram meu peito, traduzindo-se na chuva.

Nossas almas se tocaram e confundiram-se, como se colocadas ao espelho.

E tu e eu era a mesma coisa, de modo que, a tua fala em mim, era a minha e teu gesto em meu corpo era o meu gesto.

E o nosso silêncio espalhado no mundo, era o jeito mais triste que tínhamos de ser.

Agora, quando as almas não mais se tocam e nao se confundem, quando as rosas não brotam ao fundo, tua fala descansa no meu peito, e tuas mãos abrem-se para o mundo.
174

Como por ti não suspirar de amor

Teus braços teceram muros contra a dor

Tuas mãos morenas, são para mim mãos santas

Como por ti não suspirar de amor, quando teu corpo, no meu, se levanta?
182

não me prive de te amar

Não me prive de ver a ti, porque tudo seria triste. Não me prive dos teus olhares, dando-os a outro, nem de habitar teu coração, chamando-te pelo nome. Deixa estar, minha fala aos teus ouvidos. Não me prive de te amar nunca.
106

um vento suave beira o rio...

um vento suave beira o rio, dentro dos vãos do silêncio.

Tomba os panos da noite aos pés da aurora.

Salta um peixe, desarruma apaixonadamente a paz da hora.
110

Sobre as asas frias da morte

Com graciosidade esperançosa e doce temperança,
Levanto hastes aos ventos da pampa, rugindo gladios as temerosas rosas, a fulgida perseverança das campas.

Como aurora imaculada e majestosa;
Como flores castas e vívidas,
Sôfregas a derramar a vida sobre a terra dolorosa.

Com grande espada poderosa cerro as garras da morte;
Mas ao rugir bravo leão, entrego aos céus meu coração a sangrar dum corte:

Malditos corvos espreitam-me a sorte, bebendo os vasos da sangrenta ferida, avermelhando em mim os véus da vida sobre as asas frias da morte.
231

Desertos

Diz que o dilúvio foi suscitado por uma mãe que perdeu o filho; diz que antes disso não havia tristeza no mundo. 
256

Em profusa dicção essas palavras miúdas vão soltando-se do limbo...

Em profusa dicção essas palavras miúdas vão soltando-se do limbo,

desmoronando na garganta como enormes folhas secas presas na laringe; engasgando, imediatamente, a boca...

Vai dando voltas na língua, como num festival, como infantes numa ciranda, rodando em éguas e alazões velozes

- dissolve o gosto meio amargo. Diluí o céu em saliva, feito um lavrador preparando a terra para o nome.

De súbito, a pronúncia deste nome, sem timidez surgem na boca rosas, como se ao dize-lo, e de dentro de mim o chamasse minha alma, deitasse em mim mesmo sementes.
225

Acolá, no mundo...

Acolá, no mundo, os amigos contam essa história: flui um rio, vestido de um venusto airoso lençol cristalino, que se estira tombando para abocanhar a bacia de marfim oceânica. E o mar em sal é de uma mulher muito bela e quem se deitar com o rio se deita também com ela.
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joaoeuzebio

LINDO POEMA AMIGO O AMOR É TUDO ÉPROFUNDO É DESEJO PARABÉNS