RicardoC

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n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
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UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
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Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

7

POLIAMOR

-- "Tu podes me xingar, se isto te conforta.
Disse-lhe sem tirar os olhos d'ele --
-- "Vá! Eu não entendo isto que te impele..." --
Respondeu-me parado já na porta.

-- "O que quero é querer! Já não importa
Se cu, boceta ou pinto (o que se revele!)
Se índio, branco ou retinto, a cor da pele.
Só não serei feliz depois de morta!"

-- "Não sabes me causar senão assombros..." --
E ficou ali olhando os olhos meus
Com aquela frase à guisa já de adeus.

-- "Meu corpo, minhas regras." -- e dei de ombros.
-- "Teu amor, tuas negras..." -- e explodiu:
-- "Poliamor é a puta que o pariu!"

Belo Horizonte - 20 02 2018
399

ACONTECIMENTOS

Em face das recentes desventuras,
Que tenho atravessado em meu caminho,
Parece-me que nunca me avizinho
Senão de noites mais e mais escuras.

Resta-me além de tolas conjecturas,
De todas as verdades, a do vinho.
Na multidão percebo-me sozinho,
Ouvindo-os me espalhar as imposturas...

As coisas que me têm acontecido
Deram o que pensar e o que falar
A algum juízo alheio irrefletido.

Mas fica ainda a dúvida pelo ar,
Se a vida, para além de todo o olvido,
Não mais que um permanente mal-estar.

Betim - 10 02 2018
497

O PIROMANÍACO

Eu, que aos vinte me fiz incendiário,
Aos quarenta pretendo-me bombeiro...
Quer pseudo-radical; quer embusteiro
O facto é que já fora um temerário.

Louco, salvo evidências em contrário,
Hoje em dia me têm por muito ordeiro
E dos grandes um grande companheiro,
Mesmo não sendo nada extraordinário.

Deliro co'a cidade ardendo em chamas,
Mas depois, entre alarmas e proclamas,
Exorto o povo a vir em meu socorro.

Da esquerda para o centro se transita
Sob pena de tornar-me um parasita,
De agravos em juízo 'inda recorro...

Betim - 08 02 2018
451

EU E TU

Até onde eu consigo me lembrar,
Aquele foi um dia ensolarado...
Talvez tenha sido eu; talvez o Fado
Ou apenas te calhou de m'encontrar.

E tu, sem qualquer pressa de chegar,
Nem vias quanto havias caminhado.
De mãos dadas, paramos lado a lado
E soubemos um ao outro desvendar:

Eu não te disse muito. Tu tampouco.
Porém parece o mundo menos louco
Enquanto é contemplado desde o abismo.

Já de noite, depois de tais assuntos,
Eu e tu d'ali saímos nós dois juntos
A andar de cataclismo em cataclismo...

Betim - 06 02 2018
394

EVASÃO

Qualquer lugar que não esse onde vivo!
Qualquer tempo que não o meu presente!...
A vida em devaneios por simplesmente
Não lhe saber sentido nem motivo.

Em utopia estar contemplativo!
Em fantasia ser quem tenho em mente!...
Imaginar o mundo tão-somente
Ao invés de o descrever tão objetivo.

Algures bem melhor do que eu aqui;
Antanho bem melhor do que eu agora:
Distinto é quanto sou do que senti...

Seja eu meio acolá ou meio outrora,
Flanando enmimesmado em vão por aí,
Diverso ao que hei vivido vida afora.

Betim - 04 02 2018
425

NU FRONTAL

Exposta na parede (um calendário!),
Outra nudez perfeita e exuberante...
De facto, nada mais interessante,
Que ver o que s'esconde de ordinário...

Não tinha ela vergonha, ao contrário,
Antes buscava o meu olhar errante
E de quem mais ficasse ali bem diante,
Entretido entre o real e o imaginário.

Janela de adentrar na fantasia,
Aquela costumaz fotografia,
Que se via em qualquer suja oficina.

Era expressão de pura liberdade
Ao fazer da mulher sensulidade
N'uma sexualidade masculina.

Betim - 03 02 2018
383

ARIDEZ

Como ouvisse trovão e não visse raio,
No claro céu dos longes dos sertões.
Assim também os secos corações
No chão esturricado ao sol de maio.

Incoerências à parte, de soslaio,
Surpreendo redemunhos d'emoções
Varrendo as desoladas amplidões,
Onde antes todo o campo verde gaio...

Brilhante, o contraforte do penedo
Reluz igual matéria incandescente
Àquela claridade onipresente.

De facto um novo sol cada rochedo,
Espelhando-se a pino no meio-dia
Por sobre a terra tórrida e vazia.

Mantena - 30 05 2017
438

Comentários (5)

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Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!