RicardoC

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n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
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UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
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Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

12

O OLHO DE HÓRUS

O olho que a tudo vê, segundo diz
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.

O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.

É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.

Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.

Ouro Preto - 11 12 2022
185

O OLHO DE HÓRUS

O olho que a tudo vê, segundo diz
Todo aquele em mistérios iniciado,
Evoca do deus morto-e-reencarnado
A vingança contra o mal e seus ardis.

O olho que olha nos olhos do infeliz
E os atravessa a ver o que guardado:
Vidente do futuro e do passado,
Faz contemplar dos mortos seu país.

É quem sabe da vida após a morte,
N’um olhar que, profundo, nos conforte,
Até partirmos com ou sem revolta.

Pois símbolo d’aquilo que ninguém
Tem resposta quando olha para o Além…
N'ele, o Além para nós olha de volta.

Ouro Preto - 11 12 2022
166

INDECÊNCIAS

Mais promete a beleza da mulher 
Quando faz recordar doces prazeres,
Mostrando os ombros nus entre afazeres
Para acender-me os olhos de querer.

Parece em me atentar mais s’entreter,
Certa de ter em mim novos lazeres.
Na ânsia de devorar-me sem talheres,
Chega perto demais por m’envolver:

Encosta no seu colo a minha face
De modo que ao virar-me (se eu ousasse…!)
Teria já meus lábios no seu sexo…

E depois de entreabrir o seu decote,
Chegaria fungando em meu cangote
Para me balbuciar coisas sem nexo…

Belo Horizonte - 13 08 1999
208

NARCOLÉPTICO

O dia passa como se enevoado
Co'os olhos entreabertos, salvo engano.
N'um desarranjo de ciclo circadiano,
Caminho de mim mesmo alienado.

Atravesso o expediente anestesiado,
Visto incomunicável n'outro plano.
Em pleno abandono do quotidiano,
Arrasto-me de espírito alquebrado.

Cochilo entre vozes dissonantes
A discutir assuntos importantes,
Enquanto eu me congraço em evadir.

Fantasma pelo mundo material,
Pareço errar em busca d'um final
À minha nulidade de existir.

Betim - 18 11 1997
203

ANTEPENÚLTIMO

A cada passo mais perto do fim
Caminho inopinado para o nada.
De ânsia apenas se fez a minha estrada,
Onde nenhuma glória coube a mim.

Parto tão fracassado quanto vim
À luz do vasto mundo… Na jornada,
Vi o vento apagar cada pegada,
Indiferente até se não ou sim.

Mais convém ao idealista a fantasia,
Embora a realidade a cada dia 
Se imponha sobre os sonhos e os desejos.

No fim das contas, tudo é mais do mesmo:
Atravessei desertos andando a esmo,
A ter de fogos fátuos seus lampejos…

Belo Horizonte- 15 11 2022
212

ESPERANÇOSO

Um pouco antes do dia amanhecer,
Cantam os passarinhos ao redor.
Tudo parece em paz e até melhor,
Renovado ao que quer que venha a ser.

Mais um dia de vida p’ra viver;
Mais uma hora vivida para o amor…
Enquanto a solidão torna maior
A consciência de si em cada ser.

Espero pelo sol que não demora,
Embevecido pela rósea aurora
Que enche de matizes todo o céu.

E ao concerto fugaz dos passarinhos
Eu contemplo os sinais circunvizinhos,
Enchendo de impressões outro papel…

Betim - 27 09 2022
18

ORIUNDA

Não tanto os olhos, antes os olhares
Contam de sua história e sua origem.
Eram fundas miradas de vertigem,
Enviesadas a mim como a meus pares.

Contavam d’outras épocas, lugares
E mesmo dos costumes que ‘inda afligem
Mulheres que cobertas de fuligem
S’escondem atrás de homens e de altares.

Baixa a sua cabeça, todavia,
Quando sustento o olhar para encará-la
No afã de surpreender-lhe a fantasia.

Enigmaticamente, nada fala
E se retira certa de que, enfim,
Eu d’ela menos sei que ela de mim!

Betim - 05 09 2022
367

SUBLIME

Estou triste esta noite, muito triste.
Tanto, que até capaz de fazer versos…
De modo geral, eu entre eus dispersos
Em meio à algaravia que se assiste.

Tal tristeza por mim ainda insiste
Em fazer eu me outrar por eus diversos.
Eu sou um deus que ao criar seus universos
Distrai-se sem saber sequer se existe…

A inexacta medida do sublime
Na noite ecoa vozes sacrossantas,
Cujo cantar alhures me redime.

E ainda que através de mil gargantas,
Exijo um verso meu que legitime,
Ser triste, muito triste, vezes tantas…

Santa Bárbara - 23 08 1996
197

NÃO TITUBEEI

Em face das falácias dos obtusos,

Não deixei de falar o que pensava.

Fosse correto ou não, não me negava

A questionar conceitos por confusos.




Jamais me conformei com certos usos,

Tampouco dava amém a quem pregava

Mudar a manter tudo como estava

Na má-fé de historiar em parafusos…




Denuncio a maldade do bonzinho 

Assim como a inverdade do bisonho,

Ambos a sofismar pelo caminho.




Porém, livre é todo homem em seu sonho:

Ainda que ao deserto ande sozinho,

Quem anda pelas sombras vai tristonho.




Betim - 10 08 2022



24

MUSSELINA

Através das florestas de amplos vales,
Onde reinavam tigres colossais,
Cultivam entre lírios algodoais
De fibras tão finas que sem males.

Divina manufatura dos bengalis,
Tecida a bem vestir às Casas Reais
Com transparências leves e sensuais
D’alvíssimos véus, túnicas ou xales.

Algumas belas amam; outras, não.
Mas todas buscam ter no coração
O encanto que hipnotiza o nobre olhar.

Deixam ver a nudez do níveo seio
Em face d’um herdeiro cujo anseio
Faísca em peito frio o ardor de amar!

Belo Horizonte - 04 06 2022
206

Comentários (5)

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Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!