RicardoC

RicardoC

n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
92 459 Visualizações

UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
Ler poema completo
Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

2

A ESPADA DE DÂMOCLES

Busca antes à vaidade que à verdade
Aquele se coloca sobre todos,
Embora com bravatas e denodos
A jactar-se com grande propriedade.

Quem se dá excessiva liberdade,
Tentando aconselhar de muitos modos,
Não percebe por sobre seus engodos
A espada por um fio de maldade...

Assemelha-se a Dâmocles no trono:
Refestelado em luxo aqui e ali
Como de tudo aquilo fosse dono.

Patético, dos outros zomba e ri.
Até que horrorizado, quase ao sono,
À espada vê pendente sobre si!

Betim - 12 12 2018
593

MANÍACO

Caminha pelas sombras, predador,
Belo e mau como um lívido Satã.
À caça de mulheres cujo amor
Revelará mortal pela manhã…

Com efeito, as mais ávidas em flor
Quedam hipnotizadas n'esse elã
Que envolve todo grão conquistador
Às voltas com orgia assim pagã.

Finge ser dos amantes o melhor.
Porém, tão-logo as deita no divã,
Parece confundir prazer e horror
Pronto a lhes devorar a carne chã.

Sua ânsia de prazer só não é maior
Que o apetite por sangue cujo afã
O leva a conduzir ao seu sabor
Às moças que seduz com lábia vã.

Deveras, a ocasião se faz melhor
A sós na alcova… Pois, moral mal-sã
Dá razão ao misógino valor
Que ainda faz da vítima a vilã…

Matava indiferente do estupor,
Fosse ela donzela ou cortesã…
Em plena foda, ao gozo, em pleno ardor;
Deixando-a inerte já sem amanhã.

Traz consigo, em memória do terror
À guisa de troféu ou talismã
D'elas alguma joia em seu favor,
Quer fosse um camafeu ou cruz cristã.

E some… Sem deixar senão pavor.
Após tomar a morte como irmã,
Um maníaco em série matador
Se mostra a insanidade mais insã.

Betim - 08 12 2018
121

Comentários (5)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!