um vento suave beira o rio...
um vento suave beira o rio, dentro dos vãos do silêncio.
Tomba os panos da noite aos pés da aurora.
Salta um peixe, desarruma apaixonadamente a paz da hora.
Acolá, no mundo...
Acolá, no mundo, os amigos contam essa história: flui um rio, vestido de um venusto airoso lençol cristalino, que se estira tombando para abocanhar a bacia de marfim oceânica. E o mar em sal é de uma mulher muito bela e quem se deitar com o rio se deita também com ela.
Sem título
Recolhe a rosa da roseira no seio miúdo do tronco: Dá amor, nos frutos ja maduros, para consumo dos amantes.
Pouco a pouco
Pouco a pouco, descubro o silêncio de minha alma. Assim, pouco a pouco, transbordo. Nesse sigilo, milhões de mistérios; sou todo segredo. E não me conto a mim mesmo.
Como por ti não suspirar de amor
Teus braços teceram muros contra a dor
Tuas mãos morenas, são para mim mãos santas
Como por ti não suspirar de amor, quando teu corpo, no meu, se levanta?
não me prive de te amar
Não me prive de ver a ti, porque tudo seria triste. Não me prive dos teus olhares, dando-os a outro, nem de habitar teu coração, chamando-te pelo nome. Deixa estar, minha fala aos teus ouvidos. Não me prive de te amar nunca.
A todos os amigos
Quero, sim, que me amem, mas que amem sem pressa e sem medo, amem manso, e falem-me com entusiasmo sobre como é linda as flores na primavera. Quero que, me amando, se calem as vezes, e ao me verem triste não se afastem, não guardem nenhuma pena de mim por eu ser sozinho. E que, quando eu divagar, no meio de alguma conversa, não me repreendam nem julguem falso meu amor: outras vozes me chamam do mundo.
O teu amor fez-se semente em mim
O teu amor fez-se semente em mim, trazida pelo vento.
E as tuas raízes atravessaram meu peito, traduzindo-se na chuva.
Nossas almas se tocaram e confundiram-se, como se colocadas ao espelho.
E tu e eu era a mesma coisa, de modo que, a tua fala em mim, era a minha e teu gesto em meu corpo era o meu gesto.
E o nosso silêncio espalhado no mundo, era o jeito mais triste que tínhamos de ser.
Agora, quando as almas não mais se tocam e nao se confundem, quando as rosas não brotam ao fundo, tua fala descansa no meu peito, e tuas mãos abrem-se para o mundo.
Aos amigos distantes
Quanto amor vos guardo;
Quanto amor tem por mim?
Lança a minha fronte, oh amados:
Teu amor é ruim!
Ouço calado e soluço,
Vosso amar precioso,
Mas dá palavra o desuso,
De cunho amoroso.
Amais a quem, e a quê?
Se vosso amor é assim tão breve,
Faz de conta o querer.
Amais os ricos e o dinheiro,
Vossa peleja assim se acerta.
Oh, amigos, desordeiros.
Em meus braços
Em meus braços teu corpo é um silencioso poema:emblema de rosas, folha mansa, ruidosa. De teus cabelos pendem diademas,
Emblema de rosas, pequenos poemas.